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Estado de Minas COLUNA

História que não se apaga

Descem Jesus da cruz com extrema piedade e carinho, lavam o corpo do Senhor, perfumam e O envolvem no lençol de linho


10/04/2022 04:00 - atualizado 07/04/2022 09:10

Ilustração de Jesus retirado da Cruz
(foto: Ilustração)

 
Nesta semana em que a Igreja comemora o momento mais importante da vida de Jesus, a Páscoa, encerrando os sete dias das dores, que começam com a sua chegada em cima de um burrinho diante de uma cidade alegre e emocionada cantando “Hosana” até a alegria da ressurreição do próximo domingo, tempo de rever alguns personagens dessa paixão.

Uma história que não se apaga nunca. Vamos para a sexta-feira santa, quem sabe citando pelo grau de importância, ou desimportância, dos que ficaram aos pés da cruz, ou das autoridades que o mandaram executar.
 
Já nascera o dia e os habitantes da cidade acordavam e corriam às portas e janelas para ver um preso passar por algumas ruelas a caminho da casa de Pilatos. A cara desfigurada pelas pancadas durante a madrugada. Jesus passa, então, da jurisdição do sinédrio para a romana, visto que as autoridades judaicas podiam condenar à morte, mas não podiam executar a sentença.
 
Tudo acontecendo nas primeiras horas da manhã, porque todos têm pressa, querem acabar logo, antes das festas. Começa a cumprir-se ao pé da letra o que Cristo havia anunciado: “Ele será entregue aos gentios, zombarão Dele, O insultarão e Nele cuspirão”. Como de costume, Pilatos senta-se no tribunal também nas primeiras horas da manhã.
 
Mas no palácio do governador romano, os que acusavam Cristo não quiseram entrar para não se contaminar e poderem comer a Páscoa, pois os judeus ficavam impuros se entrassem em casa de estrangeiro. À tarde, são degolados os cordeiros para o banquete da noite, daí a necessidade da pureza ritual.
 
Prefeito da província romana da Judeia do ano 26 d.C até o ano 36, as informações sobre Pilatos são controversas. Filão de Alexandria, contemporâneo de Jesus, traça dele uma imagem negativa, caracterizando-o como cruel, com frequentes execuções de presos que não haviam sido julgados e uma ferocidade sem limites.
 
Flavio Josefo, por sua vez, relata que Pilatos utilizou fundos sagrados para construir um aqueduto, o que provocou uma revolta suprimida de forma sangrenta. Bento XVI analisa que o governador romano sabia intervir de modo brutal se lhe parecesse necessário para a ordem pública, mas que ele tinha plena consciência de que Roma devia seu domínio sobre o mundo à tolerância às divindades estrangeiras e à força pacificadora do direito romano.
 
De qualquer forma, Pilatos cometeu a maior injustiça judiciária da história por ter sido o juiz da execução de Jesus e, ironicamente, entrar com o seu nome no Credo, recordando que a fé cristã é uma religião que tem fundamento histórico, com a Paixão comprovadamente realizada em lugar concreto e em período concreto, quando Pilatos era prefeito da Judeia. E ainda deixa eternizada a frase “Eis o homem” (Ecce homo, em latim), dita aos judeus após lavar as mãos.
 
Os dois condenados junto com Jesus sabiam ser merecedores da punição, mas um reconhece: “Lembra-te de mim quando estiveres no paraíso”.  Cristo diz: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. E o bom ladrão entra para a história sagrada. Nicodemos não procurava mais se esconder como “um dos seus”.  Chega com cem libras de uma mistura de mirra e aloés para envolver o corpo do crucificado. É uma quantidade extraordinária de perfumes, muito maior do que a medida comum. Para Bento XVI é, enfim, “uma sepultura real”.
 
Oriundo de Arimateia, povoado de Judá, rico comerciante, José não concorda com a crucificação e não teme se expor ao pedir o corpo a Pilatos, seu amigo pessoal. José de Arimateia e Nicodemos têm pouco tempo para sepultar o corpo, pois a festa do dia seguinte começava ao entardecer. Descem Jesus da cruz com extrema piedade e carinho, lavam o corpo do Senhor, perfumam e O envolvem no lençol de linho como os judeus costumavam sepultar.
 
Os romanos abandonavam os corpos dos crucificados, deixando-os ali mesmo, aos abutres, como intimidação, mas os judeus faziam questão de que fossem sepultados, havendo lugares atribuídos pelas autoridades para este fim. Daí a preocupação das pessoas daquele pequeno cortejo que acompanhava a crucificação em seguir os costumes judiciários judaicos e respeitar a hora. Antes que brilhasse no céu a primeira estrela tudo já deveria ter terminado.

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