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Estado de Minas SAÚDE MENTAL

Heranças da pandemia: Quadros de ansiedade, depressão e estresse aumentaram

Isolamento social por conta da COVID-19 colocou à prova a saúde mental de bilhões de pessoas no mundo todo.


24/01/2021 04:00 - atualizado 24/01/2021 08:32

(foto: Anthony Tran/Unsplash )
(foto: Anthony Tran/Unsplash )
Com o mundo imerso em pandemia, não há quem não tenha, em algum momento, sofrido com o medo de se contaminar com o Sars-Cov-2 ou mesmo de perder entes queridos para a COVID-19. Porém, para além disso, o isolamento social e o consequente risco de infecção pelo novo coronavírus mudaram rotinas e colocaram à prova a saúde mental de bilhões de pessoas. Estudo realizado nos Estados Unidos mostra que os distúrbios psicológicos são uma das grandes heranças deste período.

De acordo a pesquisa “Bidirectional associations between COVID-19 and psychiatric disorder: retrospective cohort studies of 62 354 COVID-19 cases in the USA”, a probabilidade de se ter um diagnóstico de qualquer doença psiquiátrica após a confirmação de infecção pelo novo coronavírus é de 18,1%. Os casos mais frequentes são de transtornos de ansiedade, em média 12,8%, seguidos de transtornos de humor, sendo a depressão a mais comum. Ainda, demência e insônia aparecem com alto potencial.

Christiane Carvalho Ribeiro, psiquiatra de ligação no Hospital Dr. Célio de Castro, explica que, nesse cenário, há uma série de fatores de risco para a saúde mental. “Pode haver traumas associados ao adoecimento ou morte de pessoas próximas, sintomas psiquiátricos decorrentes da infecção ou do uso de altas doses de corticoesteroides e, também, estresse induzido por distanciamento social, consequências econômicas, alterações na rotina e/ou nas relações afetivas”, aponta.

POTENCIALIZADOR 


Não à toa, um outro estudo, também realizado nos Estados Unidos, esse feito pelo National Institutes of Health, parte do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do país, aponta o estresse – sensação de se estar sobrecarregado, fora do controle e incapaz de lidar com a situação – proveniente do período como um grande potencializador para o aparecimento de distúrbios maiores e futuros.
 
(foto: Guilherme Breder/Divulgação)
(foto: Guilherme Breder/Divulgação)
 

"Uma pandemia é um contexto que promove medo e insegurança de forma generalizada, mesmo que inconscientemente. E o estresse é uma resposta do corpo a situações de ameaça e emergência”


 Jaqueline Bifano, psiquiatra
 
 
“Uma pandemia é um contexto que promove medo e insegurança de forma generalizada, mesmo que inconscientemente. E o estresse é uma resposta do corpo a situações de ameaça e emergência. A questão é que, no contexto em que estamos, não há uma ameaça isolada, que chega e se desfaz. As incertezas com relação ao futuro funcionam como uma ameaça constante na mente das pessoas, e isso pode gerar estresse crônico”, explica a psiquiatra Jaqueline Bifano.

Nesse cenário, quando o estresse atinge um nível patológico, a pessoa sofre impactos em sua vida de diversas formas. “O estresse crônico está, inclusive, relacionado à inflamação do corpo. E a inflamação está ligada a uma série de problemas de saúde, como patologias do coração, câncer, artrite e doenças mentais. Numa avaliação mais simplificada, a pessoa passa a viver como se estivesse sob constante ameaça, em estado de alerta, e isso gera a sobrecarga do corpo em vários sentidos.”

*Estagiária sob supervisão da editora Teresa Caram


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