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Estado de Minas COVID-19

Coronavírus: cuidado com o que você coloca no prato

O isolamento social provoca mudança de hábitos alimentares. Há quem decidiu fazer escolhas saudáveis e quem chutou o balde diante da ansiedade


postado em 28/06/2020 04:00 / atualizado em 27/06/2020 22:07

(foto: arquivo pessoal)
(foto: arquivo pessoal)

Eles são jovens, bem-informados, sabem o que está certo e errado e na vida pré-pandemia praticavam atividade física e tinham critério na escolha dos alimentos, com deslizes programados. Nada rigorosos, mas dispostos a fazer o melhor para manter a saúde sem abrir mão do prazer.

Com o caos instaurado a partir do isolamento social imposto pela COVID-19, tudo mudou. A alimentação se tornou o melhor acesso à felicidade diante do confinamento e muitos assumiram o risco de comer o que têm vontade, o que gostam. E só se preocupar depois.

A quarentena provoca mudança de hábito, o que influencia a vida de todos. Não seria diferente com a alimentação. Muitos passaram a ter outra relação com a comida, para o bem e para o mal.

Em casa, alguns retomaram o ato de cozinhar, outros estão aprendendo, há aqueles que decidiram consumir alimentos mais saudáveis, quem está fazendo uma reeducação do que coloca no prato e a turma que tem “enfiado o pé na jaca”, fazendo escolhas que podem colocar em risco a saúde.

“Sei cozinhar bem. Nos primeiros dias, empolguei e fiz vários pratos gostosos, feijoada, churrasco e pizza. Mas eles refletiram no corpo. Então, decidi adotar um cardápio mais light, leve, com arroz integral, salada, frango grelhado, pasta de grão-de-bico. E até passei a praticar ioga pela manhã. Durou 15 dias. Em home office desde 17 de março, passei a ficar muito ansioso e triste, sentia falta da alegria da comida gorda”, conta Eduardo Marques, de 26 anos, designer.

Depois de chutar o balde, em maio ele confessa ter passado o mês inteiro ligado ao delivery só consumindo pizza, sanduíche e tantas outras comidas nada saudáveis.
 
 
(foto: arquivo pessoal)
(foto: arquivo pessoal)
 

Decidi enfiar o pé na jaca e quando o apocalipse passar eu volto para o novo mundo%u201D



Eduardo Marques, de 26 anos, designer
 
 

Vivendo fases, Eduardo conta que em uma delas decidiu não fazer dieta, mas evitar “comidas pesadas”. Então, passou a preparar arroz, feijão, carne e salada. Agora, está em uma nova onda de mesclar uma semana com essa refeição trivial e na seguinte fazer lasanha, torta de frango, sanduíche. E assim segue. “Parei com a ioga há muito tempo, tentei várias vezes, mas o home office toma tempo, fico cansado no fim do dia e não quero acordar cedo no início. Então, decidi enfiar o pé na jaca e quando o apocalipse passar eu volto para o novo mundo.”
 
  

PELO PRAZER 


A jornalista Carolina Capozzi, de 35, está no mesmo ritmo do Eduardo. “Não vou me penalizar ainda mais. O que me dá prazer agora é comer doce. E estou comendo. Não vou me preocupar com uma alimentação rigorosa e saudável neste momento. Não quero me colocar mais pressão. Depois corro atrás, e tenho até medo do quanto terei de correr.” Sincera e com bom humor, ela está em quarentena desde 21 de março, chegando a ficar 35 dias sem sequer pegar o elevador do prédio onde mora, em São Paulo.

Carolina confessa que seus pecados com a alimentação têm sido diários. Mas sem culpa: “Em home office, como a maioria, trabalhamos mais, tem toda a tensão da pandemia, já assisti a todas as séries e não aguento mais ver TV. Faço academia, então até tentei seguir vídeos no YouTube, não deu certo, desisti. Resta a comida, sempre à mão. É o que me dá prazer e, asseguro, que quem está rigorosamente cumprindo a quarentena, sem nenhuma escapada, nem para o mercado, vai descontar na comida”.
 

