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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Somos nossas próprias ferramentas

Tudo o que ela passou a representar me ensinou muita coisa%u2019


postado em 26/01/2020 04:00


 
Lembro-me perfeitamente de muitas situações em que achava que nunca chegariam ao fim. Aliás, este tipo de impressão vem sempre acompanhando as mais difíceis e dolorosas ações. Acontecem conosco coisas que, no momento em que as atravessamos, acreditamos serem tão decisivas a ponto de ser capazes de nos derrotar antes mesmo que tentemos enfrentá-las. Mas o tempo passa, as coisas se ajeitam, a gente se adapta e prossegue. O que fazer depois, qual caminho a seguir, vai depender se decidimos “pegar o boi pelo chifre” ou “entregar os pontos”.
 
Recentemente, tive uma mala extraviada na qual estavam o resultado de quatro meses de trabalho. Estava indo implementar uma oficina de costura numa comunidade extremamente carente que busca avidamente formas de ocupação e trabalho. Havia feito 36 moldes de roupas básicas, de modelos e tamanhos variados. Além dos moldes em papel, havia várias peças-piloto que precisei fazer para ver o que e onde seria necessário ajustar. Quando não gostava do resultado final, refazia tudo.
 
Cheguei ao destino final e nem sinal da mala. A companhia aérea prometera procurá-la e me entregar. Dormi a primeira noite com a certeza de que na manhã seguinte tudo seria resolvido, pois isso já me aconteceu outras vezes e a mala sempre vinha. Mas desta vez foi diferente.
 
Como minhas escalas envolviam duas companhias aéreas, uma jogava a responsabilidade para a outra e ao final desisti até mesmo de reclamar. Eu precisava dar um novo rumo à aquela situação, pois nada de prático e efetivo eu estava colhendo apenas procurando os responsáveis por todo aquele tumulto. Eu, e ninguém mais, precisava fazer alguma coisa para fazer o que me levara até aquele lugar.
 
Na segunda noite, decidi refazer parte dos moldes. O trabalho que levei quatro meses para fazer jamais seria feito em poucas horas. Depois de encarar e principalmente aceitar a realidade, passei quatro madrugadas fazendo o que pude. De longe, discuti com minha professora de costura o que seria melhor fazer, arregacei as mangas e me esforcei para manter os olhos abertos e a mente tranquila.
 
Me perguntaram qual seria a palavra para definir aquele momento. Adaptação, respondi. Precisamos aprender a trabalhar com o que temos às mãos, que muitas vezes pode ser apenas nossa capacidade de pensar e falar, assim como nossa força de enfrentar situações adversas. E essa força sempre temos. Confesso que foi cansativo, mas deixou de ser tenso depois que parei de lamentar e decidi agir.
 
A mala me foi entregue nove dias depois que desembarquei, exatamente no momento em que a maior parte do que estava lá dentro perdera sua função. Mas tudo o que ela passou a representar me ensinou muita coisa. Longe de termos que aceitar passivamente os reveses que nos acontecem, devemos, sobretudo, procurar sair das dificuldades por eles trazidas com as ferramentas que ninguém consegue extraviar e muito menos tirar de nós mesmos.


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