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Estado de Minas OPINIÃO SEM MEDO

CoronaVac: 'O que é bom a gente fatura, o ruim a gente esconde'

Doria tem dia de Ricupero e dá uma de Arlindo Orlando: fugiu, desapareceu, escafedeu-se


13/01/2021 07:21

(foto: Divulgação/GESP)
(foto: Divulgação/GESP)
Durante o governo do presidente Itamar Franco, o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, um dos mais importantes formuladores do Plano Real, em plena campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso - seu antecessor e favorito à eleição daquele ano - foi protagonista de um evento pra lá de constrangedor, que motivou seu afastamento do cargo, contudo, sem qualquer interferência no resultado do pleito (FHC bateu, pela primeira vez, aquele que, anos depois, se transformaria no líder da maior quadrilha de assalto aos cofres públicos da história do Brasil: o corrupto e lavador de dinheiro, condenado a quase 30 anos de prisão, Lula da Silva).

Ricupero concedia uma entrevista ao jornalista da Globo, Carlos Monforte. Durante o intervalo, num bate-papo informal, o ministro lhe disse: “Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde". Porém, ambos não sabiam que o sinal de transmissão estava aberto, e todos que possuíam uma antena parabólica em casa assistiram, estupefatos, à confissão. Naquela época, fatos assim eram suficientes para derrubar um ministro brilhante como Ricupero. Hoje, não sabemos mais o que é necessário para que altos membros do governo peçam demissão, já que nem demitidos eles são. Esse foi o “escândalo da parabólica”.

Pois bem. O governador de São Paulo, João Doria, ontem (12) teve seu dia de Ricupero. O tucano, como sabemos - e estamos cansados de saber! - não passa um minuto fora das redes sociais e da mídia convencional. Se toma café, ele filma ou fotografa, e publica. Se tapa um buraco, idem. Se inaugura um hospital, a mesma coisa, só que com superprodução ao redor. No caso da vacina sino-brasileira, a CoronoVac, da empresa chinesa Sinovac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, o desejo de estrelato de Doria subiu às alturas, principalmente após o psicopata negacionista - e presidente incompetente - Jair Bolsonaro resolver maldizer a nossa única (até o momento) chance contra o novo coronavírus.

Doria não perdeu uma só oportunidade de se mostrar como o líder dessa belíssima conquista. Anunciou o acordo, anunciou as pesquisas, anunciou a importação, posou para fotos ao lado do primeiro lote a desembarcar no Brasil, posou para fotos ao lado do segundo lote a desembarcar no Brasil, concedeu entrevistas de manhã, concedeu entrevistas à tarde, concedeu entrevistas à noite, falou (dormindo) que é um gênio, falou (para o espelho) que é fenomenal e correu para anunciar, ele próprio, o sucesso das pesquisas. Beleza. Só que ontem fez como o Arlindo Orlando, aquele caminhoneiro da pequena e pacata Miracema do Norte: fugiu, desapareceu, escafedeu-se!

Ao que parece, a eficácia do imunizante não é lá essas coisas, ainda que seja suficientemente adequado para ser aprovado pela Anvisa. Contudo, o mais importante é que, se a vacina não previne muito mais que a metade dos casos de Covid-19, é extremamente potente contra o agravamento da doença. Há motivos de sobra, portanto, para comemorar. Mas como a notícia não era exatamente aquela que todos esperavam, e Doria sabe que as hordas obscurantistas do bolsonarismo aloprado irão explorar esse fato - ainda que o próprio mitômano do Planalto tenha adquirido 100 milhões de doses da CoronaVac - preferiu se omitir e fazer cara de paisagem. Preferiu dar uma de Rubens Ricupero. Será que isso faz parte do DNA tucano?

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