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Estado de Minas SAÚDE

Sol: vilão da pele e aliado do corpo

Uma das principais fontes de vitamina D para o organismo, os raios solares são os principais causadores do câncer de pele


03/01/2021 04:00 - atualizado 03/01/2021 08:42

Michelle Diniz, dermatologista, não recomenda exposição ao sol(foto: AT Fotografia/Divulgação)
Michelle Diniz, dermatologista, não recomenda exposição ao sol (foto: AT Fotografia/Divulgação)
Fonte e um dos principais ativadores da produção de vitamina D no corpo, o sol, além de aliado do corpo, é o queridinho de quem gosta de curtir o verão. Porém, ele pode se tornar, também, um grande vilão da pele, já que os raios ultravioletas que ajudam na produção de vitamina D são os mesmos causadores de câncer de pele. Justamente por isso, a prevenção consiste em evitar a longa exposição do organismo à radiação solar.

Maria das Graças Antunes Pontes, de 70 anos, sentiu na pele os efeitos da exposição ao sol: há cerca de 10 anos, ela descobriu o câncer de pele, ao perceber uma lesão na epiderme logo após se submeter a uma cirurgia de coração.

“Era uma pinta que só crescia. E isso foi reflexo da minha infância, pois, quando eu era bem menina, ajudava meus pais na roça e ficava exposta ao sol sem conhecimento de todo o mal que isso fazia. E ao longo dos anos segui com o hábito de não usar protetor solar”, conta.
 
Essa exposição crônica lesa o DNA das células da pele, gerando mutações que favorecem o surgimento desses tumores. Por isso, a importância de que a prevenção tenha início ainda na infância.

“Quando a pessoa for se expor, é muito importante que ela se atente aos cuidados básicos, os quais podem salvar a pele de um futuro câncer de pele. São eles, o uso do filtro solar e de barreiras físicas, como bonés, chapéus e malhas de proteção”, informa o dermatologista Lucas Miranda.

Ele destaca, ainda, que o filtro solar, por exemplo, não deve ser passado no corpo e no rosto apenas nos fins de semana de sol na piscina ou na praia, devendo ser usado todos os dias, antes de sair de casa e reaplicado em boa quantidade a cada duas horas, independentemente do dia estar ensolarado, nublado ou frio.

Se houver transpiração, esse retoque deve ser feito mais vezes. “O fator mínimo de proteção deve ser 30 e o produto utilizado deve ser testado dermatologicamente”, recomenda.

Segundo o oncologista do Hospital Felício Rocho Octávio de Castro, o uso de óculos escuros com proteção UV e a não exposição exagerada ao sol, principalmente entre 9h e 15h – período de pico da radiação prejudicial ao corpo e pele –, também são ótimos aliados na busca pela prevenção aos tumores de pele.

Além do sol, os fatores genéticos também podem provocar o aparecimento da doença. Assim sendo, os pacientes que tenham casos de câncer de pele na família, sobretudo em parentes de primeiro grau, devem redobrar a atenção.

Idosos, pessoas de pele clara, com sardas, de cabelo ruivo ou louro e de olhos claros fazem parte do grupo de risco ao acometimento pela patologia e, por isso, devem redobrar os cuidados. Pessoas sem histórico familiar ou fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele também devem manter a assistência médica com um especialista em dermatologia.

SINAIS 

Diferentemente de outros cânceres, como o de pulmão ou o de fígado, por exemplo, que não estão expostos no dia a dia e, por isso, necessitam de exames de imagem para serem detectados, o câncer de pele é visível.

Justamente por isso, para chegar ao diagnóstico de tumor na pele, basta que uma atenção maior seja destinada ao cuidado da epiderme. Nesse cenário, conhecer o corpo é muito importante.

“Os melanomas costumam se iniciar como uma pinta bem escura. Frequentemente, é possível perceber que ela está crescendo em um ritmo mais acelerado do que as outras pintas do corpo. Por vezes, se espalha em formas irregulares e as pintas têm áreas de diferente tonalidade de marrom”, explica Octávio de Castro, que destaca, ainda, que, no caso dos tumores não melanoma, as lesões apresentam um crescimento mais lento.

“Eventualmente, essas manchas ulceradas – feridas – se formam na face, narinas, orelhas, cabeça e tronco. Ou seja, os locais que mais recebem sol ao longo da vida”, completa o oncologista do Hospital Felício Rocho.

Além disso, o dermatologista Lucas Miranda pontua que os pacientes precisam ficar em alerta caso reconheçam lesões na pele com aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com crosta central e que sangre facilmente.

Pintas pretas ou castanhas, que mudam de cor, apresentem bordas irregulares e/ou aumentem de tamanho também podem ser indícios de que algo não está correto com a saúde da pele, podendo indicar, inclusive, a incidência de câncer. “Machucados que não cicatrizam também são pontos de atenção.”


TRATAMENTO 


Se a pessoa não se cuida, ou não valoriza uma lesão suspeita, o câncer de pele pode crescer e acometer outros tecidos. Os tumores não melanoma costumam crescer localmente, invadindo a pele, cartilagens e ossos ao redor e tem um menor potencial de se disseminar para outros órgãos.

Porém, os melanomas são tumores de comportamento muito mais agressivos e, se permitidos crescerem, com frequência invadem vasos sanguíneos e linfáticos, por onde trafegam até se instalarem em outros órgãos como fígado, pulmão, ossos ou cérebro, tornando a situação do paciente muito mais complexa.

Justamente por isso, o oncologista Octávio de Castro destaca a importância de que, quando diagnosticado, os pacientes com câncer de pele se submetam a tratamentos eficazes, sempre mantendo a proteção contra os raios ultravioletas (UV).

“Pode-se minimizar o risco de desenvolver novas lesões seguindo as recomendações de proteção solar. No entanto, é importante frisar que esses indivíduos têm uma chance maior de desenvolver novas lesões devido ao dano já sofrido previamente.”

Segundo o oncologista, se diagnosticada ainda bem pequena e inicial, as chances de cura da doença se aproximam de 100%. Além disso, a terapia deve ser iniciada imediatamente, seja por meio de cirurgia, ou rádio/quimioterapia.

OSSOS 

Haja vista a importância da vitamina D para o fortalecimento ósseo e muscular, bem como para bom funcionamento do sistema imunológico e a necessidade de se evitar a exposição solar em razão do câncer de pele, a dermatologista Michelle Diniz destaca que há outras formas de o organismo não sofrer com a deficiência da vitamina.

“Não recomendamos que o paciente se exponha ao sol, pois ele pode até aumentar a vitamina D no corpo, mas isso vai impulsionar as chances de câncer de pele.”

É importante que a reposição ocorra de forma a não prejudicar a saúde, até mesmo com a administração de doses diárias. “Porém, é essencial que haja um acompanhamento médico com dosagem correta dos níveis de vitamina D no corpo, isso porque a autoavaliação pode resultar no excesso e ter um aumento excessivo de cálcio no corpo e no rim, favorecendo o aparecimento de cálculo renal e, em alguns casos, podendo haver quadros clínicos de insuficiência renal por intoxicação”, diz Michelle Diniz.

* Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram

Previna-se do câncer de pele

» Evite o sol entre 9h e 15h
» Use camiseta, chapéu de abas largas, sombrinha e guarda-sol
» Lembre-se dos óculos escuros com proteção UV
» Aplique o protetor solar diariamente (fator de proteção de no mínimo 30) e repita a aplicação a cada duas horas

Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)


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