Pronta a confessar seus pecados, Carolina revela que nos primeiros dias da quarentena chegou a montar um kit de guloseimas que carregava para o escritório de casa: salgadinhos, bolachas e chocolate. Durou quatro dias, e ela percebeu que não deveria continuar. Mas, na sequência, com irmã e cunhado médicos na linha de frente do combate à COVID-19, as sobrinhas de 6 e 9 anos foram para sua casa.

“E adoram besteiras. Eu me tornei a terceira criança. Então, se faço pipoca para elas, também como e por aí vai.” Fora a convivência com a família, que tem feito despertar a food confort, aquele prato que só a mãe sabe fazer, memória do paladar insubstituível: “Outro dia, minha mãe preparou bolinhos de chuva. Não comia havia uns 20 anos. Foi um reencontro e, claro, ao levar para mim no escritório já disse para deixar o prato, comi toda a receita”.
 
 
(foto: arquivo pessoal)
(foto: arquivo pessoal)
 
 

"Não vou me preocupar com uma alimentação rigorosa e saudável neste momento. 
Não quero me colocar mais pressão”

Carolina Capozzi, jornalista

 
A jornalista conta que teve potencializado nesta quarentena um comportamento que já tinha controlado, a mania de criar vícios por determinado tempo. Então, diz que já passou pela fase pão de mel, três por dia; do wafer, um pacote inteiro em horas; e agora, com tranquilidade, Nutela com morango.

“Como relaxada, porque estou comendo fruta! Fico controlada no café da manhã e no almoço, o pior é a parte da tarde e à noite. Trabalho duro até as 20h, as 21h e vou encerrar o dia com uma salada? Não mesmo, quero uma pizza!”

Especialmente neste momento, há muitos argumentos e justificativas que não passam de desculpas. Comportamento adotado por grande parte dos brasileiros. Mas é preciso uma dose extra de esforço e sacrifício em razão da saúde, ainda mais agora. Comer besteira é viver perigosamente.

Muitos têm ido na contramão do que é recomendável pelos profissionais da saúde. Pesquisas, antes da pandemia, já comprovaram que o arroz com feijão, combinação nutricional das mais ricas do mundo, acessível a todas as classes sociais, tem perdido lugar para produtos industrializados, congelados, ultraprocessados, cheios de aditivos químicos. Não existe pretexto. Existe consciência, força de vontade e hábito.

Por outro lado, há uma parcela da população que tem seguido as regras. Entre os motivos, a preocupação com a saúde, segurança, solidariedade, já que tem muitos comprando produtos orgânicos de pequenos produtores (via plataformas ou WhatsApp) e o fato de ter oportunidade de fazer as refeições em família, dar exemplo aos filhos.

BEBIDA ALCOÓLICA  


Adauto Versiani, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG), destaca que a alimentação mais colorida, variada, frugal e rica em verduras é mais saudável. E lembra que o arroz com feijão forma uma dupla perfeita, preenchendo, em grande parte, nossas necessidades.

Se combinados com verduras, legumes e uma carne magra (peixe ou frango sem a pele) tem praticamente tudo de que a gente precisa para uma refeição completa. Não é necessária uma refeição cara para se comer de modo saudável.

Esse almoço, aliado durante o dia a frutas e cereais, mantém a pessoa saciada e todo o organismo agradece, contribuindo para a melhoria do humor e do bem-estar.

A preocupação do médico também recai sobre o consumo de bebida alcoólica. Ele lembra que algumas pessoas descontam a ansiedade não na comida, mas na bebida alcoólica, que tem calorias, mas sem nutrientes. “O excesso pode levar a alterações do colesterol, principalmente o triglicérides, problemas de alcoolismo, esteatose hepática (gordura no fígado), atrapalha a qualidade do sono, a pessoa fica mais cansada no dia seguinte, pode ter ressaca e desidratação, comprometendo o sistema imunológico, podendo levar ao ganho de peso e a uma dependência química.”


