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Crenças limitantes financeiras são como brincar de telefone sem fio

Na vida adulta, a brincadeira vira coisa séria e pode nos trazer problemas. Por outro lado, reconhecer essas crenças pode ser o que precisamos para prosperar


24/02/2021 06:00 - atualizado 24/02/2021 07:12

Você provavelmente já brincou de telefone sem fio na infância. Para refrescar sua memória, a brincadeira funcionava assim: uma pessoa falava uma determinada palavra ou frase para o colega do lado, que deveria repetir a mesma expressão no ouvido do colega seguinte, e assim por diante.

Como não é possível dar explicações ou repetir mais de uma vez para que a outra pessoa entenda o que foi dito, é muito comum que ruídos e interpretações erradas façam com que mensagens equivocadas sejam passadas um a um e, no andar da brincadeira, uma boa parte dos participantes tenha sido impactada pela mensagem distorcida.

brincadeira é uma opção divertida para a criançada, mas você já parou para pensar no quanto, ao longo da vida, você recebe influências de crenças limitantes relacionadas ao dinheiro, das pessoas com quem convive, e as repete nos seus comportamentos e palavras?

Essas frases, aparentemente inocentes, influenciam negativamente a forma como você se enxerga e se relaciona com o universo das finanças. As distorções podem ser repetidas por você e influenciar a vida e as decisões de outras pessoas — familiares, amigos e colegas. Assim o ciclo se repete até que alguém decida olhar para a repetição de forma mais crítica.

Dá até um sustinho, não é? Acomode-se na cadeira e invista alguns minutos do seu dia para entender como esse mecanismo funciona, e como se livrar das crenças limitantes que podem travar a sua vida financeira!

Começando pelo principal: o que são crenças limitantes?


Ninguém mais, ninguém menos do que Sigmund Freud, o pai da psicanálise, disse: "Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais: somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos 'sem querer'."

Todas as nossas experiências, desde que nascemos, mesmo aquelas que não nos lembramos, compõem a nossa formação psíquica. Cada momento, frase ouvida ou situação vivida é como uma peça de um quebra-cabeça que forma o nosso aprendizado e quem somos.

E é claro que não somos influenciados apenas por crenças e vivências positivas. Existem algumas frases que, no telefone sem fio das pessoas com quem convivemos, podem até parecer corretas em um primeiro momento, mas que precisam ser analisadas de forma crítica à medida que amadurecemos.

Assim acontece no caso das crenças limitantes negativas: elas representam visões que, em muitos contextos, são equivocadas. Mas, pelo fato de parecerem normais e corretas, as enxergamos como verdades absolutas, sem questioná-las. Aí elas se manifestam na nossa vida das mais diversas formas, envolvendo os pensamentos, os sentimentos e, por fim, as nossas atitudes.

Ter crenças não é ruim. Mas, como o próprio nome indica, as crenças limitantes limitam. Representam um obstáculo, ao invés de um estímulo para a evolução pessoal de cada um.

As crenças limitantes da vida financeira


É fato que lidar com dinheiro envolve problemas que são muito práticos: a falta de emprego, mudança nos preços das coisas que compramos, o surgimento de um gasto emergencial, entre outras coisas.

Só que, em vários casos, a nossa postura frente aos problemas é definida com base naquelas crenças limitantes que absorvemos ao longo da vida. Às vezes é algo tão automático que a gente nem pensa antes de fazer.

Quando não paramos para pensar, nós apenas repetimos comportamentos. No caso das crenças limitantes sobre dinheiro, como o próprio nome indica e já reforçamos anteriormente, é importante perceber que elas limitam e reprimem a nossa possibilidade de fazer escolhas diferentes e, assim, ter mais qualidade de vida financeira do que temos hoje.

Exemplos que você deve conhecer


Agora é a hora de ver como essas crenças fazem parte da nossa vida. Veja alguns exemplos:

1- Quem nasce pobre morre pobre


Essa crença parte do pressuposto de que só é possível ter tranquilidade financeira se você já nasce rico, ou tem muita sorte. O que não é verdade!

É fato que pessoas que já nascem com condições melhores possuem mais chances ou oportunidades para ter mais qualidade de vida financeira, mas buscar essa meta ao longo da vida tem mais a ver com disposição para buscar conhecimento, disciplina e persistência.

Nascer em uma família mais humilde não é uma sentença de pobreza. O próprio contexto mais escasso pode ensinar muito sobre como economizar e priorizar as finanças, que são habilidades fundamentais para ter saúde financeira!

2- Se tá rico, é porque fez alguma coisa errada


Essa é famosa, viu? Quantas vezes nos pegamos julgando alguém que enriqueceu, assumindo que, para isso, a pessoa certamente comprometeu seus valores morais? Essa crença limitante é antiga e vem do tempo em que era comum demonizar o lucro, como se enriquecer fosse, de fato, algo ruim.

Não é necessário recorrer a meios ilícitos para ter uma condição financeira melhor! Não seria muito melhor se a gente trocasse o olhar de julgamento por um olhar curioso para aprender como a pessoa fez para chegar lá?

