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Congonhas: alunos tranquilos, mas em estado de atenção

Na Escola Estadual Barão de Congonhas, o medo e as dúvidas são constantes entre professores, pais e alunos


postado em 07/04/2019 05:07 / atualizado em 07/04/2019 09:05

No mês de fevereiro, na cidade de Congonhas, região central de Minas Gerais, a prefeitura, por meio da Secretaria de Educação, paralisou temporariamente as atividades de uma creche e remanejou alunos de uma escola municipal, devido à insegurança das famílias em relação à Barragem de Casa de Pedra, localizada próximo da cidade com, cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos, de acordo com a prefeitura. A situação gerou tensão e receio entre moradores.

Na Escola Estadual Barão de Congonhas, o medo e as dúvidas são constantes entre professores, pais e alunos. O diretor da escola, Anivaldo Pedro de Sousa, conta que, a pedido do corpo estudantil, procurou a Defesa Civil da cidade para buscar um posicionamento a fim de sanar questões dos riscos de um possível rompimento. “Estamos trabalhando por confiança. A escola não faz parte da ‘zona quente’ mas, se o rio transbordar, há uma questão de segurança a ser solucionada”, frisa o diretor. A escola atende crianças de 7 a 10 anos, e contempla cerca de 303 alunos, divididos em 12 turmas.

COLETIVIDADE
Apesar de novas, o diretor comenta que as crianças estão tranquilas e sabem dos riscos, por causa do estado de atenção passado pelos familiares. “Eles têm consciência da situação e sentem as preocupações dos pais com o medo de terem que sair de casa”, pontua. Anivaldo Souza destaca que a tensão criou um senso de coletividade por parte da comunidade. “Os pais estão muito preocupados com o psicológico dos filhos. Muitas escolas estão promovendo passeatas e manifestações. Apesar de a Defesa Civil ter dado uma acalmada, estamos abertos para todas os possíveis questionamentos e problemas consequentes”, conclui. * Estagiário sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares

Entrevista: Roneida Gontijo-Psicopedagoga


Acreditar no futuro é fundamental

Acostumada a lidar com medos e traumas no atendimento a crianças e jovens, a profissional discorre sobre o assunto tragédia e aponta caminhos possíveis para evitar o trauma

De que forma tragédias como a de Brumadinho impactam crianças e adolescentes?
Definitivamente, perder a forma de viver de uma hora para a outra é assustador. De repente, ficar sem casa, animais de estimação, parentes, amigos, escola. Lugares em que brincavam, se divertiam, é um trauma muito grande. Partindo desse pressuposto, percebemos vários tipos de sentimentos, como medo, insegurança, tristeza, dor, angústia, saudade, desamparo e impotência, entre outros. O quadro pode fazer com que crianças e adolescentes se tranquem no seu mundo, com medo de tudo e de todos.

É possível auxiliar essas crianças e jovens a seguirem em frente?
Inicialmente, acolher e respeitar o turbilhão de sensações e sentimentos que surgem com a catástrofe é um ponto de partida para o auxílio. É importante ajudá-los a acreditar que tudo aquilo vai passar, e será necessário encontrar meios para acreditar no futuro, e reconstruí-lo.

(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
Em que medida o medo e/ou trauma impactam no desenvolvimento e no equilíbrio mental de crianças e adolescentes?
Os traumas podem desenvolver doenças psiquiátricas (depressão, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumático), cardiovasculares e mortalidade na idade adulta, inclusive o suicídio. E os danos causados por elas podem gerar cicatrizes emocionais na vida adulta, que, se não tratadas, deixarão marcas profundas.

Qual é o papel das escolas nesse sentido? E dos pais?
O acolhimento e a escuta são fundamentais. Responder às perguntas sem mentira, de uma forma adequada para cada faixa etária, é muito importante. Na escola, é muito importante a criação de projetos, no intuito de acolher e trabalhar as habilidades emocionais de forma mais intensa, como o respeito, o amor, a empatia, a solidariedade, a paciência, a resiliência, projeção de futuro, prevenção ao uso de drogas e resgate da autoestima, entre outros. E um trabalho de suporte, acolhimento e orientação à família também deve ser dado. Neste momento, os pais também terão papel fundamental, como o acolhimento, a escuta e o apoio.

De que forma é possível tratar uma situação de estresse causada pelo medo?
O primeiro passo é detectar quais sintomas são apresentados pela criança ou jovem. Algumas podem apresentar insônia, irritabilidade, apatia, tristeza, medo exacerbado, desinteresse em pessoas ou coisas de que antes gostavam muito. Ainda dificuldade de dar e receber afeto, lembranças em flashes da experiência traumática vivida, dificuldade de concentração, comportamentos regressivos e preocupação com morte precoce. Partindo dessa observação, a orientação é buscar profissionais capacitados para acolher e fazer um trabalho psicoterapêutico.

Há exercícios e/ou análises de comportamento que possam identificar o medo e o trauma em uma criança?
Prestar atenção no comportamento das crianças e jovens é de suma importância para identificar o momento e/ou a necessidade de buscar ajuda de especialistas. A partir daí, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e outros profissionais poderão ajudar.


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