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Estado de Minas MEDICINA DO FUTURO

Medicina de precisão

Avanço em todas as áreas da saúde, modalidade permite antecipar resultados do tratamento, prever resposta a medicamentos e orientar na prevenção de doenças


postado em 25/11/2019 04:00 / atualizado em 25/11/2019 15:22

Joaquim Carlos Barcelos Martins, coordenador da Clínica Ginecológica do Hospital Felício Rocho, afirma que, apesar de pouco conhecida, a medicina de precisão é feita de maneira corriqueira no tratamento da neoplasia de mama e em breve será rotina no tratamento do câncer de endométrio(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Joaquim Carlos Barcelos Martins, coordenador da Clínica Ginecológica do Hospital Felício Rocho, afirma que, apesar de pouco conhecida, a medicina de precisão é feita de maneira corriqueira no tratamento da neoplasia de mama e em breve será rotina no tratamento do câncer de endométrio (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


O avanço da tecnologia em todas as áreas da vida do homem do século 21 é inevitável. Claro, ele está presente na medicina. Procedimentos mais eficientes, técnicas minimamente invasivas, redução de riscos e potencialização de resultados de forma mais segura são ganhos inquestionáveis. Em relação à saúde da mulher, a presença de ferramentas de última geração e da inteligência artificial (IA) é uma realidade. “Um grande e inegável avanço em todas as áreas médicas é a chamada medicina de precisão – a associação dos dados clínicos do paciente com o seu perfil genético. Essa modalidade permite antecipar resultados do tratamento, prever resposta a medicamentos, orientar na prevenção da manifestação das doenças antes que ocorram e também reduzir custos. Apesar de pouco conhecida, é feita de maneira corriqueira no tratamento da neoplasia de mama e em breve será rotina no tratamento do câncer de endométrio”, destaca Joaquim Carlos Barcelos Martins, médico ginecologista e coordenador da Clínica Ginecológica do Hospital Felício Rocho.
 
O especialista destaca que, na área da radiologia, a IA já é presente e comprovadamente acertada, sustentada pelo grande número de informações armazenadas e que não são esquecidas. “Outro tratamento revolucionário será a cirurgia robótica, em que o cirurgião opera por meio de um robô com movimentos precisos, imagem 3D, com eliminação de tremor e com consulta de dados frente a situações inesperadas e em tempo real. Idealizado em tempos de guerra, pode ser operado a distância por outro cirurgião, em outro continente, por exemplo.”
 
A cirurgia endoscópica de coluna é menos invasiva que a cirurgia tradicional(foto: Hellen Casadonte/Divulgação)
A cirurgia endoscópica de coluna é menos invasiva que a cirurgia tradicional (foto: Hellen Casadonte/Divulgação)
 
 
Pensando na saúde da mulher, cirurgias como a videolaparoscopia e a histeroscopia são avanços com ganhos tanto para o paciente quanto para o médico: “São cirurgias minimamente invasivas, porém com menores incisões, melhor recuperação e menos morbidade. Os avanços tecnológicos incorporados aos sistemas de visualização melhoram a dissecção e identificação de estruturas talvez não percebidas a olho nu”.

eletrocirurgia A radiofrequência tem sido exaltada como grande avanço no tratamento das mulheres. “Consiste no uso de um aparelho de eletrocirurgia e que produz uma corrente de frequência semelhante à da rádio FM e que provoca microlesões na parede vaginal que induzirão a um novo tecido com propriedades elásticas mais satisfatórias. Deve ser utilizado naquelas pacientes que não apresentam resposta ao tratamento estrogênico local ou que têm contraindicação ao tratamento hormonal”, esclarece Joaquim Carlos.
 
