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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Desequilíbrio

Quatis, "de fofos estão se transformando em pesadelos no meu quintal"


09/01/2022 04:00 - atualizado 09/01/2022 08:26

Ilustração do Quinho

Os quatis são muito fofos. São pequenos animais mamíferos que podem pesar até seis quilos. Chamados também de tamanduá-palito, por causa de seu nariz pontudo, os que andam no entorno da minha casa certamente estão à beira de ultrapassar esse limite. Estão bem roliços em função da quantidade de comida fast-food nada saudável que encontram em seu caminho, creio. 

Há cerca de 28 anos, quando me mudei para a região da Mata do Mutuca, no limite entre BH e Nova Lima, eles eram em quantidade bem menor, a ponto de ser uma atração quando avistados. Hoje, são uma atração devido principalmente à quantidade exorbitante de indivíduos nos bandos. Atrás de um líder há sempre uma colônia de ao menos uns 30 súditos. As fêmeas podem parir até seis filhotes a cada gestação, e ao que me parece não têm perdido nenhuma. As copas das árvores no fundo de minha casa mais parecem creches hiperlotadas. 

Na natureza nua e crua, eles comem frutas, rãs, pererecas, pequenas aves, ratos. Nos jardins, procuram minhocas levantando placas de grama recém-plantadas. Fora da natureza, encontram de tudo no lixo humano, sem precisar fazer o menor esforço. Mal-acostumados pelos homens, que insistem em achar que está sob sua responsabilidade a alimentação de animais silvestres, assaltam cozinhas de janelas abertas e devoram o que veem pela frente, demonstrando uma preferência por tudo o que seja doce. 

De fofos estão se transformando em pesadelos no meu quintal. Ao retornar para casa, após um breve fim de semana fora na passagem do ano, me deu vontade de fazer meia-volta e ir embora. Uma geladeira que deixamos na garagem, com fechamento reforçado por um elástico antiquatis amarrado em seu entorno, estava um caos. 

Acreditem se quiser. Sem remover o elástico, eles forçaram a porta, entraram dentro da geladeira, quebraram o que havia de vidro, furtaram o que foi possível e, o pior, defecaram em todas as prateleiras para marcar território. Fiquei imaginando a cena. Um deles segurando a porta usando o bico e as patas cheias de unhas afiadas e resistentes, enquanto alguns do lado de dentro passavam as coisas para a tropa faminta que aguardava de fora. Depois largaram tudo lá. O elástico forçou o fechamento da geladeira e na teoria tudo voltou a ser como antes.
 
Quanto desequilíbrio! Cada vez mais avançamos para dentro do território deles, expulsamos seus predadores naturais, como raposas e onças,  fazendo com que os bandos fiquem superpopulosos. Não deixamos a eles outra saída a não ser conviver com nossa dura realidade, o que torna a deles bastante cruel. Se há quem tenha direito de reclamar, certamente não sou eu. 

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