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Estado de Minas COLUNA

Caminhando

A cruz aparece não como a última da vida, mas como aquela que se vive diariamente e passa a fazer parte da vida do discípulo


06/06/2021 04:00 - atualizado 04/06/2021 14:09

Quando o novo ano começou, passamos 40 dias revestidos do roxo da quaresma. Em reflexão, jejum, penitência, combate espiritual, conversão e oração. Quarenta dias em preparação à Páscoa do Senhor, maior solenidade cristã. Sete deles refletindo a santa semana de Jesus.

A entrada triunfal em Jerusalém, as sete dores de Maria e a companhia fiel das mulheres vindas da Galileia, a debandada dos discípulos, Jesus passando entre nós com sua cruz, a prisão e a Paixão, o julgamento no Sinédrio e a maior injustiça judiciária da história praticada por Pilatos, a agonia e a morte, a sepultura digna providenciada por Nicodemos e José de Arimatéia.

Depois, passamos 50 dias revestidos de branco do tempo pascal. Em alegria pela pedra removida, as faixas de linho no chão, o túmulo vazio, o encontro do Cristo glorificado com as mulheres de Jerusalém e os discípulos, os 40 dias entre eles, a ceia de Emaús e a pesca milagrosa, a ascensão em uma montanha na Galileia após as últimas instruções, a ventania e as línguas de fogo no Pentecostes, quando o Espírito Santo derrama seus dons sobre todos. E revivemos as leituras dos Atos dos Apóstolos, contando a vida da igreja primitiva, a liderança de Pedro, a conversão de Paulo e a pregação do evangelho em todos os confins da Terra.

Agora, voltamos ao verde dos tempos comuns. Tempos da vida pública do Mestre, do dia a dia de Jesus cercado pelas multidões, escandalizando as autoridades religiosas, os fariseus apegados às leis. Tempo de leprosos serem limpos e demônios se retirarem dos corpos que aprisionam. Tempos em que um centurião, pela fé, consegue a cura de seu servo (“Não sou digno de que entreis em minha casa”), da cura do cego Bartimeu à saída de Jericó, do pequenino Zaqueu em cima da árvore só para ver Cristo passar.

Os tempos de Jesus pregando a misericórdia, o Reino e o perdão, enquanto sobe para Jerusalém. Jesus caminhando por prados e campinas, vales e montes, pregando dentro dos barcos, curando aos sábados, orando ao Pai afastado do grupo, amando, amando, amando. Contando histórias de tesouros encontrados e dracmas perdidas, bebendo a água da samaritana, deixando que uma pecadora derrame sobre seus pés um frasco de nardo. Depois, tem sempre uma mensagem importante, que vem do Pai, para comunicar ao grupo.

Jesus passou algum tempo pregando o Reino do Céu aos pobres, marginalizados e oprimidos, formando à sua volta um grupo de pessoas que apreciam seu comportamento e passam a sonhar também com a criação de um novo mundo, com justiça, liberdade e paz para todos. O Mestre caminha em direção a Jerusalém, final do seu ministério. Agora, Jesus faz até uma espécie de balanço da sua missão, usando uma curta sondagem: “Quem dizem as multidões que eu sou?”.

Cristo sempre provocou admiração entre as pessoas, mas não se sabia como defini-lo. Houve questionamentos coletivos sobre seus ensinamentos “com autoridade” nas sinagogas, entre seus conterrâneos e os próprios discípulos. O povo o identificou com figuras do passado, como Elias ou algum profeta. E os espíritos impuros garantiam saber quem Ele era. Voltando à multidão, Jesus prega um novo estilo de cami- nhada. A cruz aparece não como a última da vida, mas como aquela que se vive diariamente – passa a fazer parte da vida do discípulo.

Nestes dias comuns da vida, enquanto a pandemia sempre aparece de um jeito ou de outro, criando cepas diferentes, revelando sempre o inesperado, encontramos os amanheceres envoltos em neblinas, que vão baixando aos poucos enquanto os primeiros raios do sol pintam no horizonte. No tempo comum de Jesus, vivemos estes dias cheios de histórias, de um Senhor sempre em movimento, pregando, pregando, pregando. É tempo de verde e esperança. Caminhemos.

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