Publicidade

Estado de Minas

A arte que transforma

Mais do que preocupação com a sustentabilidade, iniciativas e ações para ensinar pessoas a trabalhar com as mãos resgatam o amor próprio e a solidariedade


postado em 24/11/2019 04:00 / atualizado em 13/12/2019 16:50


O artista plástico Léo Piló defende um olhar mais atento para o próximo (foto: leo lara/divulgação)
O artista plástico Léo Piló defende um olhar mais atento para o próximo (foto: leo lara/divulgação)



“Sensibilidade e consciência todo mundo diz que tem, mas o importante e o que faz mesmo diferença é partir para a ação.” A fala de Léo Piló – artista plástico reconhecido pela trajetória de transformar o que seria descartado no lixo em obras de arte – faz todo o sentido. Principalmente em uma época de preocupação com conceitos como sustentabilidade, com a qualidade de vida no planeta. E, por que não, com o próximo? “Apenas 3% de todo o lixo descartado no Brasil é reciclado. Então, o projeto Presépio Colaborativo, da Casa Fiat, em atividade há cinco anos, mostra como é possível engajar a população em ações que realmente dizem algo e que transformam aquilo que seria descarte em algo novo, com uma outra função”, diz.

Em Lagoa Santa, o estilista Victor Dzenk e as coaches Ana Clemente e Iolanda Miranda assinam o projeto Costurando Sonhos, oficina de capa- citação que ensina mulheres a criar peças utilitárias e vestuário a partir da sobra de retalhos da fábrica de roupas da qual o designer é proprietário. Hoje, já são 30 pessoas, entre alunas e professoras, envolvidas nos encontros, aos sábados. “A nossa ideia ao ensinar um ofício feito em máquina de costura industrial é capacitar essas pessoas não só com o objetivo de gerar renda, mas também empoderar, elevar a autoestima de gente que, muitas vezes, vive em dificuldade. Mostrar a elas novas fronteiras, caminhos, desafios”, registra o criador.

FUTURO 

Outro projeto transformador surgiu da ideia de uma artesã e brigadista voluntária, a crocheteira Janaína Pinheiro, de ajudar a comunidade de mulheres que sobreviveram à tragédia do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho. Em atividade há mais de seis meses, o projeto Confio é lugar de aprendizado, acolhida e até de terapia de grupo. Com apoio de entidades como o Instituto C&A e SAP Brasil, o grupo já levou peças para desfile de moda e pretende chegar ainda mais longe. “Aprendendo, tecendo e conversando, fico mais tranquila. Seria melhor se tivéssemos aulas mais do que as duas vezes por semana, porque a gente se distrai, se une, se fortalece. Queremos melhorias, vender, ter uma renda melhor, mas também que essa arte nunca acabe, que passe para nossos filhos e netos, pra gente deixar um aprendizado para o futuro”, afirma a aluna Maria da Conceição da Silva, de 50 anos, moradora do Córrego desde os 25.

LEIA MAIS sobre iniciativas criativas que transformam vidas NAs PÁGINAs 3 e 4


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade