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Estado de Minas SAÚDE

COVID-19: óculos podem reduzir risco de contaminação, diz estudo

A taxa de infectados é menor no grupo de usuários de óculos quando comparada aos números da população em geral. Especialistas comentam possíveis causas


25/02/2021 12:21 - atualizado 25/02/2021 14:29

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

Um estudo, ainda em fase preliminar, denominado "Risco de doença por vírus Corona 2019 (COVID-19) entre a população de óculos que usam óculos do norte da Índia", apontou um índice menor de infecção em pessoas que usam óculos.

Segundo os dados da pesquisa, liderada pelo oftalmologista Amit Kumar Saxena e realizada com cerca de 300 pessoas na região norte da Índia, o grupo de usuários de óculos registraram taxas de contaminação por COVID-19 em torno de 0,48. Na população em geral, esse indicador é de 1,35. 

Os resultados finais do estudo apontaram para uma, nas palavras do autor, “eficácia protetora dos óculos estatisticamente significativa”. Ainda segundo a pesquisa, a conclusão é de que o risco de contrair COVID-19 é em torno de duas ou três vezes menor na população que usa óculos do que na que não faz o uso. “O ducto nasolacrimal pode ser uma via de transmissão do vírus do saco conjuntival para a nasofaringe”, diz o estudo. 

E é justamente o que a oftalmologista Mariana Amaranto explica: “o vírus já foi detectado na lágrima e pode facilmente chegar ao nariz por meio de uma comunicação que existe naturalmente entre olho e nariz (ducto nasolacrimal). Sendo assim, a presença do vírus na lágrima facilita a contaminação”.

Nesse cenário, a infectologista Melissa Valentini reforça que a mucosa ocular pode ser ponto de transmissão de vários vírus e bactérias, especialmente aqueles que podem estar suspensos no ar, seja em razão da tosse, espirro ou fala de uma pessoa contaminada. 

Por isso, o uso de óculos pode ser um aliado, já que tende a funcionar como uma espécie de barreira e evitar o contato de gotículas contaminadas com os olhos. “Além disso, os usuários têm menos oportunidades de colocar as mãos nos olhos e coçá-los, por exemplo, evitando algum tipo de contaminação”, completa a infectologista, que destaca a importância de se atentar ao cenário como um todo, uma vez que esses cuidados não evitam por si só a proliferação do coronavírus. 

“Os olhos são formados por um tecido especial, a mucosa, que é mais sensível e pode ser porta de entrada para algumas infecções. Mas cuidar somente dos olhos não é suficiente. É muito importante que mantenhamos o uso correto das máscaras que devem cobrir o nariz e a boca e evitemos tocar o rosto e os olhos sem a devida higienização das mãos. São medidas que devem ser realizadas em associação, não se esquecendo de manter o distanciamento e evitando-se as aglomerações”, pondera. 

Porém, Mariana Amaranto destaca a importância dos resultados alcançados. “Se os óculos realmente auxiliam na redução do número de pacientes contaminados, reduz-se a disseminação do vírus”, diz. Ela lembra, ainda, que a conjuntivite pode ser uma das primeiras manifestações da COVID-19, portanto, em caso de manifestações oculares, como olho vermelho, desconforto e sensação de areia nos olhos, um especialista deve ser consultado. 

Anteriormente, um outro estudo já havia concluído algo semelhante ao apresentado pelos resultados indianos. Em uma pesquisa feita na China para medir a relação entre usuários de óculos e a baixa taxa de transmissão, os dados registrados apontaram que apenas 16 pacientes, de um total de 276, com COVID-19 no hospital Suizhou Zengdu, na província de Hubei, tinham miopia e usavam óculos com frequência.

De acordo com os dados, o percentual de pacientes infectados e com miopia (5,8%) chamou a atenção em relação ao percentual de pessoas com a doença ocular na província – 31,5%. 

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram


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