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Estado de Minas EMBOLIA PULMONAR

Entenda doença que provocou a morte da mulher do ex-jogador Ceará

Cantora gospel morreu após uma cirurgia plástica. Diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento


postado em 25/09/2019 15:50 / atualizado em 30/09/2019 15:23

Cuidados para evitar a embolia pulmonar está relacionada na prevenção da trombose venosa profunda(foto: Reprodução da internet)
Cuidados para evitar a embolia pulmonar está relacionada na prevenção da trombose venosa profunda (foto: Reprodução da internet)
Na última sexta-feira, dia 20, a cantora gospel Fernanda Fé morreu por causa de uma embolia pulmonar. A esposa do ex-jogador Ceará havia feito uma lipoaspiração e, quatro dias depois da cirurgia apresentou complicações. Segundo Carlos Eduardo Jorge, angiologista e cirurgião vascular, o problema seria em decorrência da gordura. “A gordura pode ter caído na circulação por causa da lipo ou formação de trombos, geralmente nas veias das pernas, que se soltam e vão para o pulmão.” 

A embolia acontece quando as artérias dos pulmões são obstruídas. “Embolia pulmonar ou tromboembolismo pulmonar (TEP) é o entupimento da circulação arterial dos pulmões por um ou mais trombos (coágulos). Em geral, o TEP ocorre pela embolização de um coágulo formado nas veias das pernas, o que chamamos de trombose venosa profunda (TVP)”, explica a cardiologista e arritmologista do Hospital Life Center, Gabriela Miana de Mattos Paixão. Ainda de acordo com a médica, os sintomas dependem do tamanho do coágulo, do ramo da artéria do pulmão envolvida, além das condições clínicas cardíacas e pulmonares prévias do paciente.

Dor no peito, principalmente à respiração e falta de ar são os mais frequentes, em torno de 85% dos casos. Febre, tosse com sangue e/ou desmaio também podem ocorrer.  A presença de inchaço em umas das pernas, acompanhada de dor, calor ou vermelhidão pode estar presente nos casos em que temos trombose venosa profunda associada”, alerta.

Existem exames para diagnosticar a doença, porém é necessário ter a suspeita da embolia, pois os testes podem ser invasivos. “Há exames capazes de diagnosticar a patologia, mas é muito importante que quando utilizado o mesmo, deva ser correlacionado com regras de predição clínica (suspeita diagnóstica) para, assim, diminuir a necessidade da utilização de testes de diagnóstico invasivo. Portanto, a cintilografia pulmonar de ventilação/perfusão e a sngiotomografia computadorizada de tórax são dois dos possíveis exames à disposição, úteis para se estabelecer o diagnóstico, sempre se considerando a probabilidade clínica pré-exame
 (alta, moderada ou baixa probabilidade)”, exemplifica Leonardo Meira de Faria, pneumologista do Hospital Felício Rocho. 

 

Outros casos


A aposentada Carmen Lúcia Machado de Oliveira Serrano, de 65 anos. Teve embolia pulmonar nos dois pulmões, a primeira vez durante a gravidez. “Numa gravidez de alto risco, comecei a sentir dor no peito e costas, tossia muito e como eu estava grávida, não podia fazer alguns exames. Após uma semana, os sintomas não melhoraram e ficaram mais intensos, começou a sair sangue pelo nariz e boca."
 
Na segunda vez, em 2011, ela conta que ficou de repouso durante seis meses por causa de uma úlcera. "Após a alta, comecei a sentir dor no peito e costas. A dor aumentou e o cardiologista receitou remédio para depressão. Tomei os medicamentos, mas me sentia mal. Até que senti uma dor muito forte, fui ao hospital. Falei com a médica que estava com embolia pulmonar e ela ficou surpresa. Eu disse que tinha certeza. Ela me encaminhou para o exame e realmente estava com um problema no pulmão. Após novo exame foi confirmado”, lembra. Hoje, a aposentada faz o controle para prevenir mais problemas. “Uso medicamento de uso contínuo, Marevan, e controle do RNI para verificar a dosagem do medicamento”, revela.

Outro caso parecido com o da cantora Fernanda Fé é o da carioca Nilma Pereira. Um mês após realizar abdominoplastias, próteses mamárias e lipoaspiração em 12 de novembro do  ano passado, ela conta que, ao levantar da cama, sentiu uma câimbra muito forte na perna esquerda. "Ao mesmo tempo, observei que minha perna estava muito roxa e inchada, da virilha até a ponta do pé. Após alguns minutos, perdi a sensibilidade da perna, sentia dores muito forte e não consegui mais andar. Os sintomas foram de repente e, felizmente, em questões de algumas horas já estava no centro cirúrgico”, recorda.

Nilma Pereira teve embolia pulmonar no ano passado(foto: Arquivo pessoal)
Nilma Pereira teve embolia pulmonar no ano passado (foto: Arquivo pessoal)
Segundo Nilma, a doença ocorreu em função de alguns hábitos. “O médico disse que foi uma junção de fatores. Cirurgia, anticoncepcional e uso de hormônios para fertilização e a anatomia da veia.” Como Cármem, Nilma também faz o controle com especialista.  “O acompanhamento médico é imprescindível. Uso diariamente meias compressivas 7/8 e anticoagulante (Xarelto)”, finaliza.



Palavra de especialista
Bruno de Lima Naves (vice-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular)

"Tromboses acontecem devido a uma tríade de fatores, que são: imobilização prolongada, alterações de coagulação e trauma. Muito resumidamente, imobilização prolongada pode ser uma viagem demorada ou um repouso após uma grande cirurgia. Porém, fatores que causam a lentidão da circulação também contribuem, como excesso de peso, que dificulta o retorno venoso, e varizes dos membros inferiores, que deixam o retorno do sangue mais lento. Alterações de coagulação podem ser um problema hereditário, que ocorre quando a pessoa nasce com uma tendência maior para fazer trombos (trombofilia). Também podem ser quando ela fuma e usa pílula, quando está muito desidratada ou é portadora de câncer ou de alguma doença inflamatória que pode alterar a coagulação sanguínea. E, dependendo da situação, usar medicação anticoagulante para prevenção em casos bem selecionados."



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