 

Prefira o equilíbrio no prato


 

Mesmo em quarentena é possível se alimentar bem, de forma saudável. Sem cair na tentação ou, pelo menos, ter controle para encontrar o equilíbrio. A nutricionista clínica e comportamental Juliana Nakabayashi diz que a melhor forma é buscar uma alimentação mais simples, já que todos têm de lidar com uma nova rotina dentro de casa, da faxina a aulas on-line e home office.

Ela acredita na alimentação descomplicada, que deve ser gostosa, prática, nutritiva e com custo acessível. Então, a dica é priorizar refeições caseiras com alimentos mais naturais, evitando excesso de ultraprocessados. É priorizar a comida típica do brasileiro.


Muitos estão mudando o comportamento alimentar. Tem os que estão comendo melhor, já que antes havia muitas opções apetitosas e atrativas perto do trabalho ou da escola e, agora, estão comendo uma comida mais caseira.

Em contrapartida, há outros que pioraram. Seja porque estão comprando mais quantidade para evitar sair de casa e acabam fazendo estoque (e com mais oferta no armário e ansiedade acabam excedendo), seja pela ausência da empregada que prepara as refeições ou pela facilidade em pedir comida pelos aplicativos.
 
Nutricionista clínica e comportamental, Juliana Nakabayashi sugere priorizar refeições caseiras, nutritivas e descomplicadas (foto: Felipe Muller/Divulgação)
Nutricionista clínica e comportamental, Juliana Nakabayashi sugere priorizar refeições caseiras, nutritivas e descomplicadas (foto: Felipe Muller/Divulgação)
 
Para a nutricionista, o risco desse tipo de alimentação é a queda na qualidade nutricional: “A má qualidade alimentar, juntamente com o sedentarismo e o estresse, podem trazer problemas tanto a curto como longo prazo. Quem tem comido, predominantemente, uma alimentação rápida tipo pizza, massa, congelados, pães e bebidas adoçadas, consome menos vitaminas e minerais, que são fundamentais para garantir a imunidade. Já estamos no inverno e as questões respiratórias são mais incidentes, junto com a ameaça da COVID-19”.

Para quem não sabe cozinhar, Juliana indica como opção se arriscar a aprender o trivial, como arroz, feijão, legume e carne, ou procurar comprar em locais que prezam não só pelo sabor, mas pela qualidade e variedade.

Para os habituados ao delivery e congelados, a sugestão é buscar intercalar esse tipo de alimentação com uma mais caseira, já que este tipo de alimentação costuma ter pouca oferta de vitaminas, minerais e fibras.
 
 
A nutricionista comportamental destaca que a relação comida e ansiedade é desafiante em tempos de incertezas, porque muitos tendem a compensar com comida seus desconfortos. É o chamado ‘comer emocional’, em que cada um come por estresse, ansiedade, cansaço e não por fome fisiológica.

Dependendo do grau de ansiedade, vai comer de forma automática, sem se dar conta. E não adianta alimentos que ajudam na saciedade ou que sejam fit e light, por exemplo. A pessoa está comendo sem prestar atenção se está com fome.

Nesse caso, é preciso buscar melhorar o comportamento alimentar para ajudá-la a sair desse ciclo emocional e automático. O importante é cuidar do que vem antes do comer (organização e planejamento) e durante (o ambiente onde vai comer).
 
 
Junia Bethonico, nutricionista, diz que as pessoas perceberam que manter a saúde em dia é a melhor estratégia para enfrentar doenças (foto: Arquivo Pessoal)
Junia Bethonico, nutricionista, diz que as pessoas perceberam que manter a saúde em dia é a melhor estratégia para enfrentar doenças (foto: Arquivo Pessoal)
 
 
IMUNIDADE 

A nutricionista Junia Bethonico, proprietária da clínica Saúde com Prazer, no Bairro Belvedere, destaca que uma grande preocupação das pessoas tem sido se informar sobre a imunidade. Elas perceberam que manter a saúde em dia é a melhor estratégia para enfrentar não apenas essa, mas qualquer doença.

