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Estado de Minas SAÚDE

Câncer que acometeu Eva Wilma é silencioso e exige diagnóstico precoce

Especialista alerta para o fato de o câncer de ovário passar despercebido por anos até atingir estágios avançados. Diagnóstico precoce otimiza chances de cura


20/05/2021 13:18 - atualizado 20/05/2021 14:05

Eva Wilma morreu no último sábado (15/5) em decorrência de um câncer no ovário(foto: TV Globo/Divulgação)
Eva Wilma morreu no último sábado (15/5) em decorrência de um câncer no ovário (foto: TV Globo/Divulgação)

No último sábado (15/5), a atriz Eva Wilma morreu aos 87 anos em razão de um quadro de insuficiência respiratória em decorrência de um câncer no ovário. Uma doença silenciosa, segundo o oncologista Amândio Fernandes, da Oncomed. 

“O câncer de ovário é o segundo tumor maligno ginecológico mais comum. Por ser uma patologia que não apresenta sintomas em suas fases iniciais – por isso comumente chamada de ‘silenciosa’ – e porque não existem métodos de rastreamento para seu diagnóstico em mulheres assintomáticas, a maioria dos casos é diagnosticado em fases mais avançadas.” 

Frequentemente, os diagnósticos são tardios, quando o câncer já se disseminou para outros órgãos da região pélvica e abdominal, tendo como consequência mais temível e grave dessa evolução silenciosa o impacto nas chances de cura. Isso porque, com a doença em estágios avançados, o tratamento é mais difícil, mais agressivo, com mais efeitos adversos e, também, com maior comprometimento da qualidade de vida da paciente.   

O diagnóstico precoce é um grande aliado das mulheres com a doença. Isso porque o tratamento tende a ser menos agressivo e muitas vezes apenas cirúrgico, sem necessidade de tratamento sistêmico com quimioterapia. “Há então uma grande possibilidade de cura, o que está intimamente relacionado ao estágio de evolução da doença e ao diagnóstico. Quando diagnosticado em estágio inicial, a possibilidade de cura é em torno de 90%.” 

“A maioria dos cânceres de ovário, em torno de 90% a 95%, é de linhagem epitelial e a média de idade da mulher ao diagnóstico é em torno de 60 anos. Outro tipo de câncer de ovário, que representa de 3% a 5% dos casos, são os tumores de células germinativas. Esses tipos de tumores, usualmente, afetam mulheres mais jovens e, se diagnosticados em estágios mais avançados, podem interferir na gravidez”, completa Amândio Fernandes. 

Entre os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de ovário estão idade, infertilidade, menstruação precoce, menopausa tardia, nuliparidade (não ter gerado filhos), obesidade e tabagismo. Porém, fatores genéticos também influenciam na probabilidade de acometimento pela doença.

“Mutações de origem hereditária, em especial dos genes BRCA1 e BRCA2, estão ligadas principalmente ao câncer de ovário, bem como ao câncer de mama”, explica o oncologista. 

FIQUE ATENTA AOS SINTOMAS 


Haja vista o fato de o câncer de ovário ser silencioso, é de suma importância que as mulheres estejam atentas ao menor sinal dado pelo corpo, ao mesmo passo que estejam alertas para o histórico familiar e situações que podem favorecer o surgimento da doença. 

“Como os ovários são órgãos pequenos que se localizam dentro da cavidade pélvica que é grande, para que um ovário acometido pelo câncer seja percebido clinicamente como uma massa tumoral ou para que ele provoque sintomas à compressão de órgãos vizinhos (como alterações intestinais ou dor) é preciso que ele esteja aumentado muitas vezes além do seu tamanho normal, ou seja, é preciso que a doença já tenha evoluído muito.” 

É o que explica o especialista quanto a sintomatologia da doença e seu caráter silencioso. Não à toa, segundo Amândio Fernandes, entre 70% e 80% dos casos são diagnosticados em fases avançadas. Porém, alguns sintomas podem aparecer. “Os mais comuns são: dor e aumento do volume abdominal (massa abdominal), dor na pelve, sensação de plenitude gástrica, inapetência, constipação intestinal ou diarreia e emagrecimento.” 

“É importante observar que esses sintomas são comuns a várias outras doenças, muitas delas mais comuns que o câncer de ovário, entretanto, as mulheres devem se conscientizar de que esses sinais e sintomas podem ser o alerta para um diagnóstico mais precoce.” 

Uma outra problemática do câncer de ovário é que não há exame de rastreamento da doença, ou seja, não existe um exame preventivo para esse tipo de tumor, como é o caso do Papanicolau, usado especificamente para detectar o câncer de colo uterino.

“A recomendação, então, é que as mulheres não deixem de fazer os controles anuais no ginecologista, fiquem alertas aos sinais do corpo e estejam atentas à história familiar e situações que podem favorecer o surgimento da doença”, diz o médico da Oncomed. 

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram 


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