Assim como não há relação entre ser pobre e ser honesto ou desonesto, não se deve fazer esse tipo de avaliação apenas com base no quanto de dinheiro alguém possui.

3- O dinheiro é a raiz de todo mal


Dos mesmos criadores da crença anterior, vem aquela frase que nos faz acreditar que o dinheiro é a raiz dos males do mundo. É como se a vida fosse uma novela e o dinheiro fosse aquele vilão carrasco que está ali à espreita para prejudicar a vida de todo mundo, o tempo todo. Será mesmo?

Já parou para pensar que essa é apenas uma forma de terceirizar a responsabilidade pelos atos ruins de algumas pessoas?

O dinheiro é só um pedaço de papel. Não tem o poder de escolha sobre ninguém! O que cada pessoa faz com ele é que pode ser bom ou ruim, a depender dos princípios morais de cada um.

Em outras palavras, o dinheiro não tem culpa de nada. Ele é apenas um gatilho que serve para revelar as intenções particulares de uma pessoa.

4- Vou gastar porque não sei se estarei vivo amanhã


Se você guardasse R$ 1 a cada vez que diz ou pensa essa frase, quanto já teria economizado até hoje?

Essa é uma crença limitante que, muitas vezes, é estimulada pela família ou grupo de amigos, e acaba sendo uma grande armadilha. Nosso cérebro é viciado em recompensas e, quando damos a ele recompensas imediatas ao invés de nos organizar financeiramente para alcançar sonhos maiores, que demandam mais recursos financeiros, ficamos presos a uma vida cheia de prazeres momentâneos, mas vazia de grandes conquistas.

Isso não quer dizer que só se deve viver pensando no futuro. É necessário aproveitar o presente porque a vida acontece agora, mas não dá para negar que o futuro pode — e, se tudo der certo, vai — chegar. É importante estar preparado para ele! Assim, você garante que o seu futuro presente será tão ou mais feliz do que hoje.

5- Dinheiro não traz felicidade


A felicidade é resultado de um conjunto de coisas na nossa vida: amor próprio, liberdade, relacionamentos, conquistas, e uma série de outras coisas. De fato, o dinheiro não compra nenhuma delas.

Mas o dinheiro pode proporcionar liberdade financeira, a qual é capaz de evitar uma série de problemas que podem prejudicar nossa busca por felicidade. Além disso, quase todo sonho precisa de dinheiro para ser realizado: seja a casa própria, uma viagem, estudar em outro país, ter um carro, ou tantas outras opções.

Então, dinheiro não traz ou compra felicidade. Mas abre vários caminhos para isso!

Como desconstruir as crenças limitantes financeiras e desenvolver uma nova mentalidade?


O maior perigo das crenças limitantes está no fato de que, na maioria das vezes, sequer temos consciência de que existem. Portanto, o primeiro e mais importante passo a ser dado é a identificação delas.

Essas barreiras parecem, muitas vezes, invisíveis. Mas, à medida que treinamos nosso olhar para identificá-las, fica muito mais fácil ultrapassá-las. É aquela história de sair do piloto automático, sabe como é?

Com isso, deixamos de ser apenas reféns dessas crenças, para nos tornarmos verdadeiros agentes de mudança da nossa própria mentalidade financeira.

É importante lembrar que reconhecer a existência das crenças limitantes sobre dinheiro não significa, automaticamente, eliminá-las do nosso dia a dia. Deslizes podem — e, sinceramente, vão — acontecer ao longo do processo.

Só que a boa notícia é: você estará com os olhos preparados para identificar o comportamento prejudicial a cada vez que ele acontecer! E, em seguida, poderá trabalhar para não repetir o mesmo erro!

Afinal, errar uma coisa, uma vez, é humano. Errar mais vezes em uma mesma situação evidencia que há um aprendizado esperando para ser absorvido. Concorda?

Uma dica que pode te ajudar no processo de mudança é começar a observar as pessoas com quem você mais conviveu ao longo da vida: como elas falam sobre dinheiro? Qual é a reação delas quando alguém toca no assunto?

Se você já identificou que se afeta por conta de alguma crença limitante, uma estratégia que pode ser útil é anotar as situações da sua vida em que essa convicção influenciou as suas escolhas.

Já deixou de aceitar um bom emprego por medo de não ser bom ou boa o suficiente? Já julgou alguém que enriqueceu, achando que era uma pessoa desonesta? Já gastou mais do que deveria em uma festa por se esquecer que “o amanhã” chega? Já colocou a culpa de desavenças familiares no dinheiro? Esses são apenas alguns exemplos de situações que nós podemos vivenciar com um olhar limitado, que resulta das crenças negativas sobre dinheiro.

Use um caderninho simples ou um bloco de notas. Fazer registros nos ajuda a lembrar e, assim, evitar repetir as mesmas atitudes negativas. Faz sentido pra você? Veja mais dicas de como se organizar e ter uma vida financeira mais saudável lá no Pago Quando Puder!

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