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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Escrita autobiográfica e terapêutica: contra a invisibilidade e a exclusão

A escrita autobiográfica ou terapêutica é um meio para expressar os sentimentos em relatos de vivência e para manter vínculos afetivos. Sentir-se acolhido


25/04/2021 04:00 - atualizado 25/04/2021 10:36

Expressar-se por meio da escrita é ferramenta poderosa de cuidado com a saúde mental(foto: Content Pixie/Unsplash)
Expressar-se por meio da escrita é ferramenta poderosa de cuidado com a saúde mental (foto: Content Pixie/Unsplash)


Expressar-se por meio da escrita é ferramenta poderosa de cuidado com a saúde mental. É unanimidade como a materialização dos sentimentos por meio da palavra visualmente proporciona uma visão do que se passa internamente com cada um.

A técnica administrativa e mestranda em educação tecnológica Juliana Azevedo Pacheco, idealizadora do projeto A escrita de si, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), que faz parte do programa de extensão da instituição, foi pensada como instrumento de visibilidade para os terceirizados do Cefet-MG.

Segundo ela, trata-se da oferta de um curso de escrita para os funcionários terceirizados que trabalham, majoritariamente na limpeza. O mote inicial foi a necessidade de conhecer quem eram as pessoas que zelavam pela limpeza da instituição, alguns nunca haviam frequentado uma escola antes.

O intuito também era de ampliar as possibilidades para os sujeitos desenvolverem uma visão crítica da realidade, rompendo com o processo nivelador a que a cultura submete os indivíduos.

Nem sempre a escrita é linear e conseguimos decifrar seus códigos. Mas o ato de escrever transforma algo em nós

Juliana Azevedo Pacheco, idealizadora do projeto "A escrita de si", do Cefet-MG



Um dos resultados, destaca Juliana Pacheco, foi a edição do livro “Narrativas de vida dos trabalhadores terceirizados do Cefet-MG”, lançado em dezembro de 2020, que reúne narrativas de vida dos participantes. “Nos textos, os participantes refletem sobre formas de reconhecimento, fortalecimento e compartilhamento de suas trajetórias, que, consequentemente, levam à resistência aos mecanismos de exclusão e subalternização. A publicação é uma iniciativa que indica que sujeitos historicamente invisibilizados e subalternizados também podem escrever e escrevem suas histórias”, explica.

Para Juliana Pacheco, a escrita atua de várias formas e a partir do momento em que a pessoa escreve, ela mergulha em si, em partes boas e ruins: “Mas a escrita autobiográfica pode ser uma oportunidade de reconhecimento de nossas próprias identidades. É como as cebolas e suas camadas, a escrita seria como descascar nossa cebola, e ir retirando as camadas de si. Em relação ao bem que faz, digo por mim, a escrita me reorganiza e dissipa ansiedades”.


Quentinho no coração


Juliana Azevedo Pacheco, idealizadora do projeto
Juliana Azevedo Pacheco, idealizadora do projeto "A escrita de si", do Cefet-MG (foto: Pablo Caldeira/Divulgação)
Juliana Pacheco lembra que, além da escrita organizada no papel, há muitas formas de escrever nossas histórias. “Digo isso pela experiência no projeto, quando percebi que havia trabalhadores que não sabiam ler e escrever. Pensei, como eles vão escrever sobre si? Durante as aulas emergiram histórias autobiográficas que precisavam ser transformadas em texto. Com o auxílio da equipe e colegas conseguimos. Então, sim, todos podem escrever de si. Uma forma que indico para começar é com um caderninho de lembranças boas. Se o intuito é trazer um quentinho no coração, escreve as primeiras boas lembranças da infância; se a vontade é se conhecer, escreva suas qualidades, e por último, há um tipo de escrita que amo, a escrita de cartas para si. Escrevam para si, cartas para suas crianças, para sua personalidade adolescente, para sua velhice.”

A escrita pode, sim, dar visibilidade aos sentimentos, pensamentos, emoções, dúvidas e desejos, que se tornam mais reais, até mesmo como um documento, um retrato sobre si. Mas, diante da experiência de Juliana Pacheco, “às vezes, é um retrato embaçado daqueles filmes que algumas fotos queimavam, sabe? Podemos não ver com nitidez aquela foto, mas ela registra algo. Assim também é com a escrita sobre si, nem sempre ela é linear e conseguimos decifrar seus códigos. Mas o ato de escrever transforma algo em nós”.

Diante da força da escrita, é possível imaginar que aqueles que não sabem vivam um vazio por não dominar uma forma de expressão. “Não posso dizer sobre essa falta, já que a escrita é algo que está presente em minha vida, em meu cotidiano. Mas cito Rosa Montero (jornalista e escritora espanhola): 'Mas a palavra é o que nos torna humanos'.”

Cinco benefícios da escrita terapêutica

  1. Contribui para o autoconhecimento
  2. Equilibra as emoções
  3. Organiza os pensamentos
  4. Melhora a comunicação
  5. Aumenta a disciplina

Fonte: Mylle Silva: https://oficinadeescrita.com.br



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