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Paisagem na janela

Vi um voo pássaro. Era um velho sinal. %u2018Você não quer acreditar, mas isso é tão normal...%u2019%u201D


07/03/2021 04:00





O universo anda inventando pegadinhas para me deixar mais leve na pandemia. Mostrando que é preciso manter a calma. Logo chegará a vez na fila da vacina. Eu pensava sobre isso após conversar com uma amiga ao celular. Do outro lado da linha, ela parecia bem aflita. Falava rapidamente, tropeçando nas palavras, sem pausa para respirar. Conduzia a conversa, ao mesmo tempo em que lavava vasilhas, atendia ao chamado do filho e listava compromissos de trabalho.
Fiquei sem fôlego por ela e senti necessidade de tomar um ar na janela. Funcionou. O céu estava bem azul e o sol brilhava, como sempre. Deu um certo alívio.

Após inspirar fundo, percebi algo que nunca havia notado antes, morando na mesma casa há dez anos. Meu quarto de dormir tem uma janela lateral, de onde vejo uma grade, uma igreja e um muro branco.

Vi um voo pássaro. Era um velho sinal. “Você não quer acreditar, mas isso é tão normal...”, me peguei cantando a música de Lô Borges e Fernando Brant. Fiquei rindo sozinha, sem entender como nunca havia percebido a materialização da canção na minha frente, ou melhor dizendo, na lateral de casa.

A vida continuou contando piadas, cutucando e fazendo cosquinhas. Insistia em me deixar alegre.

Outro dia, senti uma dorzinha no braço. Devia ser um desses machucados que nascem por geração espontânea, sem origem determinada, esbarrando aqui e ali. Seria uma picada de pernilongo? Um arranhão? Veio o clique. Eu estava com dor de cotovelo. É sério.

Me peguei rindo sozinha, pensando de onde viria essa expressão. Passei pela floricultura do bairro com a intenção de levar um buquê de sempre-vivas. É curioso. Por que as sempre-vivas levam esse nome se estão mortas?

Fico esperando um novo gracejo da natureza. Não demorou. Ele veio quando perdi o controle, literalmente.

Sumiu o aparelhinho de abrir o portão da garagem, bem na hora de sair. Fiquei desorientada, procurando por todo lado. Na bolsa, debaixo do banco, no porta-luvas. Nada. Parei de procurar, respirei fundo e relaxei. Entreguei para Deus.

Então eu o encontrei no compartimento da porta, no lado do motorista, abaixo da janela lateral, desta vez a do carro.

Achei graça. Muitas vezes, é preciso sair do controle para a gente se encontrar. “Quer um conselho? Solte”, disse uma entrevistada do canal do YouTube Chá Com Leveza.

Na época, a sugestão dela não fez sentido algum. Mas, por falta de opção, me liberei das amarras. E encontrei o meu caminho.

Voltando ao tempo presente, abri o portão, soltei o freio e segui.

Aproveitei o embalo para fazer a terapia do riso.

Recebi a orientação de rir 10 minutos ao dia. É impressionante como muda o nosso estado de humor e os problemas diminuem de tamanho. Em lugar do choro do vitimismo, você se obriga a dar gargalhadas que podem ser falsas, sem motivo, mas enganam o cérebro. Ele compreende que você está feliz e libera endorfina. Daí você fica feliz.

Segui dirigindo às gargalhadas. Ao chegar no consultório da dentista, dei de cara com a placa: “Sorria você está sendo filmado”.

A vida está me ajudando a cumprir a cota de alegria. A ser mais feliz a cada dia.

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