“Nunca se falou tanto acerca de saúde, sobre manter bons hábitos e, principalmente, sobre praticar um estilo de vida saudável. Esse certamente é um legado que ficará da pandemia. Hábitos saudáveis construídos agora têm grande potencial para fazer parte da rotina de forma definitiva.”

A primeira recomendação de Junia Bethonico é aumentar o consumo de plantas. “A melhor forma que encontrei são os shots (dose pequena). Um clássico e eficiente é um limão espremido com cinco a 10 gotinhas de própolis. E por aí podemos abusar das produções das abelhas, consumindo mel, geleia real e o pólen. Se já criou hábito de tomar um shot por dia, aumente para dois ou três, já que o frio está aí.”

O consumo de chás ajuda muito na hidratação, que fica reduzida com a queda de temperatura. Ele sugere chá de gengibre, de casca de abacaxi, de canela em pau, de erva-doce e cidreira.
 
 
 
 
Ainda sobre a imunidade, a nutricionista destaca a importância de ter os níveis de ômega 3 normais. Se não consumido na dieta, ela indica suplementação. Alimentos ricos em ômega 3 são a linhaça e peixes de águas profundas. Não menos importante é nutrir as bactérias que vivem, especialmente, em nosso intestino, com probióticos, prebióticos.

Para quem tem mais dúvidas e deseja mudar, não só a alimentação, mas o estilo de viver, Junia Bethonico acaba de lançar o primeiro volume de uma série de e-books intitulada Filosofia: saúde com prazer, incluindo a gastronomia funcional. On-line, gratuito, é só acessar: https://forms.gle/UDbYkNBKfg2G1T3t5.

 
 

» Como cultivar hortas em apartamentos?

 
A construtora AP Ponto e a BeGreen fizeram uma live sobre o plantio 
de hortaliças e alimentação saudável. Todos os condomínios da construtora têm hortas comunitárias para que os moradores tenham acesso a alimentos livres de agrotóxicos e alimentação saudável. Na live, Allan Farah, biólogo e gestor da experiência pedagógica na BeGreen, e a nutricionista funcional Daniele Adjuto falaram dos benefícios de uma horta em casa.
 
 
A salsinha é uma das hortaliças fáceis de cultivar em pequenos espaços (foto: Wolfgang Eckert/Pixabay)
A salsinha é uma das hortaliças fáceis de cultivar em pequenos espaços (foto: Wolfgang Eckert/Pixabay)
 
 
1 – Ter um espaço em casa onde bata luz do sol direta pelo menos algumas horas por dia.
2 – O ideal é começar com plantas generalistas, hortaliças, que são mais resistentes: boldo, alecrim, erva-cidreira, rúcula, salsinha, manjericão, cebolinha e coentro.
3 – Plantas alimentícias não convencionais e grãos germinados em casa (lentilha, grão-de-bico, mostarda) têm alto valor nutricional e podem ser cultivados em qualquer lugar de maneira fácil e rápida.
4 – Ter uma horta em casa é ter uma minifarmácia natural. Você pode complementar sua alimentação com diferentes receitas, usar para fazer chás, saladas, além de poder fazer o próprio repelente e óleos essenciais.
5 – Plantando em apartamentos, você pode compartilhar com outros vizinhos, fazendo a economia criativa girar, gerando menos plástico e lixo. Escolha sustentável.
6 – Além dos benefícios nutricionais, estudos compravam que o poder do verde na saúde mental colabora para diminuir o estresse e a ansiedade. Ajuda a regularizar o humor.


