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Estado de Minas COLUNA

O jumentinho da paz

Da união do eu e você, tu e vós, nós e eles surge uma comunidade de fiéis conscientes de seu papel na história


28/03/2021 04:00 - atualizado 25/03/2021 10:27



Na entrada em Belém, os judeus nem perceberam que o “Rei” tinha como trono um burrinho e que sua proposta era para uma vida eterna, e não para soluções imediatistas e pequenas. A multidão se movimenta com alegria, enquanto um filhote nunca usado para nenhum tipo de trabalho (para seguir a tradição bíblica), dócil e comum, usa sua primeira função na vida para transportar o Messias.

As pessoas cobrem o chão com ramos, estendem seus mantos, entoam salmos, louvam o príncipe da paz, que é aclamado como rei, embora não tenha uma corte como séquito nem esteja acompanhado por um exército (símbolo de força).
 
Neste domingo, vale a pena refletir sobre essa singela história sobre o jumentinho que chega em casa todo feliz e conta para a mãe que não sabia ser tão querido pelas pessoas. Ele fala que tinha ido na cidade e que eles jogaram galhos de árvores para ele passar, cantaram, acenaram, fizeram uma festa linda para ele. Aí a mãe do jumentinho fez uma pergunta simples:

– Tinha alguém em cima de você?

– Um homem chamado Jesus.

– Então volta lá, agora sozinho.

Ele vai à cidade e volta triste, muito triste.

– Mãe, não entendi nada. Agora eles me jogaram pedras, gritaram para eu sair da frente. Não entendi por que me maltrataram.

– Porque sem Jesus você é só um jumentinho.

Neste domingo de ramos, abertura da semana santa, interessante como faz sentido contar um caso brejeiro do mundo da história sagrada, lembrando de animais considerados humildes, mansos e inocentes, como jumento e ovelha.

O jumento é um elemento recorrente na vida de Jesus. Ainda no ventre de Maria, foi o animal escolhido para levá-la junto com José até Belém. Depois, nos braços da mãe, lá estava Jesus de novo em cima de um jumento na fuga para o Egito. E agora na entrada triunfal em Jerusalém, além de também estar presente em várias passagens do Antigo Testamento.

Segundo alguns estudiosos, o jumento foi escolhido porque, na tradição oriental, era considerado um animal de paz, ao contrário do cavalo, que seria símbolo de guerra. Histórias antigas contam que um rei chegava montado em um cavalo quando queria guerra e num jumento em caso de paz.

Acontecida logo após a ressurreição de Lázaro, a entrada em Belém é narrada pelos quatro evangelistas e é um resumo dos acontecimentos e abertura solene da semana santa, que tanto trata da vida e triunfo (rosto vitorioso) como da tristeza da paixão (rosto doloroso).

Depois dos 40 dias de retiro quaresmal, a Igreja inicia a semana santa, centro do ano litúrgico, que celebra o acontecimento que marcou a história da sua evangelização, a Páscoa de Cristo, fazendo um percurso pelos últimos acontecimentos vividos por Ele antes de morrer na cruz e ressuscitar para a redenção da humanidade.

Tudo acontece a partir da memória que a Igreja conserva da hora de Jesus, em ritos de tradições muito antigas, cuja força está baseada na fé e piedade de cristãos de dois milênios.

Da união do eu e você, tu e vós, nós e eles surge uma comunidade de fiéis conscientes de seu papel na história. Na quaresma, geograficamente fomos subindo até Jerusalém com Cristo, acompanhando-O a proclamar a boa-nova na Galileia, como nas cidades de Nazaré e Cafarnaum, o Lago de Genesaré, povoados da Judeia, Naim, Betsaida, Jericó, Betfagé e, então, Betânia, de onde Ele sai montado no burrinho – aqui começa nossa semana santa, que a cada dia vai vivendo os acontecimentos até chegar ao ponto alto da paixão de sexta-feira.

Reconhece a dor do Homem que vai passar carregando a cruz? É o mesmo que chegou a esta cidade aclamado pela multidão com alvoroço e júbilo. Nessa sexta-feira, não haverá Nele mais nenhum vestígio daquela tarde de festa. Não haverá vestes jogadas no chão para dar majestade ao seu caminho.

Nenhum ramo, um pedacinho de ramo de oliveira que seja que tenha sobrado escondido entre seus cabelos, agora despenteados e encharcados de sangue e espinho. Nem o burrinho aparecerá para O carregar até o “lugar da caveira”, o Gólgota. É no próximo domingo que os cristãos farão sua maior festa. Falando da vida eterna e da felicidade de um céu com Deus. Hoje, sexta, será dia de dor.

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