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Estado de Minas COMPORTAMENTO

A ameaça do COVID-19 desperta a crença de cada um como abrigo de paz

Pessoas de diferentes crenças revelam como se conectam com a fé que as faz lidar de maneira mais serena com a pandemia do coronavírus


postado em 19/04/2020 04:00 / atualizado em 22/04/2020 13:20

Maria Flávia Máximo, presidente da ADCE-MG, diz que a espiritualidade ajuda a partir do momento em que nos reconhecemos como seres humanos e cristãos(foto: Arquivo Pessoal)
Maria Flávia Máximo, presidente da ADCE-MG, diz que a espiritualidade ajuda a partir do momento em que nos reconhecemos como seres humanos e cristãos (foto: Arquivo Pessoal)


Espiritualidade como alento para preencher seja um vazio pessoal ou para dar sentido à vida. Com muitas maneiras de seguir Deus, cada um tem o livre-arbítrio de decidir no que crer. Maria Flávia Máximo, de 41 anos, presidente da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa de Minas Gerais (ADCE-MG), advogada, professora de ética profissional, destaca que ao escolher seguir em frente com espiritualidade, a percepção da bênção se faz presente porque ela traz consigo a fé.

Diante da ameaça, de uma “vida diminuta”, um vírus, um “veneno” na etimologia da palavra, a insegurança nos assola. “Sentimos o quão somos frágeis e vulneráveis, aprendemos que ter controle sobre a vida é uma prepotente ilusão. A espiritualidade ajuda a partir do momento em que nos reconhecemos como seres humanos e cristãos, Cristo nosso Deus. Nosso Salvador. Um Deus de amor incondicional, onipresente, paciente, bondoso, justo, misericordioso”, ressalta.

Para Maria Flávia, o mundo vive algo nunca antes imaginado na sociedade moderna e, sem dúvida, a espiritualidade traz paz. Ora, mas se Deus é o Todo-Poderoso, por que “condenar” a humanidade a tal sofrimento? Segundo ela, é justamente nessas horas que ocorre o verdadeiro milagre, no momento em que Deus se manifesta, ainda que nos encontremos ameaçados por uma 'vida diminuta'.

Vivíamos tempos em que a correria das horas, a preocupação com o dinheiro levavam a humanidade por um caminho controverso, no qual o ser humano se mostrava cada vez mais egoísta. “Não tínhamos 'tempo' de nos perceber como família, como sociedade e como seres conectados e interdependentes. Buscávamos incessantemente a felicidade sem perceber que jamais a alcançaríamos sozinhos. Sim, a nossa felicidade está no outro, ela depende da felicidade do outro. Ninguém é feliz sozinho, já dizia uma antiga lição.”

E para Maria Flávia, Deus está no outro: “De certa forma, esse sentimento só se alcança por meio da espiritualidade. Ao depararmos com a nossa finitude, aprendemos a ser humildes e a estender a mão”. E se vínhamos sem tempo para olhar para o outro, olhar ao nosso redor, é no isolamento, no distanciamento social, com a nossa espiritualidade que nos percebemos forçados a compreender a importância do outro em nossas vidas. Afinal, de acordo com a professora e advogada, a vida é boa mesmo quando compartilhada. “E no epílogo dessa jornada, a espiritualidade nos conforta na esperança de que sairemos todos juntos dessa, melhores como sociedade, mais conscientes do nosso pertencimento à natureza e com certeza, como seres mais humanos.”

MISERICÓRDIA 

Sandro Brandão, procurador do Estado, acredita que é preciso não só cuidar do corpo, mas do espírito. Para ele, é importante que todos busquem sempre o equilíbrio e a harmonia neste momento, sem esquecer da fé e da esperança de dias melhores. “Dois elementos regem o universo: o espiritual e o material. A pandemia que hoje vivemos tem suas causas explicadas pela ação desses dois princípios. Sobre o espiritual, há claro desígnio de Deus por detrás de tudo isso, uma situação nova cuja resistência é proporcional aos seus resultados. Mas nesse planeta de expiação, de vez em quando, esquecemos que estamos aqui de passagem e que a caridade, resumida no amor ao próximo, é a nossa maior missão.”

Para Sandro, a fé na espiritualidade nos preenche, já que quem crê tem firme esperança de que ao final dessa tortuosa caminhada estará o consolo. Ela se apoia na inteligência e na compreensão dos obstáculos e, por isso é branda e não vacila. Ela nos ensina a paciência e a tolerância diante das vicissitudes da vida, nos municiando da perseverança e a energia para enfrentá-las. “Deus é misericordioso e sua sabedoria é infinita. Confiem em suas ações sabendo por que confiais nelas.”
 
 
 Para o procurador do Estado Sandro Brandão, é importante que todos busquem sempre o equilíbrio e a harmonia neste momento, sem se esquecer da fé e da esperança de dias melhores(foto: Natália Coutinho/Divulgação)
Para o procurador do Estado Sandro Brandão, é importante que todos busquem sempre o equilíbrio e a harmonia neste momento, sem se esquecer da fé e da esperança de dias melhores (foto: Natália Coutinho/Divulgação)
 
SOLIDÃO É RIQUEZA 

Para a irmã Maria Letícia da Silva, OSB, madre abadessa do Monastério Nossa Senhora das Graças, é preciso assumir esse tempo de dor com maturidade, confiança e buscando ser pessoas melhores e mais agradáveis a Deus. “Esse tempo não foi programado por ninguém de nós. É um tempo para ser assumido. Essa assunção não nos permite murmurações, reclamações e pessimismos. Assumir significa receber a quarentena como uma oportunidade de crescer espiritual, humana, relacional e profissionalmente”, afirma.

Para a religiosa, a solidão pode ser um mal para quem não sabe dela tirar proveito, conduzindo-nos a 'perder tempo' com uma vida desregrada e sem compromissos, levando-nos a querer nos manter sempre 'antenados' nas notícias catastróficas, fazendo-nos sentir em uma 'areia movediça' em que nada podemos fazer  a não ser esperar que atolemos sempre mais. “Não podemos nos permitir viver esse tempo desta forma, pois a solidão é uma grande riqueza.”

Irmã Maria Letícia diz que a solidão é um dom a ser recebido com gratidão e pode trazer o bem-estar. “Esse tempo de 'isolamento' é salutar para a vida humana, busquemos viver o equilíbrio em nossa vida.” Ela conta que a tradição monástica, com experiência de mais de 15 séculos, nos ensina o valor existente no equilíbrio do tempo, da vida, dos sentimentos, da oração, do trabalho, do estudo, enfim, da unidade humana. Não se pode encontrar equilíbrio em uma vida incapaz de voltar-se a si mesma. “É a solidão que nos permite nos conhecer, nos relacionar conosco mesmos. À medida que me conheço, cresço também espiritualmente.”
 

 
 


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