 
 

Seis pilares para seguir 



A alimentação é tão fundamental, ainda mais no enfrentamento à COVID-19, que o Brasil deveria adotar, como já é nos EUA, a especialidade médica “medicina do estilo de vida”, criada em 2004 pelo American College of Lifestyle Medicine, que ganha cada vez mais espaço entre a comunidade médica nacional e internacional.

A forma como cada um vive tem grande impacto na saúde. Não à toa, doenças decorrentes do estilo de vida, como obesidade, diabetes, hipertensão e até câncer, figuram entre as principais causas de morte no mundo. Por aqui, desde 2018, o Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida tem dado passos nesse caminho.

Medicina do estilo de vida é uma maneira de fornecer aos pacientes ferramentas para a mudança de seus hábitos. A cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, destaca que essa especialidade é multidisciplinar, ou seja, destinada a todas as especialidades médicas e outros profissionais da saúde, incluindo nutricionistas, fisioterapeutas e enfermeiros.
 
 
 Para a angiologista e cirurgiã vascular Aline Lamaita, com mudanças de estilo de vida é possível não apenas prevenir, mas também reverter grande parte das doenças (foto: Arquivo Pessoal)
Para a angiologista e cirurgiã vascular Aline Lamaita, com mudanças de estilo de vida é possível não apenas prevenir, mas também reverter grande parte das doenças (foto: Arquivo Pessoal)
 
 
No ramo da cirurgia plástica, por exemplo, a medicina do estilo de vida proporcionou protocolos e rotinas que fazem a mudança de hábitos mais efetiva. "Um exemplo é quando um paciente com sobrepeso chega ao consultório procurando por uma lipoaspiração. Em vez de apenas fazermos o procedimento, recomendamos a mudança de hábitos, com a adoção de uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios. É fundamental que o paciente tenha consciência da importância de sua saúde para o futuro”, enfatiza Beatriz Lassance.

IDADE 

A angiologista e cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e do American College of Lifestyle Medicine, explica que a medicina do estilo de vida é baseada em seis pilares: alimentação, controle do estresse, prática de atividade física, cessação do tabagismo, qualidade de sono e relações interpessoais. E é destinada a todas as faixas etárias.

Segundo ela, é cientificamente comprovado que até mesmo octogenários podem se beneficiar de mudanças no estilo de vida. A incidência do Alzheimer, por exemplo, é diminuída em 54% com a prática de atividades físicas três vezes por semana durante 30 minutos, independentemente da idade do paciente. Sabe-se que com mudanças de estilo de vida é possível não apenas prevenir, mas também reverter grande parte das doenças.


Como se preparar para comer

Não pense no que vai comer somente na hora em que a fome está nas alturas, isso é um pontapé para pedir um delivery ou abrir a geladeira e comer sem atenção

» Faça um planejamento. Procure programar as refeições da semana e, a partir disso, leve uma lista de compras. Não corra o risco de ir ao supermercado e comprar o que não precisa e se esquecer do que está em falta
» Procure uma alimentação mais simples, caseira, natural e descomplicada
» Sente-se à mesa para fazer as refeições
» Desligue o celular, evite ver televisão ou mexer no computador
» Evite falar de problemas que gerem tensão enquanto come
» Mastigue devagar, descanse o garfo entre uma garfada e outra
» Sinta-se presente e atento enquanto come. Observe o sabor, a textura, a temperatura
» Evite ter muitas opções/ofertas diante de você. Talvez deixar a comida no fogão seja melhor que colocá-la na mesa
» Quando se sentir ansioso, em vez de ir à cozinha pare uns minutos diante da janela ou vá até a varanda/quintal e faça respirações profundas. As pessoas costumam achar que a agitação mental vai passar se comer algo

Fonte: Nutricionista clínica e comportamental Juliana Nakabayashi



Tome uma atitude: mude!


