Publicidade

Estado de Minas

O apoio do governo às startups é necessário na pandemia de COVID-19

O ecossistema brasileiro conta com 13.087 startups mapeadas, segundo o Startupbase. Nos últimos anos, houve crescimento significativo desse número de, em média, 26,5% ao ano.


postado em 30/05/2020 04:00 / atualizado em 30/05/2020 08:05

O professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, diz que impactos estão relacionados à aceleração forçada do processo de transformação digital das empresas (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press 19/8/09)
O professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, diz que impactos estão relacionados à aceleração forçada do processo de transformação digital das empresas (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press 19/8/09)

Mais da metade (53,2%) das startups brasileiras (empresas embrionárias e de base tecnológica) sofrem impactos negativos em razão da pandemia provocada pela COVID-19, como perda de receita, prejuízo à dedicação das equipes e uso de espaços. A constatação é da pesquisa “Startups e os desafios da pandemia: adaptações e reinvenções no ecossistema”, realizada pela Fundação Dom Cabral (FDC) e pelo hub de inovação Órbi Conecta, com o apoio da Associação Brasileira de Startups (Abstartups).
 
Com relação às reações das empresas frente à crise, entre aquelas que foram negativamente afetadas, as principais medidas adotadas foram: corte no orçamento deste ano para projetos planejados e em desenvolvimento; paralisação de negociações de parcerias, investimentos ou participações em projetos com outras empresas; e adiamento de projetos por prazo indeterminado.
“Ainda que a pandemia provoque impactos negativos consideráveis para todos os setores da economia, por outro lado, cria oportunidades únicas para as startups. Elas possuem a capacidade de se adaptar rapidamente e devem usar isso a seu favor para entender a direção das novas demandas dos clientes e assim sobreviver”, disse Anna Martins, co-fundadora e diretora-executiva do Órbi Conecta.
 
Quase um terço (30,9%) das startups foram positivamente afetadas, com demanda de novos clientes, criação de novos produtos e crescimento da receita. O grupo não afetado engloba apenas 4,2% dos participantes da pes- quisa. Uma parcela de cerca de 11,7% não consegue identificar, ainda, os impactos para suas empresas.
 
Há efeitos comuns, como pressão para resolver problemas de curto prazo, mudança nas prioridades estratégicas das empresas e alteração das expectativas de faturamento para os próximos anos.
“Alguns dos principais impactos estão relacionados à aceleração forçada do processo de transformação digital das empresas. Embora isso já venha ganhando espaço há algum tempo, nunca foi tão crucial para a adaptação e reinvenção dos negócios e dos relacionamentos com o ecossistema”, afirma o professor Carlos Arruda, diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC e responsável pela pesquisa.
 
O ecossistema brasileiro conta com 13.087 startups mapeadas, segundo o Startupbase. Nos últimos anos, houve crescimento significativo desse número de, em média, 26,5% ao ano. Em 2019, a economia global de startups foi avaliada em US$ 2,8 trilhões e cresceu mais de 10% ao ano, cerca de três a quatro vezes mais rápido que o resto da economia, de acordo com a Abstartups.


O papel do governo  

A crise provocada pela Covid-19 pode provocar o desaparecimento de empresas de alto crescimento (EACs), alertou a Endeavor, organização mundial de apoio a empreendedores. Segundo o Banco Mundial, as EACs são motores poderosos de crescimento de empregos, inovação e produção. Hoje, no Brasil, elas representam 0,5% das empresas em atividade, mas são responsáveis por gerar 70% dos novos empregos no país (IBGE, 2018).
 
A Endeavor divulgou um posicionamento oficial que reúne medidas para salvar as também chamadas scale-ups no país, concentradas em três frentes: flexibilização do acesso a crédito, diferimento de tributos e clareza e segurança jurídica para implementação das medidas trabalhistas. O documento foi enviado a órgãos do governo e bancos públicos.
 
“Neste momento de crise, os meses viraram semanas e os dias viraram horas. Quando pensamos nas empresas mais inovadoras do país, podemos vê-las morrer nos próximos quatro meses se nada for feito. É urgente que decisões sejam tomadas pelo poder público para salvar a inovação e empregos”, afirma Camilla Junqueira, diretora-geral da Endeavor.
 
A Endeavor estima que muitas scale-ups só conseguirão sobreviver pelos próximos 2 a 4 meses, caso não consigam recursos para ajudar a custear sua operação. A maioria não possui reservas financeiras suficientes para atravessar o período de desaceleração da economia e sofre riscos de quebrar.
 
 
Pílulas
 
As inscrições para o programa Scale-Up Endeavor, que reúne os principais cases do setor no país, estão abertas até 22 de junho. 
Saiba mais no site endeavor.org.br/scaleup.

A L'Oréal Produtos Profissionais anunciou um plano de apoio para reabertura dos salões de beleza de Minas Gerais, de acordo com as instruções das autoridades locais. Vai distribuir kits de proteção 
e guia de higiene e segurança.

Para evitar que produtos parados nos estoques das indústrias sejam descartados no meio ambiente, a startup XPrajá criou a solução de recolocação de produtos no varejo. Neste ano, só em Minas, evitou o descarte de cerca de 20 mil toneladas.

A plataforma de cupons de desconto Cuponeria já gerou economia de mais de R$ 250 mil aos bolsos dos mineiros desde 11 de março, início da pandemia. Em seu site e aplicativo, distribui cerca de 1 milhão de cupons por mês, conta com 5 milhões de usuários e 1 mil empresas parceiras, como Marisa, KFC e Burger King. 

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade