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Estado de Minas OPINIÃO SEM MEDO

Dias Toffoli só pensa em unir o Brasil

Dividir para conquistar, ensinava César, que não é o Maia, pai do Botafogo das planilhas de propina da Odebrecht: enquanto nos xingamos uns aos outros, Brasília é ''só love, só love''


postado em 13/09/2019 06:00 / atualizado em 13/09/2019 08:42

(foto: Wikipedia)
(foto: Wikipedia)

Elogio os acertos do governo Bolsonaro e apanho de quem não gosta dele. Critico a inflexão do presidente no combate à corrupção e apanho de quem gosta dele. Enquanto isso, o fundo eleitoral foi aprovado e ninguém xingou ninguém.

Desço o pau no lulopetismo e sou aplaudido por quem me xingou antes, ao mesmo tempo em que sou xingado por quem antes me aplaudiu. O foro privilegiado para políticos corruptos é mantido, e ninguém viu. Vixe! Rimou.

Por não concordar cegamente com tudo e todos, apanho feito cão sarnento e me torno um “isentão”. Tolice! Isento é quem não se posiciona. Eu me posiciono. Estou sempre do lado dos fatos. Nunca dos extremos. E por falar em fatos: o STF arquivou os dois inquéritos criminais de Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Não sabia, né?

Jorge Oliveira é o secretário-geral da presidência da República. Com status de ministro, nenhum outro membro do governo goza de tanta confiança e autonomia. Em entrevista, o Todo-Poderoso disse:

“Olha, para ser bem franco: a pessoa com quem a gente tem excelente relação hoje, tanto em termos pessoais quanto institucionais, é o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. E ele, todos sabem, foi secretário de Assuntos Jurídicos e advogado-geral da União do governo do PT. Hoje, faz uma condução, a meu ver, republicana como presidente do Supremo.”

O leitor incrédulo deve estar achando que trata-se de fake news. Deve estar pensando: este colunista é um esquerdista safado; deve ser eleitor do Haddad. Bolsonaro jamais iria se aliar a um petista, inimigo da Lava Jato, que trabalha dia e noite para soltar o Lula.

Tsc, tsc, tsc...

Nada disso, meu caro inocente “não sabe de nada” parceiro de ingenuidade. O que era claro como bumbum de bebê sueco, tornou-se oficial: Bolsonaro e Toffoli são o mais novo casal de Brasilia. BFF (best friends forever) com força. Dói, né? Eu sei. Toma um Rivotril que passa. E com um Engov, você até esquece do Queiroz.

Danadinho esse ministro. Até outro dia era “o amigo do amigo de meu pai”. Traduzindo para os não-iniciados: Dias Toffoli é amigo de Lula, que é amigo de Emílio Odebrecht, que é pai de Marcelo Odebrecht, que corrompeu 12 em cada 10 parlamentares, nos fabulosamente cleptocratas anos petistas no poder.

Mas Toffoli cansou da polarização raivosa entre bolsonaristas e lulistas (se fosse no blog, eu diria petralhas e bolsominions, mas aqui eu tô pianinho, hehe), e de forma generosa, altruísta, abre mão das convicções pessoais e tenta aproximar Bolsonaro de Lula, afinal todos podemos conviver com quem discordamos “só um pouquinho”, não é verdade? Ou você acha que ele está é interessado em frear a investigação da Receita Federal contra sua esposa? Que maldade a sua.

Se tudo der certo, em 2022 teremos uma chapa PT-PSL, com Lula Livre (Deus nos Livre!) e Bolsomito, respectivamente presidente e presidente -- afinal, vice é para os fracos -- , sob as bênçãos de São Dias Toffoli de Assis, com a população brasileira vestida de vermelho, fazendo “arminha” com os dedos e baixando o porrete nos isentões, que serão os novos inimigos dos novos amigos. Afinal, que ousadia é essa não ser devoto de político nenhum?

Ah! Sergio Moro estará na Papuda, após denúncia de Augusto Aras, o PGR indicado por Bolsonaro (assumidamente de esquerda e fã de Che Guevara); Glenn Greenwald será o Ministro da Justiça; e Gleisi Hoffmann e Joice Hasselmann tomarão chá da tarde todas as sextas-feiras, no Clube do Exército do Rio de Janeiro. Bonitinhas.

Continuem se estapeando nas redes, crianças. Brasília, rindo muito das nossas caras, só tem a agradecer.


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