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Estado de Minas MEDICINA DO FUTURO

Algoritmos sob demanda

Base tecnológica aliada à inteligência artificial permite considerar a individualidade da saúde de cada paciente com mais assertividade ao esclarecer quem tratar, quando e como tratar


postado em 25/11/2019 04:00 / atualizado em 25/11/2019 15:11

O cirurgião gastroenterologista Mauro Jácome orienta a paciente Hilda Sueli sobre a cápsula endoscópica(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
O cirurgião gastroenterologista Mauro Jácome orienta a paciente Hilda Sueli sobre a cápsula endoscópica (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


A tecnologia se desenvolve em ritmo acelerado e cada vez mais alcança diferentes aspectos da experiência humana. Em relação à qualidade de vida e ao bem-estar, a inteligência artificial aparece como recurso fundamental para a gestão de saúde. "Ela se apresenta na correlação de dados (big data), personalização dos exames, análise preditiva e diagnósticos mais precisos e ágeis. Auxilia na tomada de decisão do corpo clínico sobre o diagnóstico de doenças e na condução de tratamentos individualizados", elucida Armando Fonseca, diretor médico-científico de Medicina Personalizada do Grupo Pardini.
 
O especialista explica que um dos grandes diferenciais e avanços da medicina diagnóstica é a base tecnológica aliada à inteligência. A inteligência artificial, portanto, considera a individualidade da saúde de cada paciente, com alto grau de personalização, esclarecendo quem tratar, quando tratar e como tratar.
 
A partir de um grande volume de dados disponível para análise, as máquinas podem identificar padrões, sugerir doenças em potencial, auxiliar diagnósticos e indicar tratamentos. A avaliação e cruzamento das informações são feitas, originalmente, por um ser humano que treina um robô. "Se for treinado errado, dará resultados errados. É um processo passível de erro humano, como em qualquer outro, no entanto tem a inteligência de ir se aprimorando, o que chamamos machine learning."
Os algoritmos são desenvolvidos sob demanda, geralmente em doenças de grande escala, e são integrados aos equipamentos médicos. As máquinas automatizam atividades rotineiras, deixando para os médicos a filtragem final, enfatizando aquilo que deve ser tratado com maior atenção.
 
Armando Fonseca, do Grupo Pardini, explica que as novas soluções digitais permitem o uso de tecnologias cada vez menos invasivas(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Armando Fonseca, do Grupo Pardini, explica que as novas soluções digitais permitem o uso de tecnologias cada vez menos invasivas (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
 

SENSORES Na área da endoscopia digestiva, por exemplo, os equipamentos com inteligência artificial são capazes de detectar pequenas lesões do aparelho digestório através de sensores, que são ligados a um "cérebro artificial" do processador de imagens. É o que explica o médico Mauro Jácome, cirurgião gastroenterologista da Cronos Medicina Diagnóstica. "Esses sensores visualizam as lesões e comparam em milésimos de segundos com um banco de imagens armazenado em seu interior", afirma.
A IA aplicada à medicina diagnóstica abriu novas perspectivas no segmento. "Mudou muito porque antigamente o olho e o cérebro humano eram os únicos recursos disponíveis para esse diagnóstico. O surgimento da inteligência artificial melhorou os índices de detecção de lesões", acrescenta Mauro. E os exames ficaram mais eficientes. "A máquina consegue acesso instantâneo a esse banco de imagens e apreende lesões que, às vezes, podem passar despercebidas."

CÁPSULA ENDOSCÓPICA Paciente de Mauro Jácome, a professora aposentada Hilda Sueli Ugoline Pereira, de 63 anos, começou a apresentar um quadro de extrema fraqueza e foi diagnosticada com câncer no fim de 2017. Logo foi indicada a cirurgia para a retirada do tumor no intestino delgado. Após o procedimento cirúrgico, foi descartada a necessidade de tratamento com quimioterapia ou radioterapia, mas ela precisou fazer controle. "Teria que fazer novos exames a cada seis meses. Foi aí que médico sugeriu o acompanhamento com a cápsula endoscópica. Fiquei muito mais tranquila. Como terei que fazer um controle periódico, com a cápsula só vou precisar repetir o exame depois de cinco anos.”
 
A cápsula endoscópica consiste em uma microcâmera que tem o tamanho de uma cápsula comum de medicamento. Pode ser engolida e percorre todo o sistema digestório, permitindo que o médico veja se existe alguma anormalidade.

