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Estado de Minas entrevista/Patrícia Nogueira - Presidente e fundadora do Instituto Gil Nogueira

Ler para viver melhor

Projeto criado por empresária contempla a educação por meio do incentivo à leitura


21/03/2021 04:00



A sede do Instituto Gil Nogueira (IGN), no bairro Santa Lúcia, é um cartão de visitas do trabalho realizado pela instituição, que completa 15 anos em agosto. O ambiente prima pela organização: livros impecavelmente catalogados ocupam as duas salas principais; fotos em p&b, nas paredes, exibem imagens de crianças nas escolas participantes do premiado projeto Ler é Viver, que já se tornou uma referência educacional. Tanto é que, recentemente, o IGN recebeu   o selo de confiança e credibilidade da Ambev e o selo do Instituto Doar em gestão e transparência, que certificam seu padrão de qualidade. Quem está por detrás dessa história é Patrícia Nogueira, que, entre os muitos caminhos para contribuir com a sociedade, escolheu a educação. E optou por começar por um trabalho de base para a formação das crianças e de futuros cidadãos: combater o analfabetismo funcional por meio do incentivo à leitura.
 
A grande inspiração para ela, psicóloga por formação, empresária da área de eventos durante muito tempo, foi o pai, Gil Nogueira, que nomeia o instituto, e de quem herdou o legado da responsabilidade social. Por isso, o público-alvo do projeto é a rede pública de ensino localizada em Belo Horizonte e no interior mineiro. Cerca de 60 escolas já foram contempladas pelo programa. Os títulos dos livros são escolhidos pela equipe pedagógica do IGN e a metodologia inclui a contação de histórias, interpretação de textos e premiação semestral para os campeões da leitura. Com o objetivo de reverter renda para as ações do Ler é Viver, foi criado, mais recentemente, o Ler é Viajar, um clube de leitura mensal voltado para as crianças.
 

"Hoje, minha maior realização é poder fazer a diferença na vida de milhares de crianças beneficiadas pelo projeto Ler é Viver"

 
 
Como você teve a ideia de trabalhar com livros para combater o analfabetismo funcional?
Quando fundamos o Instituto Gil Nogueira, definimos que o nosso foco seria na melhoria da educação. Nossa primeira ideia foi trabalhar a capacitação de professores, porém, ao nos deparar com a triste realidade do alto índice de analfabetismo funcional no Brasil, priorizamos a melhoria da leitura e interpretação de textos criando o projeto Ler é Viver, que este ano completa 15 anos.

Muita gente não sabe o que é o analfabetismo funcional. Como é essa situação no Brasil?
São chamados de analfabetos funcionais os indivíduos que, embora saibam reconhecer letras e números, são incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas mais elaboradas. A última pesquisa apontou que cerca de 30% dos brasileiros, entre 15 e 64 anos, são analfabetos funcionais.

O IGN nasceu com o objetivo de reverenciar a memória do seu pai. Quem foi Gil Nogueira?
Muito além de ter sido um empresário de sucesso como sócio fundador de uma das maiores redes de supermercados do país (Grupo Epa), Gil Nogueira deixou marcas e grandes ensinamentos por onde passou com sua simplicidade, integridade e altruísmo. E o mais importante: foi um pai exemplar e nos deixou um forte legado de responsabilidade social.

Ele era ligado à educação?
Era ligado a tudo que pudesse melhorar a vidas das pessoas, principalmente as menos favorecidas. Ajudou a construir escolas, creches, abrigos, participou de associações de bairros, associações de classes, conselhos de funcionários, conselhos de clientes, sempre buscando agregar e melhorar a qualidade de vida das pessoas.
 
E você, qual a sua formação?
Sou psicóloga e pós-graduada em recursos humanos.

Chegou a trabalhar na sua área específica?
Trabalhei vários anos com recrutamento, seleção e treinamento de pessoas, dirigi empresa própria na área de eventos e os negócios da minha família.

E, agora, se dedica exclusivamente ao IGN? 
Sim, sempre sonhei realizar projetos no terceiro setor, dando continuidade ao grande esforço do meu pai em deixar o mundo melhor do que o encontramos. Hoje, minha maior realização  é poder fazer a diferença na vida de milhares de crianças beneficiadas pelo projeto Ler é Viver.

