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Estado de Minas COMPORTAMENTO

A vida como ela é

Neste momento estou em solo brasileiro dando graças a Deus por não ter desistido de ir


26/12/2021 04:00 - atualizado 26/12/2021 07:48

Ilustração
A notícia sobre a variante Ômicron nos surpreendeu poucos dias depois de termos chegado ao Malawi/África. Nosso plano inicial era passar um mês por lá, retornando ao Brasil dia 20 de dezembro. A falta de informação sobre o que o novo surto poderia causar, aliada ao fato de que vários países estavam fechando suas fronteiras para nações africanas, nos colocou em um impasse. Tentar retornar de imediato ou arriscar ficar sem poder voltar na data prevista.

Não tinha sido a primeira dúvida a abalar nosso trabalho desta vez. Poucos dias antes de embarcar vivemos um impasse. Com a suspensão das operações da South Africa Air Lines, a Etiopian passou a ser a nossa única opção para chegar ao Malawi. Porém, a guerra civil na Etiópia estava tomando as manchetes dos jornais no mundo todo. Os rebeldes, que já dominam algumas regiões desde 2018, ameaçavam tomar a capital, Addis Ababa, onde precisávamos pernoitar na ida e na volta.

Depois de refletir, analisar, checar as informações, conversar muito com quem estava por lá, fazer consultas, decidimos ir. Eu e uma amiga, psicóloga em Brasília, passaríamos a noite no aeroporto de Addis Ababa, se fosse preciso. Concluí que quando se decide por este tipo de ação humanitária é preciso vencer o medo e arriscar. Não significa colocar nossas vidas em risco, mas não desistir a todo sinal de fumaça.

O fato de a companhia aérea não estar suspendendo os voos, contribuiu para percebermos que a situação na capital não era tão caótica quanto parecia. E de fato era verdade. Tanto que tivemos coragem de pegar uma van no aeroporto até os hotéis onde pernoitamos na ida, dia 18 de novembro, e na volta, dia 20 de dezembro, opção mais confortável que passar doze horas acomodadas nas cadeiras duras das salas de embarque.

Iminência de rebeliões e variantes do covid ou outros vírus serão constantes. Então se não nos arriscarmos não conseguiremos levar adiante nossos projetos. É preciso ter consciência de que romantizar missões humanitárias é coisa bem típica de filme hollywoodiano. E não é para menos, porque a realidade nua e crua é muito difícil de digerir e nem todo estômago tem preparo pra isso.

Neste momento estou em solo brasileiro dando graças a Deus por não ter desistido de ir, pois valeu muito a pena. Valeu cada emoção que passei, uma verdadeira montanha russa. A todo momento um golpe, seguido de outro golpe, não importando a direção que tomássemos. A miséria humana, tanto material como moral, se torna mais clara e visível quando nos dispomos a abrir os olhos para tal. E lutar contra ela dentro e fora de nós mesmos só se efetiva quando nos dispomos a agir e não apenas a julgar e lamentar.

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