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Estado de Minas

Governo veta leite importado

Restrição recente na área da Sudene para reidratação não atende os pecuaristas, que querem liberar produto concorrente só em períodos de seca intensa. Setor pede estímulos


postado em 31/10/2016 06:00 / atualizado em 31/10/2016 08:33

Ministério da Agricultura não soube informar como vai fiscalizar o processo com uso apenas da bebida nacional, preocupação a mais(foto: Solon Queiroz/Esp. EM/D.A Press)
Ministério da Agricultura não soube informar como vai fiscalizar o processo com uso apenas da bebida nacional, preocupação a mais (foto: Solon Queiroz/Esp. EM/D.A Press)

Apontado recentemente como um dos vilões da inflação, o leite nosso de cada dia agora passa por um revés no preço. O que faz o consumidor abrir o sorriso no supermercado nem sempre causa a mesma sensação nos produtores. O aumento dos preços dos insumos, associado à entressafra, eleva os custos. Além disso, os laticínios ainda precisam conviver com a concorrência do leite em pó usado para reidratar o produto.

 

Há pouco mais de uma semana, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) editou instrução normativa que proíbe o uso da matéria-prima em pó importada – permitindo aquela produzida no país –, para fazer a reidratação do leite nos municípios localizados na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A situação apenas ameniza o problema, segundo os produtores. A intenção deles é que a pasta vete por completo esse procedimento.

 

A medida para reidratação regulamenta a reconstituição de leite em pó para a produção de leite pasteurizado e UHT. Em julho, outra determinação do ministério liberava o uso sem fazer essa distinção. No entanto, a proibição vinha sendo alvo de investidas das associações do setor leiteiro que enxergam nessa portaria a possibilidade de enfraquecer a concorrência e o próprio setor.

 

“A intenção é que ela (portaria) seja suspensa por completo, podendo ser liberada apenas em momentos de secas muito fortes ou quando alguma situação específica provoque a queda na produção. Nesses casos, também deve ser determinado o tempo de duração da liberação”, considera João Lúcio Barreto Carneiro, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg).

 

Ainda segundo o presidente do sindicato, a restrição para que o procedimento seja feito com leite em pó nacional apenas reduz a dificuldade. “Isso ameniza parte do problema. Se temos que reidratar que seja feito com o leite nacional e não com o importado. A gente continua tendo problema e isso é mais um desestímulo ao produtor”, afirma.

 

Outro problema que ronda a reidratação está na dificuldade de fiscalização pelos órgãos competentes para identificar se a indústria cumpre o limite de 35% de adição de leite em pó e usa apenas o produto nacional no procedimento. “Como o Ministério da Agricultura vai fiscalizar isso? A cor é a mesma e o produto é o mesmo. Se eles quiserem misturar ali o feito aqui ou o importado como vai ser comprovado?”, indaga Rodrigo Alvim, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente da Comissão Nacional de Pecuária Leiteira da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

 

Os dois representantes das entidades fazem coro ao afirmar que o setor precisa de incentivos. A alta nos preços do leite, segundo eles, não foi suficiente para alavancar a produção em 2016. Nos anos anteriores, a produção vinha acumulando taxas seguidas de crescimento. Em Minas Gerais, passou de 8,3 bilhões de litros captados em 2010 para 8,7 bilhões em 2011; 8,9 bilhões em 2012 e 9,3 bilhões em 2013. No ano seguinte se estabilizou e caiu a 9,1 bilhões em 2015. A estimativa dos produtores para 2016 é de estagnação no patamar alcançado no ano passado. Minas responde por cerca de 1/3 da produção nacional, de acordo com a Faemg.

 

Procurado pela reportagem do Estado de Minas para falar sobre como será feita a fiscalização do uso do leite em pó nacional em lugar do importado e sobre o pedido dos produtores de proibição completa do procedimento com o produto de origem estrangeira, o Ministério da Agricultura informou que o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, está em agenda fora do país até 8 de novembro. Por esse motivo, a pasta não poderia “atender à demanda” do EM.

 

PRESSÃO NO CAMPO As fazendas leiteiras, além das dificuldades de entressafra e do aumento do custo dos insumos – milho e soja para alimentar o gado –, sofre com o avanço das importações, principalmente por causa de acordos do Mercosul que possibilitam que o produto vindo da Argentina e Uruguai tenham preços mais competitivos. No caso da Argentina ainda existe limite para a compra externa, mas para o Uruguai isso não existe, o que impacta muito o mercado interno.

 

Antes da edição da portaria que restringiu o uso do leite importado na área mineira da Sudene, segundo o diretor da Faemg, Rodrigo Alvim, o produtor começava a recuperar e ganhar fôlego, mas foi novamente surpreendido com a possibilidade do uso do leite em pó.

 

O aumento das importações foi de 85% neste ano em comparação com o ano passado, por isso, a limitação ao uso do produto nacional apenas faz com que a situação não fique ainda pior. Alvim reclama, ainda, da falta de políticas públicas para o setor.

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