O ING recebeu selos da Ambev e do Instituto Doar recentemente. O que isso significa para a 
instituição e como repercutirá? 
Em 2019, participamos do Voa, programa de mentoria  e capacitação em gestão para ONGs promovido pela Ambev e, em 2020, após  um ano de auditoria, recebemos o selo de confiança e credibilidade da Ambev. Também fomos certificados com o selo do Instituto Doar em gestão e transparência. Isso significa que passamos a fazer parte de um seleto grupo de organizações brasileiras – em Minas Gerais somos só três – certificadas de forma independente, que alcançaram o padrão de qualidade baseado nos principais modelos de certificação internacional. 

Qual o diferencial do projeto Ler é Viver?
Distribuir livros é a parte mais fácil. Desenvolver um projeto consistente de incentivo à leitura foi o nosso maior desafio. Nosso grande diferencial, além do incentivo através de contações de histórias e acompanhamento pedagógico nas escolas, é a avaliação individual do aluno, em que podemos verificar a melhoria da capacidade de interpretação. Outro diferencial é o evento de premiação dos alunos de acordo com a quantidade de livros lidos e interpretados, realizada semestralmente em cada uma das escolas, com apresentações culturais e presença dos familiares. Acreditamos na meritocracia, no reconhecimento e valorização do esforço das crianças que, com certeza, trará maior autoestima e evolução no desempenho geral do aluno.

Como é feito o contato com as escolas?
Realizamos o projeto Ler é Viver em escolas da rede pública do estado de Minas Gerais, que são escolhidas segundo critérios de localização e baixo desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Conte como o trabalho é realizado dentro delas.
No início de cada semestre, uma caixa com livros de literatura infantojuvenil é entregue a cada sala de aula das escolas participantes do projeto. Ao longo do semestre, os alunos são estimulados a ler e a, principalmente, interpretar os livros em oficinas de contações de histórias acompanhados pela equipe pedagógica do IGN.

Como os livros são adquiridos e indicados? 
Os livros são pré-selecionados por uma equipe pedagógica de acordo com as faixas etárias, de 6 a 12 anos, e adquiridos de editoras parceiras.

É o próprio IGN que compra os livros ou as pessoas contribuem com doações?
Para o projeto, eles são adquiridos, mas também recebemos doações de livros usados, cuja venda é revertida em recursos para a realização do projeto Ler é Viver.

Como a instituição se mantém?
A captação de recursos é o maior desafio das OSCs, por isso buscamos diversificar as formas de captar: contribuições de pessoas físicas e jurídicas, apoio de empresas através das leis de incentivo à cultura em âmbito estadual e federal, patrocínio de eventos. E acabamos de lançar um novo produto, que é o Ler é Viajar.

O que é o Ler é Viajar?
É um clube de assinatura de livros em que você escolhe o plano de acordo com a idade da criança e todo mês recebe dois livros cuidadosamente selecionados pela equipe pedagógica do Instituto Gil Nogueira. O valor mensal é fixo para qualquer dos planos e também para o frete. Esse é o nosso produto social. Toda a renda desse projeto é revertida para as ações do Ler é Viver.

Como as pessoas podem contribuir com o Instituto Gil Nogueira?
Fazendo doações como pessoa física ou jurídica, participando de nossos eventos, apoiando através das leis de incentivo ou assinando o Ler é Viajar.

Como  está a situação do projeto, já que a rede pública está sem aulas por causa da pandemia?
Em 2020, criamos um novo formato do Ler é Viver, nos adequando a esse difícil momento para as crianças longe das escolas. Doamos, aproximadamente, 2 mil livros para os alunos participantes do projeto, disponibilizamos vídeos de contação de histórias através dos grupos de WhatsApp dos professores com os pais dos alunos e os incentivamos a postar vídeos com o reconto das historias.

Quais são os próximos planos?
Nosso maior objetivo é expandir nossa área de atuação disseminando livros e conquistando, a cada dia, um maior número de leitores. Tanto o projeto Ler é Viver como o Ler é Viajar seguem esse propósito, que vem ao encontro da nossa missão: “Melhorar o mundo reduzindo o analfabetismo funcional através do incentivo à leitura na infância”. Seguimos fazendo a nossa parte para diminuir as desigualdades educacionais em nosso país. 


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