
Certa vez, contei aqui a história de uma mulher que foi registrada ao nascer como Sebastiana e quando adulta conseguiu na Justiça trocar o nome para outro com o qual se identificava. Qual o problema com o nome original? Você pode não ver, mas ela teve suas razões, razões que a ajudaram a construir sua auto-estima. E isso basta.
Só outro dia me dei conta de que existem nomes, ou talvez suas grafias, que se tornam problema (ou motivo de muita risada) para quem os usa. Conversando sobre a criatividade e a inspiração do brasileiro ao nomear seus filhos, meu amigo Tibiriça relatou o que passa com seu nome, enganos causados por causa da presença ou, como veremos, ausência do ç.
Tibiriça é um nome de origem indígena e significa vigilante da terra em tupi. Sempre demonstrou gostar de ser chamado assim, como também pelo apelido Tibi. Como não é muito comum, há quem encontre dificuldade em pronunciar.
É uma palavra oxítona, ou seja, tem a última sílaba como tônica, e não a penúltima como muitos confundem, principalmente em clínicas médicas. Ele chega a fazer aposta quando tem um acompanhante e costuma ganhar. “Quer ver me chamarem de Tibiri ou Tibirica?”
De repente, ele nos mostra seus documentos. Identidade, carteira de motorista, cartões de crédito. Em absolutamente todos lemos Tibirica. “Como assim?” perguntei. “Se o Ç está presente no alfabeto português!”
Ç é uma letra do alfabeto latino usada em 12 línguas, sendo as mais conhecidas delas o português, o francês, o turco, o catalão e a albanesa. Mas pasmem! No Brasil, apenas o passaporte traz a grafia correta dos nomes com ç. Com tecnologias da informação tão desenvolvidas hoje, nos deparamos com uma falha básica. É como se essa letra não existisse!
Nossos nomes fazem parte de nossa identidade, costuma ser o primeiro bem que recebemos antes mesmo de nascer com potencial de nos acompanhar até a morte. Quando adotamos o apelido como identificação principal, costuma ter sido o original sua inspiração. Não há como ser amigo de alguém sem saber seu nome. é através dele que localizamos uns aos outros no mundo. Temos a cara dele. Sonhamos vêlo eternizado em em uma bela canção, mesmo sabendo que não fomos a inspiração para a letra, mesmo aquelas letras que parecem não fazer parte da língua.