Não é preciso esperar a consulta com o médico para começar a mudar seus hábitos. Confira as dicas das especialistas para adquirir um estilo de vida mais saudável:
 
 
(foto: Arboral/Reprodução da internet)
(foto: Arboral/Reprodução da internet)
 
» Alimente-se corretamente: dietas restritivas são difíceis de manter. Preocupe-se mais com o que você coloca no prato do que com o que retira dele. Adote uma alimentação de base vegetal, diminuindo o consumo de proteína animal e produtos industrializados. Vegetais devem compor 75% do prato. A comida deve ser boa, gostosa e feita com ingredientes saudáveis.
» Pare de fumar: 80% dos cânceres de pulmão ocorrerem em fumantes, o tabagismo também está associado a uma série de outros problemas, incluindo o envelhecimento precoce da pele e o tromboembolismo.
» Gerencie o estresse: medite, limpe a mente. A cada hora de trabalho pare cinco minutos para respirar, tomar um café, olhar pela janela ou simplesmente fechar os olhos. Uma vez por semana, procure sair da rotina e fazer uma atividade diferente. Um tempo de descanso é extremamente importante para manejar o estresse.
» Durma bem: a quantidade de horas de sono necessárias é individual. De modo geral, o ideal é que se tenha 7 horas diárias de sono. Mas fique atento à sua disposição durante o dia. Se sentir sintomas de cansaço e sonolência pode ser que a qualidade do sono esteja ruim. Evite equipamentos eletrônicos uma hora antes de dormir, a luz azul interfere na qualidade do sono.
» Socialize: existe uma extensa literatura médica comprovando que relações interpessoais têm grande influência sobre a saúde e a felicidade do paciente. Ou seja, mantenha por perto as pessoas de quem você gosta. Converse, mesmo que seja por videochamadas ou redes sociais.
» Pratique exercícios: é comprovado que exercícios físicos podem prevenir uma infinidade de doenças e até reverter casos de diabetes tipo 2, hipertensão e depressão. O ideal é fazer semanalmente 150 minutos de intensidade moderada. Mas qualquer atividade já pode trazer benefícios, como aumentar o número de passos por dia e subir escada.
 
 

 
Copo cheio ou copo vazio? 


A má alimentação, desregrada, tem como consequência problemas graves de saúde. Não é seguro se enganar e sempre adiar a decisão de colocar no prato o que é saudável, nutritivo e também saboroso.

Adauto Versiani, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG), enfatiza que a incidência de obesidade na população brasileira é em torno de 20%, e de sobrepeso, 55%.

Com a quarentena, geraram-se na sociedade picos de ansiedade promovidos pela incerteza política, econômica e pelos riscos à saúde pela COVID-19.

“Assim, criou-se um quadro de estresse e ansiedade que, geralmente, é descontado na comida, com maior ingestão de alimentos gordurosos, pré-fabricados, condimentados, além dos doces, podendo contribuir para o maior ganho de peso e agravando a situação”, afirma Versiani.
 
 
(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
 
 
"Criou-se um quadro de estresse e ansiedade que, geralmente, é descontado na comida, com maior ingestão de alimentos gordurosos, pré-fabricados, condimentados, além dos doces, podendo contribuir para o maior ganho de peso e agravando a situação”

Adauto Versiani, endocrinologista, presidente da SBEM-MG 
 
 
 
Adauto Versiani alerta que, com o vírus sem tratamento medicamentoso e nenhuma vacina, para contrair a infecção depende muito do estado de imunidade, da letalidade do vírus e da carga viral.

Mas podemos melhorar a imunidade tendo uma alimentação saudável, variada, colorida, mais rica em verduras, legumes, frutas, tomar mais água, menos bebida alcoólica. Além disso, evitar o cigarro, tomar sol, dormir e acordar cedo, praticar atividade física regular, criar uma rotina de horários alimentares, evitando os conhecidos petiscos.

"Tudo isso combate a ansiedade e, consequentemente, não vai gerar alto nível de cortisol, não dará excesso de fome ou vontade de comer doces. Acabando esta pandemia, a pessoa sairá de casa em forma, com uns quilinhos a menos, tendo mais disposição para encarar a vida pós-pandemia.”

