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Estado de Minas COLUNA

A fé deve estar presente todo santo dia

Vai ser a hora de aproveitar a paciência do outono, sua crepuscular paisagem. No outono dá para pensar que a vida deve ser bem feliz. E será


27/02/2022 04:00 - atualizado 27/02/2022 08:17

coração com flor
Contemplar as flores roxas que enfeitam ruas e avenidas na quaresma como o convite a um modo de viver no mundo e com o mundo com mais delicadeza e generosidade (foto: Ilustração)

Seja na chuva ou com a Covid, em qualquer cidade, estamos todos preocupados com notícias assustadoras que colocam a indignação dentro da sala de visitas. Graças a Deus, temos a bênção dos sacerdotes, que ainda esperam uns dias de verão, pois pelo menos a Igreja já entrou no momento sagrado e comovente da quaresma, que nos enche de graça.
 
E logo, logo vem o outono se abrigando no afeto sereno que a lua minguante, ainda tímida lá em cima, prefere aparecer nas horas mais tardias da madrugada. Finalmente, a cidade vai acordar, brilhar, piscar e acender com mais intensidade. Vai ser a hora de aproveitar a paciência do outono, sua crepuscular paisagem. No outono, dá para pensar que a vida deve ser bem feliz. E será.

Na quaresma, voltamos para o Antigo Testamento, que, como os israelitas, passaram 40 anos atravessando o deserto, enfrentando a fome e a sede, um chão desconhecido, o calor do dia e o frio da noite. Caminhando na certeza de que a manhã trará o maná branco como as sementes de coentro, que do rochedo brotará água, e que o mar sempre abrirá para quem tiver coragem para nele colocar os pés e acreditar que há uma terra prometida para cada um de nós.
 
Como Noé, que durante o dilúvio passou 40 dias na arca com sua família e os animais, temos também a nossa arca, nossa casa, nosso lar, confiando que a chuva vai cessar, que vamos degelar as águas e deixá-las fluir para recriar uma nova corrente, merecer um novo arco-íris, fazer laços dos retalhos.

Como Moisés, que passou 40 dias no Monte Sinai para receber as leis das mãos do Senhor, vivamos esses 40 dias confiantes de que jejuando e orando e acreditando e esperando Ele virá para nos dizer que podemos manter as velhas lembranças desde que tenhamos novas esperanças.

Como o profeta Elias, que levou 40 dias para chegar ao monte Horeb, ele se encontrou com Deus, para ter os pés fortes para a caminhada, saboreando a brisa que desce da montanha, com força, resistência e fibra para retomar, reformar, moldar, amadurecer e ter fé todo santo dia.
 
Como a quaresmeira, que só floresce na quaresma encantando pela sua notável beleza, contemplemos essas alamedas de flores roxas que enfeitam ruas e avenidas como o convite a um modo de viver no mundo e com o mundo com mais delicadeza e generosidade.

Temos 40 dias para seguir os israelitas, Noé, Moisés ou Elias, e passar pela solidão no deserto, o dilúvio ou a distância do Monte Horeb. Sejamos quaresmeiras, de raiz forte, sementes maduras e galhos que atraem beija-flores.
 
Ó sacerdotes do mundo inteiro, servindo em igrejas ou capelas cheias de calma e em basílicas de muitos altares, sacerdotes das grandes cidades e das periferias das metrópoles; ó sacerdotes das paróquias nos vales, reservando suas casulas de seda ou damasco roxas para as celebrações litúrgicas e com elas dirigindo o povo, o nosso povo, nesse tempo de penitência e conversão.
 
Ó músicos e cantores que cantam louvores na missa, vestem nossos instrumentos e nossas vozes, de roxo vestidas, sejam mais fervorosas para saudar o Senhor. Vocês que chegam cansados do trabalho e cansados de procurar emprego; que andam oprimidos e felizes da vida; ó vocês que choram a perda do ente querido e que enfrentam doenças difíceis; que estão descalços e parados nas margens; vocês que jejuam, rezam de joelhos, que fazem sacrifícios; vocês que desistiram do sorriso, e são generosos e jovens cheios de alegria.
 
Ó vocês, de todas as idades, homens e mulheres, vistam-se de roxo para subir até Jerusalém acompanhando este galileu que passa carregando uma cruz e distribuindo seu amor que não passa. Ó vocês, todos vocês, vistam roxo, o roxo da quaresmeira, que vai se encher de flores para saudar a Páscoa, o verdadeiro sentido da quaresma. Ó vocês, vistam suas vestes e seus corações.

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