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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

América se agiganta, responde na bola e amassa Grêmio de Mancini

No seu direito, torcedor americano provoca ex-treinador, grita olé e sai do Indepa com alma lavada; quarta-feira tem mais


16/11/2021 04:00 - atualizado 15/11/2021 19:50

Jogadores do América comemoram em frente a torcida no Independência, no jogo contra o Grêmio
O América derrotou o Grêmio no Independência, aumentando a crise no time gaúcho, e a torcida não perdoou Mancini, que trocou o Coelho pelo tricolor (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Desde que a conturbada saída de Vagner Mancini agitou os bastidores do Coelho e trouxe à torcida preocupação e sentimento de traição pelo abandono do projeto, a sensação era única e extremamente compreensível: além da permanência na Série A do Brasileiro, secaríamos o Grêmio e, quem sabe, ajudaríamos a afundá-lo. Chegou o dia, a torcida compareceu e a raça dos jogadores também.

Não vou entrar em méritos éticos nem discordar de atletas que fizeram questão de pontuar o trabalho razoável do técnico anterior, mas deixarei claro que a satisfação da torcida do América no último jogo veio em dose dupla, com um gostinho bem temperado servido naquele famoso prato frio da vingança. Foi mesmo aquela história de lavar a alma e fazer o sinalzinho do silêncio. Que o futebol siga nos proporcionando esses momentos folclóricos!

O histórico da própria síndrome de vira-lata do torcedor americano - sofredor de carteirinha e tão prejudicado por arbitragem e confederações - confere a ele toda licença poética que há no mundo para se expressar, sem violência física ou insultos pessoais, contra este profissional que escancarou, justamente em cima da gente, como o futebol brasileiro é corrompido e sujo. 

Vocês lembram quando técnicos se uniram para questionar o fato de não pararem em clube algum, afirmando que o sistema precisava mudar? Pois então. Mancini navegou na contramão da categoria e revelou como funciona a dança da "professoragem".

A questão é que o tiro saiu pela culatra, e seu projeto segue a passos largos rumo à Série B. Talvez ele passe o final de ano com uma boa grana, mas a imagem profissional segue mais arranhada do que nunca. E essa, meus amigos, é difícil de resgatar. Aliás, poucos no mercado a têm intacta.

Espero que os clubes aprendam com este perfil e não caiam mais nessa. Nada contra o Grêmio, que tentou o que podia. O que temos que questionar é o quanto pode ser prejudicial este oba-oba contratual, que permite que qualquer time busque outro técnico no meio do projeto do outro clube, seja lá como estiver a campanha.

Imagino que isso tenha sim mexido com o brio dos jogadores, principalmente daqueles pouco aproveitados anteriormente. 

A boa notícia é que, no final das contas, a gente é só gratidão. A saída de Mancini, que nunca mais vai voltar (Deus queira), trouxe um novo gás, e os atletas compraram a briga, pelo lado certo.

A energia foi condensada onde precisava ser, e o América pôs o tricolor gaúcho na roda. Uma vitória maiúscula no sábado, um baile de bola e a permanência vieram com um agradável cheirinho de possibilidade de competição internacional que se encorpa a cada rodada.

O momento é maravilhoso, e Marquinhos Santos tem muita estrela. Quarta-feira às 19h, contra o Atlético-GO, novamente no nosso estádio, é preciso que o torcedor compareça em peso para apoiar incondicionalmente.

Parece um sonho, mas, finalmente, podemos dizer com sorriso: o América briga pela Copa Libertadores, e a Sul-Americana já é realidade! 

Mais do que nunca, é hora de tirar o pijama. Nada de ver pela TV. Até o final do Brasileiro, em todos os jogos em casa, todos os caminhos nos levam ao Independência.

Obrigado por nos ensinar tanto, meu Coelho. A melhor resposta de um gigante é mesmo a bola na rede. Em 2022, é a América do Sul que vai conhecer nossa força e a camisa mais bonita do Brasil. Acredita, América!

A onda verde está só começando, e BH está cada vez menos azul. 

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