O endocrinologista enfatiza que um dos piores fatores de risco para o agravamento da COVID-19 é o excesso de peso, já que o tecido adiposo libera uma série de citocinas que criam um ambiente de inflamação crônica. Então, manter o peso saudável é uma forma de prevenção do novo coronavírus.

Adauto Versiani explica que o estresse e a ansiedade aumentam a produção do hormônio cortisol, que, em excesso, estimula o aumento do apetite. “Tem duas maneiras de ver os problemas na vida: ou é um copo meio cheio ou um copo meio vazio."

Segundo ele, a pessoa pode ver a pandemia como um sinal de que, ao ter de fazer confinamento, vai gerar ansiedade que ela descontará na comida, como forma de fuga e de aliviar o estresse. Isso vai desenvolver obesidade, sendo que seu excesso pode levar a outras doenças, como diabetes, hipertensão, colesterol alto, problemas articulares e/ou problemas respiratórios. E quando acabar a pandemia, a pessoa terá que procurar tratamento médico.

E a outra maneira de lidar com o problema, destaca o médico, é a pessoa deixar de lado as comidas calóricas (doces, fast-food, salgadinhos, industrializados...) para investir em uma alimentação saudável, com pouco óleo, muita verdura, tendo horários regulares (café da manhã, almoço, jantar). Se nos intervalos tiver fome, coma uma fruta ou uma barra de cereal.

Adauto Versiani alerta ainda sobre os doces. Ela diz que a ansiedade faz cair o nível de serotonina, que é considerado o hormônio do prazer. E uma forma de o organismo restabelecê-lo é consumindo doces e carboidratos refinados. Entretanto, excesso de caloria pode provocar sobrepeso. O chocolate ao leite tem muito mais caloria e açúcar do que o chocolate 70%. Ou seja, faça escolhas responsáveis para o seu bem.





GATILHOS

A compulsão pode ser gerada por vários gatilhos: restrições ou dietas muito rígidas, obsessão com a própria imagem, fatores genéticos ou dificuldades emocionais como depressão ou ansiedade, o que durante a pandemia do novo coronavírus se torna uma ameaça bem real e presente. Aryane Emerick, nutricionista-chefe da n2b, aplicativo que oferece monitoramento nutricional, afirma que a compulsão é necessariamente uma necessidade psicológica, que faz com que a pessoa busque escapes para as emoções que está sentindo. Ela enfatiza que compulsão não é um episódio de gula, por isso é importante dar atenção ao que causa esse gatilho, identificá-lo e buscar ações que ajudam no controle.



Alimentos que minimizam os efeitos da compulsão alimentar

(foto: Wilson Jr. Rosalin/Freeimages)
(foto: Wilson Jr. Rosalin/Freeimages)

1 – Manter-se bem hidratado é essencial; mínimo de dois litros de água por dia


(foto: Shirley Hirst/Pixabay)
(foto: Shirley Hirst/Pixabay)

2 – Chás auxiliam a relaxar e modulam alguns sintomas durante o dia: camomila, erva-cidreira, folhas de maracujá; durante a noite, ajudam no sono: mulungu ou camomila


(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

3 – Alimentos fontes de magnésio, como vegetais verde-escuros (espinafre, couve, brócolis) e semente de abóbora


(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

4 – Alimentos fontes de ômega 3 (sardinha, atum, salmão, chia, linhaça) e frutas, legumes e verduras ricos em antioxidantes, com ação anti-inflamatória, é melhor nesses casos


(foto: Reprodução da internet)
(foto: Reprodução da internet)

5 – Alimentos que mastigue mais, porque ajudam na ansiedade: pipoca, semente de abóbora ou girassol, chips de frutas


(foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)
(foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)

6 – Nas refeições, não se esqueça de caprichar nas fibras: alimentos integrais, verduras e legumes para ter saciedade ao longo do dia


Fonte: Aryane Emerick, nutricionista-chefe da n2b 



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