Ele lembra que “o laser, assim como a cirurgia de radiofrequência, tem sido usado no tratamento da atrofia urogenital e da cirurgia íntima – redução de pequenos lábios. Apesar de supostos benefícios, há necessidade de estudos para avaliação de resultados e segurança. O tratamento não é duradouro e faz-se necessária nova aplicação após 12 meses, aproximadamente, no caso da atrofia urogenital”.
Quanto à incontinência urinária, sofrimento para muitos pacientes, fala-se muito na IntimaLase: “O mecanismo é por meio da destruição da ‘pele’ vaginal antiga, forçando o surgimento de um novo epitélio, com propriedades de elasticidade e de resposta aos hormônios”, explica Joaquim Carlos, que fala sobre o clareamento íntimo, tratamento que tem despertado curiosidade de vários pacientes: “Destrói o epitélio antigo, cuja pigmentação destoa da pele ao redor que dará lugar ao surgimento de um novo tecido de coloração não escurecida e mais clara”.
 
Tantos avanços ainda não garantiram maior acesso. Para Joaquim Carlos, a IA ainda não chegou à população assistida pelo SUS. “Quando se avalia do ponto de vista econômico, e a longo prazo, talvez seja o melhor local para implementação. No caso do tratamento do câncer, haverá uma economia gigantesca de recursos e de melhoria de resultados, pois terá uma precisão quanto ao diagnóstico e uso de drogas adequadas, rastreamento da doença e diagnóstico precoce.”

NA CHINA A presença da tecnologia aplicada à medicina facilita a tomada de decisão dos médicos. Mas há 100% de confiabilidade? “O médico tem uma capacidade limitada de armazenar dados e informações. A IA será uma grande aliada para construção do diagnóstico, já que apresentará um gigantesco banco de dados, facilitando o diagnóstico clínico e, principalmente, na avaliação de imagens, além de ser extrema a utilidade em regiões isoladas. Na China, um robô dotado de inteligência artificial já atende pacientes baseado em diagnósticos e receitas de outros médicos. Em uma competição – também na China – de diagnóstico de tumor cerebral por imagem, o robô foi preciso em 87% dos casos, quando os médicos acertaram em 67%. Outro exemplo é de um programa para diagnosticar a infecção generalizada (sépsis), criado em São Paulo e em uso em várias instituições. O programa monitora sinais e emite alarme caso os sinais clínicos piorem. A redução da mortalidade é de 75%. Entretanto, a inteligência artificial nunca substituirá os profissionais, mas funcionará de maneira semelhante ao uso que um motorista faz do GPS – a integração de dados e tomada de decisões sempre será do médico.”

ORTOPEDIA Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as cirurgias ortopédicas tiveram grande avanço durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e na Itália, para tratar os soldados que estavam nos fronts. Atualmente, 90% das novas técnicas e avanços em cirurgia ortopédica vêm dos EUA. A tecnologia na prática ortopédica só evolui e as videocirurgias podem ser executadas de forma mais ágil, permitindo ao mesmo tempo uma maior precisão na execução do procedimento diante de uma realidade aumentada.
 
A aliança entre tecnologia e ortopedia tem sido fundamental para a melhorar muitos aspectos da ortopedia, principalmente a locomoção com a evolução das próteses. O médico ortopedista Daniel Oliveira, especialista em coluna e em técnicas cirúrgicas menos invasivas, destaca alguns aspectos técnicos avançados, como a utilização de microcâmera para uma visão precisa da situação interna do corpo, do local exato em que há alguma anomalia para que seja feita a intervenção cirúrgica. “É uma cirurgia que tem corte de 1cm e demanda apenas 1 ponto após o término. O paciente já sai andando e tem rotina normal. Isso é uma evolução e tanto quando falamos de uma cirurgia de coluna vertebral, que seria muito mais agressiva.”
 
Daniel Oliveira destaca o equipamento O-arm O2 Imaging System, um sistema de tomografia móvel projetado para imagens 3D em 2D: “O médico tem informações mais precisas a partir da imagem com dimensões reais, como anatomia óssea para colocar próteses no lugar dos discos intravertebrais, pinos ou como auxílio em outros procedimentos ortopédicos.” 
 
Outro procedimento que evolui e está menos invasivo que a cirurgia tradicional de coluna é a cirurgia endoscópica de coluna. A utilização do endoscópio permite a realização de descompressões com menor agressão tecidual e com a mesma eficiência das técnicas tradicionais. 


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