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Estado de Minas

Setor sucroalcooleiro lucra com a falta de aúçar no mercado internacional

Falta de açúcar no mercado internacional levou ao aumento de 70% no preço do produto, o que refletiu em bons negócios para os que apostaram nos canaviais


postado em 19/09/2016 06:00 / atualizado em 19/09/2016 08:18

Colheita de cana em Minas Gerais: produtividade e qualidade também estão em alta(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - - 24/6/15)
Colheita de cana em Minas Gerais: produtividade e qualidade também estão em alta (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - - 24/6/15)

Montes Claros – Depois de experimentar uma sequência de vários anos em dificuldades, o setor sucroalcooleiro vive uma reação neste ano, fomentada também pela elevação do preço do açúcar no mercado internacional. “Temos um mercado em recuperação. Plantar cana está sendo um bom negócio”, afirma o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.


O preço do açúcar aumentou neste ano porque houve um déficit do produto no mercado internacional, com a oferta menor do que a procura. Também houve influência da alta do dólar. Com isso, conforme os dados da Siamig, o valor do açúcar sofreu uma elevação da ordem de 70% de um ano para outro. O preço da tonelada do produto, que até o ano passado era vendida pelas usinas a R$ 800, atualmente, está no patamar de R$ 1,4 mil a R$ 1,5 mil.


Minas Gerais conta com 36 usinas de açúcar e álcool em funcionamento, espalhadas por 35 municípios. E há cerca de 121 cidades do estado que contam com plantios de cana. O setor gera cerca de 80 mil empregos em Minas, com um faturamento líquido de R$ 6,3 bilhões anuais.


Segundo Mário Campos, na safra 2016/2017, a colheita de cana deve ficar em cerca de 65 milhões de toneladas (mesma quantidade da safra anterior). A expectativa é de uma produção no estado de cerca de 3,5 milhões de toneladas de açúcar, com um aumento da ordem de 8% em relação ao ano passado. É esperada ainda uma produção em Minas de 2,9 bilhões de litros de etanol, que deve sofrer uma pequena queda (de 1% a 2%) em relação à safra 2015/2016.


“Hoje, plantar cana virou um excelente negócio. O cenário é bom para o produtor. Mas, devemos lembrar que o plantio sempre deve ser feito em torno de uma unidade industrial”, afirma o presidente da Siamig. Por outro lado, ele lembra que a cana virou opção a mais para o produtor, que também pode diversificar sua atividade e se dedicar a outras culturas, como milho e soja.


Os bons ventos nos canaviais são verificados em Campo Florido, que integra uma grande região produtora do Triângulo Mineiro, composta ainda pelos municípios de Iturama, Carneirinho, Frutal, Comendador Gomes, Prata, Pirajuba e Limeira do Oeste. “Estamos na expectativa de que neste ano teremos uma boa safra, com o aumento da produtividade e da qualidade. Somando isso com as expectativas de melhoria de mercado, os produtores estão animados, com a esperança de que vamos recuperar os prejuízos dos últimos anos”, afirma o engenheiro-agrônomo Rodrigo Piau, coordenador Agrícola da Associação dos Produtores de Cana de Campo Florido (Canacampo).


A associação de Campo Florico engloba 56 produtores, que cultivam uma área total de 57 mil hectares de cana. O plantio e a colheita da cana são mecanizados. Mesmo assim, a atividade gera cerca de 2 mil empregos na região de abrangência da Canacampo. A matéria-prima é fornecida para o Grupo Cururipe, que conta com quatro usinas no Triângulo.


Conforme Rodrigo Piau, na safra 2015/2016, a produtividade média na região foi de 86 toneladas por hectare. Agora, os produtores esperam uma produtividade de, no mínimo, 90 toneladas por hectare. Mas, o que mais entusiasma os plantadores de cana do Triângulo é a melhoria do preço do produto. “No ano passado, a cana foi vendida a R$ 69 por tonelada, em média. A expectativa agora é que o preço alcance R$ 90 por tonelada”, assegura o agrônomo.

QUALIDADE Piau destaca que, para alcançar uma remuneração mais satisfatória, os produtores da região também estão na expectativa de conseguir uma melhor qualidade da cana – definida pelo ATR (Açucar Total Recuperado), medido quando o produto é entregue na usina. O ATR aponta os percentuais de açúcar e sacarose da cana, o que influencia diretamente no preço pago ao produtor.


Quanto mais alto o ATR, melhor a remuneração. Na safra 2015/2016, a média do ATR da cana da associação de Campo Florido foi de 131 quilos e, agora, os produtores esperam que o valor médio aumente para pelo menos 136 quilos, informa Rodrigo Piau, lembrando que 70% da produção dos canaviais da região já foi para a moagem nas usinas.


O agricultor Nelson Krastel, de Campo Florido, é um dos plantadores de cana-de-açúcar do Triangulo que têm a expectativa de mais lucros e de recupeção dos prejuízos de safras passadas neste ano. Ele conta com 4 mil hectares em produção e na safra 2016/2017 espera a colheita de 320 mil toneladas, média de 80 toneladas por hectare.


O produtor, no entanto, gostaria de alcançar uma produtividade maior. “Mas, como os preços das safras passadas foram ruins, não tivemos recursos suficientes para bancar os investimentos necessários para a recuperação e manutenção adequada dos canaviais”, afirma Krastel. “Esperamos que a perda na produtividade possa ser recompensada com melhor preço e a melhor qualidade da cana deste ano”, completa o agricultor.


Esperança retorna ao setor

O setor sucroalcooleiro experimenta um momento de alívio, após enfrentar situações críticas nos últimos seis anos. No período, foram fechadas 80 usinas de açúcar e álcool no país, das quais seis em terras mineiras, conforme dados da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig).

A crise enfrentada pelo segmento é atribuída ao fato de o preço dos combustíveis ter permanecido estabilizado, enquanto os custos de operação das usinas aumentaram, asfixiando as empresas. “O governo manteve o preço da gasolina estabilizado na bomba durante seis anos. Com isso, nesse período, o valor do etanol também não aumentou, já que acompanha o preço da gasolina. Só que os custos das usinas aumentaram”, afirma o presidente da Siamig, Mário Campos, lembrando que o etanol está sendo vendido hoje por cerca de R$ 1,60 o litro pelas usinas. Até o ano passado, custava R$ 1,20.

Campos observa que, por conta da crise que atravessaram, várias usinas entraram em recuperação judicial. Um dos obstáculos enfrentados é a taxa de juros, na faixa de 14% ao ano. Ainda segundo o dirigente da Siamig, descapitalizadas, as empresas deixaram de investir na melhoria do processo de produção da cana de açúcar. Por isso, hoje existe uma grande oscilação na produtividade. “Em alguns locais, a produtividade média é de 100 toneladas por hectare. Em outros, desce até 50 toneladas por hectare”.

Campos ressalta que, atualmente, o segmento experimenta uma reação por conta do aumento da melhoria da remuneração do açúcar e de mudanças na legislação tributária que influenciaram no aumento do consumo do etanol. Uma das medidas positivas foi a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em Minas Gerais de 19% para 14%.

O presidente da Siamig conta que o estado é um dos grandes produtores de etanol do país. No entanto, o consumo do combustível produzido com a cana-de-açúcar não era tão expressivo e parte da produção mineira tinha que ser enviada para outros estados. “Agora, depois da redução da alíquota do ICMS, Minas Gerais, que tem a segunda maior frota nacional de veículos, também virou o segundo maior consumidor de etanol do país. Todo o álcool produzido em Minas é vendido no próprio estado”, diz Mário Campos.

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