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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Não repare a bagunça

'Afinal, somos perfeitos, custe a falsidade que custar'


10/10/2021 04:00 - atualizado 10/10/2021 10:45

Casa
Precisamos apresentar ao outro nossa casa como se fosse de revista (foto: Pixabay)

 
Bagunça: ausência de ordem, falta de organização, tumulto ou confusão. "Desculpa a bagunça", ouvi ao entrar na casa de uma vizinha pela primeira vez. Como resposta, dei aquela risada amarela básica típica dessas horas, juntamente  com o "que isso, que bobagem!", enquanto pensava "ela é que não viu a situação lá em casa". Afinal, era domingo, dia que muitas vezes costumo me dar ao luxo de nem ao menos fazer a cama, por mais que aprecie uma bem arrumada.
 
Minha inquietação é em relação ao fato de que precisamos apresentar ao outro nossa casa como se fosse de revista. Nada fora de lugar, bem pensado e calculado, sem ao menos uma poeira ou pernilongo, tudo muito limpo, como se ninguém morasse ali. Definitivamente, minha casa não é assim. Mas precisamos perseguir a perfeição e por mais que saibamos que é inatingível, pois inexistente, precisamos correr atrás dela. Afinal, somos perfeitos nem que seja na aparência e custe a falsidade que custar.
Porque temos o péssimo hábito de desmerecer o que temos, o que somos, o que conquistamos quando queremos ganhar a confiança e a amizade de alguém? Grande incoerência! Eita péssima mania de nos rebaixar quando não é necessário nem cabível.
 
Afinal, minha cama não se arruma sozinha, minhas louças precisam de alguém que as assuma para ficarem limpas, minhas roupas precisam que alguém as coloque na gaveta, pois não têm vida própria. Isso mesmo, nossa casa tem a nós para dar-lhe vida, fazê-la pulsar o que a torna confortável para nós e nossos convivas. Precisa ser lar, e não figura decorativa. Não pode ser transformada em nossos martírios, locais de aprisionamento, mas em lar doce lar.
 
Se alguém elogia a comida que fazemos, dizemos que poderia ter ficado melhor; se estamos bonitas ou bonitos, "são seus olhos" cegos, com certeza; se somos bons funcionários e recebemos um elogio publicamente, dizemos que estão exagerando. Por que não podemos reconhecer que somos quem somos? Falsa modéstia é também sinal de arrogância e orgulho descabido.
 
Visitei a Casa Cor na semana passada e lá me encontrei com uma empresária da moda que admiro muito. Pessoa de um coração enorme, batalhadora, um exemplo para mim e, para melhorar, minha xará. No meio da mostra, trombamos uma com a outra e ela me disse: "Isso aqui faz a gente achar que a nossa casa é muito pobre e antiquada".
 
Não conheço a casa dela, mas com certeza, com base na pessoa que ela é, me sentiria muito bem se um dia lá eu fosse. Respondi : "Nossas  casas têm nossa energia, lembranças de nossos passos e tropeços, além daqueles suvenires jecas que tanto significam e marcam. Nossas casas têm a nós". E isso basta para querermos voltar todo dia pra elas, como parte inseparável de nós e de nossas mazelas.

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