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Estado de Minas Comportamento

Idoso? Eu não.

"Difícil se enquadrar, quando se está no auge vida"


18/04/2021 04:00


 
Os anúncios diários por parte da prefeitura de BH convocando as pessoas a se vacinarem de acordo com a idade movimentaram minha turma de amigos na última semana. Era a vez dos 65, 64, 63 anos e pegou em cheio muitos de nós. “Como assim? Idosos de tantos anos? Idoso? O que que é isso? ”, brincou a maioria.
 
Difícil se enquadrar nesta qualificação quando se está no auge vida, com muita energia e com vontade de fazer tudo o que se é possível. Ainda mais agora que muitos estão aposentados, com todo tempo e disposição do mundo.
 
O melhor de se ser “idoso” é a maturidade que nos traz a capacidade de rir de nós mesmo e de nossas trapalhadas. Enchemos o grupo de vídeos engraçados de idosos, muitas vezes nem tão idosos assim, em dificuldades hilárias devido à idade. Longe de nós ficar assim, claro, afinal nos sentimos diferentes e especiais.
 
Eu mesma estou na esperança de ver minha idade com outra qualificação. Aguardo ansiosamente a convocação dos adultos de 58 anos, ou apenas pessoas com 58 anos completos até dia tal. Mas idoso, ufa! terá sido encerrado com a convocação dos 60 anos. Muito longe de mim isso.
 
Fiquei imaginando um companheiro de pedal que tem 69 anos e deixa todo o resto do grupo para trás em qualquer subida, descida ou plano. Se ele for idoso imagine o que sou eu? Mas, bem ou mal, ainda precisamos de qualificações para organizar nossa sociedade, precisamos de parâmetros que nos norteiem. A idade e tudo o que ela acarreta é uma delas.
 
Mas o que me incomoda mais é o conceito que construímos em torno desses parâmetros. Um amigo “idoso” disse que é preconceituosa essa qualificação. Com certeza muitas vezes pode ser veículo de preconceito conforme a forma em que é usado. Mas essa mesma pessoa, pouco antes de se dizer vítima de preconceito ao ser chamado de idoso, havia feito um comentário homofóbico.
 
Cada um defende com unhas e dentes as dores que lhe atinge, esquecendo-se que outras qualificações usadas levianamente doem nos outros. Uma outra, que se posiciona como uma mulher a favor de movimentos sociais e igualitários, num momento de rir da desgraça alheia, posta um vídeo no qual uma moça tenta fazer uma baliza entre dois carros e, claro, dá uma de “mulher ao volante”. KKKK. Engraçado, né?
 
Acho não. Não se pode mais fazer piada com os homossexuais, os velhotes, os mancos, as mulheres, os zarolhos, reclamam os mestres em piadas rápidas e stand up de plantão. Que falta de graça este tal de politicamente correto! Meu Deus, na verdade, deveríamos nos envergonhar de um dia termos gostado destas piadas. Deveríamos nos contentar em rir de nós mesmos e deixar que cada um seja quem é com todo o peso que isso possa ter e ser.

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