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Estado de Minas COVID-19

É mais que estética

É fundamental tratar a obesidade e adotar uma mudança na alimentação. Especialistas explicam como o excesso de peso pode se tornar fator de risco maior frente ao coronavírus


postado em 10/05/2020 04:00 / atualizado em 11/05/2020 16:48

Pessoas com IMC acima de 40kg/m² estão mais vulneráveis a complicações de gripes comuns e têm a imunidade mais baixa(foto: Pixabay)
Pessoas com IMC acima de 40kg/m² estão mais vulneráveis a complicações de gripes comuns e têm a imunidade mais baixa (foto: Pixabay)

 

Um estudo realizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Auditoria em Terapia Intensiva apontou que sete em cada 10 pacientes internados na UTI do Reino Unido com o vírus da COVID-19 sofrem de obesidade ou sobrepeso. Outro artigo, este feito pelo Instituto Lille Pasteur, indica que pessoas com maior índice de massa corporal (IMC) estão propensas a desenvolver a doença de forma mais grave. Sendo assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), além de idosos e pessoas com doenças crônicas, os obesos foram integrados à lista de grupos de risco.

 

O gastroenterologista Mauro Jácome explica que o fato de a obesidade ser considerada fator de risco não significa que pessoas acima do peso estejam mais suscetíveis a se contaminar, mas que, em caso de contágio, o desenvolvimento da doença pode resultar em quadros de maior gravidade.

 

“Inúmeros brasileiros são considerados obesos e esse número é ainda maior quando falamos de sobrepeso. Aqueles que estão com IMC – Índice de Massa Corporal acima de 40kg/m² estão mais vulneráveis a complicações de gripes comuns e têm a imunidade mais baixa. Além disso, existe o risco de o obeso ter outras doenças crônicas e nem saber, levando a vida como se estivesse tudo bem. Isso prejudica o tratamento de futuras patologias”, diz.

 

Jácome ressalta que o sistema imunológico do obeso, por ser debilitado, interfere de forma direta no aparecimento e agravamento de qualquer tipo de doença e, por isso, em meio à pandemia, essa condição se torna crítica. “O organismo de um indivíduo acima do peso tem uma reação inflamatória em nível muito superior do que a de uma pessoa com peso normal, ficando mais suscetível a doenças. A substância produzida pela gordura corporal prejudica o trabalho das células de defesa, assim, elas têm dificuldade em eliminar corpos estranhos, como bactérias e vírus.”

 

Além disso, segundo a nutróloga e especialista em clínica médica Fernanda Chierici, é comum o aporte excessivo de determinados nutrientes em detrimento de outros, que são ingeridos de forma deficitária, comprometendo a produção adequada de proteínas de defesa por suas células.

 

A nutricionista destaca que sendo o novo coronavírus um micro-organismo capaz de afetar o sistema respiratório, as deficiências desse grupo quanto às vias áreas e pulmonares podem se tornar agravantes. “A menor capacidade ventilatória pulmonar relacionada ao excesso de peso corporal, que determina aumento da pressão abdominal, com redução dos movimentos respiratórios, dificulta o manejo clínico desses pacientes, caso se contaminem e necessitem de suporte ventilatório, como intubação ou ventilação mecânica, nas formas mais graves da doença.”

 

CUIDADOS

 

Para Jácome, a obesidade deve ser vista e tratada como doença. “O sobrepeso pode trazer inúmeros outros males para a saúde do obeso ao longo da vida. Portanto, não é pela estética. Pelo contrário, é algo grave e que precisa ser tratado antes que outros problemas mais sérios e crônicos se instalem.”

 

Lucas Penchel, clínico geral, CEO da Clínica Penchel e estudante de nutrição, pontua que a obesidade pode ter origem em diversos fatores. Dessa forma, para diminuir os riscos de futuras doenças e tratar a patologia em si, ele afirma ser necessário promover uma adaptação da rotina e manter a cautela.

 

“A obesidade tem relação com o sono ruim, estresse, sedentarismo, metabolismo lento, alteração hormonal, predisposição e uso de medicamentos, como antialérgicos, corticoide e alguns antidepressivos. No entanto, o que mais impacta no ganho de peso é a dieta. Dessa forma, é possível diminuir a condição de sobrepeso, principalmente com uma alimentação regulada.”

 

Para o gastroenterologista Mauro Jácome, mesmo em isolamento social, atitudes podem ser mudadas e repensadas, a fim de promover uma melhora na saúde do corpo dessas pessoas. “É importante equilibrar a alimentação e dar preferência para alimentos mais saudáveis, como verduras, legumes, alimentos integrais, carnes magras e frutas. Lembrando que quanto mais cor melhor. Uma outra dica é comer primeiro um prato de verduras e legumes antes do prato principal. As folhas dão saciedade. Assim, a chance de exagerar na refeição diminui.”

 

A nutricionista Fernanda Chierici enfatiza que, além de ajudar na redução do sobrepeso, a alimentação pode ser uma forte aliada no combate à COVID-19. “Depois da prevenção de contágio, esta deve ser a nossa maior arma contra o vírus. De forma prática, é importante evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, pois são pobres em vitaminas e proteínas, e ricos em carboidratos de rápida absorção, que contribuem para picos glicêmicos, em vez da manutenção de níveis adequados de glicemia na corrente sanguínea.”

 

Além de incluir bons alimentos na rotina, Fernanda indica a prática de atividades físicas para redução de gordura corporal. “Quanto à imunidade, a exposição diária de, ao menos, 15 minutos ao sol é essencial para garantir a produção de vitamina D, que desenvolve papel fundamental na criação de anticorpos.”

 

Jácome ressalta que mesmo com uma certa demora para que os resultados apareçam, como a diminuição no peso total, benefícios da mudança de hábitos, a fim de melhorar essa condição, podem ser notados em outros aspectos.

“Por mais que pareça difícil perder peso para uma pessoa que está com o IMC alto, os benefícios são sentidos já de início. Quando o paciente obeso começa a perder peso, cerca de 5% a 10% do que ele tem, já é possível ver melhoras significativas das inflamações causadas pela comorbidade. Isso é um estímulo para que a mudança nos hábitos alimentares continue e, também, para que a inserção de práticas esportivas seja feita no dia a dia, a fim de chegar a um peso ideal.”

 

*Estagiária sob supervisão da editora Teresa Caram

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