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Estado de Minas estilo

Óculos são acessórios de moda e devem ser notados, diz designer de armações extravagantes

Fundadora da marca Caxspecs, Claudia Figaro desenvolveu método de consultoria em que ajuda mulheres a encontrar os óculos que combinam com o seu estilo


13/09/2020 04:00 - atualizado 13/09/2020 07:55

(foto: Caxspecs/Divulgação)
(foto: Caxspecs/Divulgação)

Quem vê hoje a mulher que chama a atenção pelas armações grandes e coloridas não imagina que ela se recusou a usar óculos por muitos anos. A mudança ocorreu depois da descoberta de opções que iam além do básico. A psicanalista Claudia Figaro Garcia não só enxergou os óculos como poderosos elementos de moda, que influenciam a construção dos looks, como também desenvolveu um método de harmonização para ajudar outras mulheres. “Óculos subiram para a categoria de acessórios e devem ser notados.” Assim, passou de colecionadora a designer da sua própria marca, a Caxspecs.
 
Claudia tinha 14 anos quando descobriu a miopia e se negava a usar óculos. Como não se identificava com nenhuma armação, preferia as lentes de contato. “Usava óculos só dentro de casa, e com a família. Nunca tirei fotografia com óculos, sempre achei muito feio.” Até que, em 2010, as lentes gelatinosas começaram a embaçar sua visão e ela teve que se acostumar com os óculos no dia a dia.

 

Por não considerar os óculos acessórios de moda, a psicanalista passava anos com a mesma armação, e só escolhia aquelas bem tradicionais. “Tinha dificuldade de comprar óculos coloridos. Era muito conservadora e muito medrosa, então sempre usava o mesmo”, conta. Mas a necessidade do uso diário a levou a se aventurar por armações diferentes. Em 2013, numa viagem à Itália, ela comprou uns óculos “gatinho” tartaruga claro e começou a perder o medo.

 
(foto: Caxspecs/Divulgação)
(foto: Caxspecs/Divulgação)
 
A armação apresentou um novo mundo a Claudia. A partir daí, ela passou a pesquisar marcas independentes, que não eram vendidas no Brasil, e trazer de viagens o que era diferente. Quem diria: em vez de esconder, a psicanalista buscava os óculos mais robustos e coloridos, bem exclusivos. Isso virou sua marca registrada. “No início causou estranhamento, depois admiração, e comecei a ser reconhecida no trabalho e na rua como a pessoa que não tem medo de usar óculos e fazer composições.”
 
Percebendo que seu estilo chamava a atenção aonde ia, Claudia decidiu falar sobre óculos nas redes sociais. Fotografava suas peças e fazia curadoria de armações de marcas independentes pelo mundo.
 
Não passava pela cabeça dela fazer nem vender óculos, até conhecer Ricardo Lorente, que produz peças a mão sob medida. “Sempre quis ter óculos sob medida, únicos, exclusivos. Pensei em um que tinha visto num livro, estilo anos 1950, amarelo-limão com haste preta, e pedi para ele fazer.” Para chegar exatamente ao que queria, ela participou do processo de criação da armação, que acabou sendo verde-oliva. Bastou postar no Instagram para receber uma enxurrada de mensagens de interessadas em comprar.
 
O sucesso inesperado dos óculos deu início à marca Caxspecs, que trabalha com o conceito de exclusividade. A cada coleção, é lançado um formato, mas as cores e os nomes (todos em francês) não se repetem. Cax é o nome do primeiro modelo. Já o modelo Carré é da segunda coleção, lançada em dezembro do ano passado. “As armações são criações da minha cabeça. A Cax parece uma borboleta e a Carré tem ângulos retos nas pontas”, detalha. Até o fim do ano, ela deve lançar a terceira coleção.
 
(foto: Caxspecs/Divulgação)
(foto: Caxspecs/Divulgação)

Claudia e Ricardo desenvolvem juntos os óculos. Pensam os formatos, depois escolhem as cores. “Vamos construindo o design a quatro mãos. Nunca fiz óculos e não desenho, então tenho essa parceria com o Ricardo, que faz isso há muito tempo, sabe o que funciona.” A partir disso, ele faz três moldes para ela escolher um. “Experimento no meu rosto e tenho que ficar sem ar quando me olho no espelho.” Todas as armações são de acetato italiano, material que a psicanalista acha mais moderno, chique e estiloso. A produção, quase toda manual, fica a cargo do pai de Ricardo, Jaime Lorente.
 
Ao contrário do que Claudia imaginava, a pandemia não atrapalhou as vendas. Na verdade, a procura aumentou nesse período. “Acho que a pandemia permitiu que as pessoas ficassem mais tempo em casa escolhendo o que comprar. Não tenho lançamento toda semana, não tenho estoque, então chamo a atenção pela exclusividade.” Nesse período, ela fez a venda mais rápida: em 20 minutos. Clientes de fora de São Paulo, algumas que moram no exterior, compram sem nem experimentar.
 

Vitrine

 
A marca não tem loja física nem on-line, a vitrine está no Instagram (@caxfigaro). Quando recebe novos óculos, Claudia fotografa e grava vídeos usando a armação. Escolhe os acessórios que combinam, faz a maquigem e se posiona perto da janela da sala de casa, onde aproveita a iluminação natural. Não segue roteiro, fala com naturalidade. “Sou a pessoa que sabe vender os óculos. Tenho uma relação de muita paixão com estas peças, se pudesse ficaria com todas. São peças que têm a ver comigo”, aponta a psicanalista, que conseguiu transformar os óculos em acessórios para entrar na lista de desejos.
 
(foto: Caxspecs/Divulgação)
(foto: Caxspecs/Divulgação)
 
Claudia sempre usou muitos acessórios, todos exagerados. Brincos, colares e anéis nunca passavam despercebidos. “Quando passei a usar óculos no dia a dia, tive que aprender a fazer harmonizações para que pudesse seguir o meu estilo, sempre coordenando com a roupa e os acessórios. Foi tudo muito orgânico, nunca me espelhei em ninguém.” Em muitas ocasiões, ela começa a compor seu look a partir da armação que escolheu usar no dia.
 
A partir da sua experiência, a psicanalista desenvolveu o método de consultoria de óculos Cax Visage. A ideia é ajudar mulheres na escolha da armação, respeitando desde o tom da pele e do cabelo até a cartela de cores que tem no armário e os acessórios que gostam de usar.
 
Para começo de conversa, Claudia orienta tirar da cabeça pensamentos que ela mesma já teve – “Armação tem que aparecer o menos possível” e “O que pessoas vão pensar?”. Ela também se diz contra regras de que quem tem rosto redondo deve usar óculos quadrados, e vice-versa. “Óculos são como roupa, você tem que experimentar e se olhar no espelho. Se eles estiverem de acordo com o seu estilo e você se sentiu bem, é o que importa”, aponta a designer da Caxspecs, que também vende anéis de acetato, produzidos com as sobras dos materiais usados para fazer os óculos.
 
Quer montar uma coleção de óculos? Comece por um tartaruga clássico, um preto e um transparente, com formatos diferentes. “Digo que esses três são curingas, porque combinam com qualquer acessório, seja dourado, prateado ou colorido.” Armação com cores já é um passo adiante, que deve levar em consideração o seu guarda-roupa. Claudia acrescenta que toda mulher tem que ter óculos “abre-portas”. O dela, australiano, comprado em Barcelona, é um gatinho grande em preto e branco. “É aquela armação para todo mundo olhar para você, para não passar despercebida.”


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