NÍVEL DE GLICOSE Novas técnicas e procedimentos na área da saúde cada vez mais tornam o tratamento de doenças mais eficazes, e muitas vezes em relação a problemas bem corriqueiros. Uma das novidades é um sensor ótico, barato, que mede rapidamente o nível de glicose no organismo, o que poderá ser aplicado no futuro em pessoas diabéticas a partir da análise do sangue ou da urina. A inovação foi concebida por uma equipe de pesquisadores brasileiros liderada por Bruno Manzolli Rodrigues, doutor em química e professor-pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da Universidade Brasil.
 
O sensor foi criado a partir de nanofibras de PVA, um polímero sintético não tóxico, solúvel em água e biodegradável. A partir da fabricação de um material fluorescente que reage ao contato com a glicose, é possível quantificar o nível da substância no corpo. O estudo teve início em 2017 e envolve cientistas de mais duas instituições: o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e a Universidade Federal de Goiás, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
 
O dermatologista Lucas Miranda e a consultora de imagem Geralda Francisca, que trata um melasma com tecnologia avançada de laser não ablativo(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
O dermatologista Lucas Miranda e a consultora de imagem Geralda Francisca, que trata um melasma com tecnologia avançada de laser não ablativo (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
 
 
Terapia particularizada
 
A medicina personalizada é um conceito que visa tratar a saúde do paciente de maneira exclusiva e individualizada, levando em consideração o histórico e as características de cada pessoa. Lucas Miranda, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que, no espectro específico da dermatologia, são inúmeras as tecnologias existentes para auxiliar em uma terapia mais particularizada. "Uma delas é o Reveal Imager, capaz de mostrar diversas características da pele de cada pessoa, desde danos causados pelo sol, manchas marrons, avermelhadas, até condições vasculares", cita o médico.
 
A partir de imagens em alta resolução, o Reveal também possibilita que o profissional examine rugas com mais clareza e faça uma análise topográfica da pele com visualização em três dimensões de pequenas áreas e em diferentes cores, revelando profundidades e depressões. "O aparelho dá condições, inclusive, de simular o processo de envelhecimento em até sete anos, para mostrar aos pacientes como ficará o estado da pele com relação a manchas e rugas", continua Lucas.
Outro tratamento inovador é com o Vectra 3D. O aparelho consegue avaliar o estado atual do paciente, permitindo que o dermatologista estude, de forma precisa, assimetrias, medidas, perda ou queda de volume facial e manchas. "É possível, assim, projetar resultados de uma variedade de procedimentos e cirurgias antes de serem realizados, além de poder comparar o antes e o depois de cada paciente", diz o médico.
 

"Teria que fazer novos exames a cada seis meses. Foi aí que médico sugeriu o acompanhamento com a cápsula endoscópica. Fiquei muito mais tranquila"

Hilda Sueli, professora aposentada diagnosticada com câncer em 2017

 
 
No ramo da estética, surgem a cada dia novos procedimentos. O perigo é padronizar rostos e corpos sem respeitar a individualidade. "É fundamental encontrar um profissional que tenha em mãos todas essas tecnologias e que, principalmente, saiba usá-las de maneira personalizada", pondera.

MELASMA A consultora de imagem e estilo Geralda Francisca de Oliveira, de 42 anos, há algum tempo enfrenta um quadro de melasma na pele. A patologia se agravou durante a gravidez. "Meu rosto ficou todo manchado e comecei a procurar tratamento. Há alguns anos, fiz luz pulsada que, na época, era mais usada para tratar melasma. Percebi uma melhora momentânea, mas, depois de alguns dias, parecia que as manchas pioravam", lembra. Ela buscou outro tratamento, desta vez com ácidos, mas o resultado foi o mesmo. Por indicação do médico Lucas Miranda, agora ela trata o melasma com uma tecnologia avançada de laser não ablativo, um tipo de laser que não agride a camada mais superficial da pele. (JG) 
 
palavra de especialista 
 
ARmando fonseca, diretor médico-científico de Medicina Personalizada do Grupo Pardini
 
Mapeamento genético
 
"A conclusão do mapeamento do genoma humano em 2003 possibilitou enormes avanços na medicina. Com a constatação de que existem doenças causadas por genes e de que medicamentos atuam de forma distinta dependendo da genética de cada pessoa, a relação entre genoma, diagnóstico e tratamento se tornou fundamental. Esses novos processos tornam a medicina mais clara e assertiva, na medida em que propiciam adotar uma conduta individualizada na prevenção ou tratamento de patologias, especificando medicamentos mais adequados ao perfil genético de cada pessoa. Atualmente, com o emprego de novas tecnologias de sequenciamento de genes e de obtenção e extração de amostra de material genético humano de forma segura e simplificada, a ciência avança com rapidez e eficácia na confirmação ou no próprio diagnóstico de enfermidades de origem genética. A tendência é que a cada dia surjam testes mais precisos, mais rápidos e mais baratos, o que aumenta o tamanho e a urgência do desafio.” 


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