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Estado de Minas EM DIA COM A PSICANáLISE

Na nomeação para o Capes, a polêmica entre razão e a fé

Falta lógica na escolha de um criacionista para dirigir a Capes, órgão fomentador da pesquisa científica


postado em 09/02/2020 04:00 / atualizado em 09/02/2020 10:10


Em tempos de chuvas e da polêmica da renaturalização dos rios da nossa cidade querida, o que apoio totalmente, embora saiba das dificuldades reais em desfazer tanto feito, temos outras polêmicas não menos importantes.

A polêmica é secular. E nesse caso se vai pela fé ou pela razão. Trata-se da questão do Criacionismo x Teoria da Evolução, vinda à tona depois da nomeação de Benedito Guimarães Aguiar Neto para presidir a Capes, órgão de fomento e condução das políticas públicas de pesquisa, pós-graduação e formação e qualificação de pesquisadores e docentes do país.

A discussão se dá porque a ética que rege uma e outra das versões apresentadas é completamente oposta e divergente. Vejam que a ética religiosa desafia a razão ao tomar o mito de Adão e Eva, conforme a Bíblia, como fato – e não como metáfora. Todo mito é contado verbalmente com a finalidade de explicar nossas origens.

O próprio Jesus falava aos cristãos por meio de diversas metáforas para que todos compreendessem a mensagem. No caso do mito criacionista, digamos que explica que viemos de ancestrais comuns, no caso, um homem e uma mulher, que vieram de mutações genéticas adaptativas.

A ética científica, ao contrário, adota a Teoria Darwinista da evolução, que afirma que descendemos da evolução da espécie, conforme revelações de material genético estudado em laboratórios tanto quanto provas materiais de restos arqueológicos encontrados em escavações.

Daí a discussão. O que se discute é como será que a Capes, órgão radicalmente aliado e fomentador da pesquisa científica, poderá ser dirigida por alguém que defende a ética religiosa, o que significa que a pesquisa ficaria ameaçada pela ética que norteia o novo presidente.

Notas de repúdio coletivas surgiram de variadas fontes; cito aqui duas: a Freduc (Frente nacional em Defesa da Universidade e da Ciência) e o Grupo de Psicanalistas Unidos pela Democracia, esta assinada por Luciano Elia, do Laço Analítico/Escola de Psicanálise do Rio de Janeiro.

A primeira prevê consequências devastadoras para a ciência e a universidade brasileira por ter como representante alguém com visão reconhecidamente pré ou anticientífica, recusando evidências amplamente validadas e respeitadas pelo intelecto humano. A comunidade científica considera esta nomeação um retrocesso e exige a revogação imediata da nomeação.

Também as escolas de psicanálise lançaram seu repúdio pelos mesmos motivos, uma vez que sua fundação vem de bases restritamente científicas e racionais, já que ela só foi inaugurada a partir do advento da ciência moderna, isto é, a partir do sujeito moderno conforme pensado por Descartes. Sujeito que dispensa qualificativos e simplesmente se reduz ao: Penso, logo sou.

Do advento do sujeito cartesiano da ciência moderna surgiu a psicanálise. A descoberta do inconsciente só foi possível a partir do sujeito cartesiano. Ele abriu caminho para a descoberta do inconsciente com a afirmação: Sou, onde não penso, indicando aí a concepção da existência de um inconsciente, para além da consciência, como um estranho, uma vez que está fora da nossa capacidade saber tudo sobre nós próprios. Isso aponta para os porquês de muitos comportamentos e repetições, que não podemos explicar.

Assim, veio a público um grande impasse que tem razões mais que lícitas e justificáveis pelos profissionais diretamente afetados pelas consequências de nomeações para cargos públicos sem respeito aos critérios da competência técnica e notório saber. Demanda absolutamente lógica.

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