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Estado de Minas ENTRE LINHAS

As 11 teses negacionistas alimentadas pelo presidente Jair Bolsonaro

O negacionismo explora o senso comum para construir teorias conspiratórias. A manipulação da informação é fundamental para explorar a boa fé e a ignorância


27/08/2021 04:00 - atualizado 27/08/2021 07:33

Bolsonaro entre apoiadores: presidente insiste sistematicamente em divulgar teses negacionistas sobre a pandemia de COVID e urna eletrônica(foto: EVARISTO SÁ/AFP)
Bolsonaro entre apoiadores: presidente insiste sistematicamente em divulgar teses negacionistas sobre a pandemia de COVID e urna eletrônica (foto: EVARISTO SÁ/AFP)


Por definição, negacionismo é o ato de negar uma informação estabelecida em bases científicas, ou seja, amplamente estudada e comprovada. Suas características são a manipulação de informações, a utilização de falsos especialistas e as teorias conspiratórias. O negacionista assume uma postura irracional e ideológica, prefere acreditar em informações falsas e sem comprovação, despreza ciência e refuga as verdades inconvenientes. Na ciência, destacam-se o negacionismo do aquecimento global e o da esfericidade terrestre; na História, o do Holocausto. O Brasil vive uma onda negacionista, liderada pelo presidente Jair Bolsonaro e seus filhos.
 
O negacionismo explora o senso comum para construir teorias conspiratórias. A manipulação da informação é fundamental, geralmente por falsos especialistas, que exploram a boa fé e a ignorância. Com o advento das redes sociais, utiliza-se em larga escala das fake news, formando grandes correntes de propagação de mentiras. São teses negacionistas: 

1 – Gripezinha – Desde o começo da pandemia, o presidente Jair Bolsionaro adotou uma política negacionista em relação à pandemia de COVID-19 e defendeu a chamada “imunização de rebanho”, cuja consequência foi o descontrole sobre a propagação da doença. O número de vítimas fatais se aproxima de 600 mil óbitos.

2 – Cloroquina – Em vez de providenciar a imunização em massa da população, o presidente Bolsonaro defendeu o uso indiscriminado de um “coquetel” ineficaz contra a doença, formado por hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina, vitamina D e zinco. Uma CPI no Senado investiga a máfia que se formou no Ministério da Saúde para ganhar dinheiro sujo com a pandemia. 

3 – Vírus chinês – Nas redes sociais, disseminou-se a tese de que o novo coronavírus, de procedência chinesa, teria sido produzido em laboratório e propagado propositalmente pela China, para prejudicar a economia mundial, no contexto da guerra comercial com os Estados Unidos. A tese provocou um incidente diplomático com a China. 

4 – CoronaVac – A eficácia da vacina produzida pelo Instituto Butantã ainda é questionada pelo presidente Bolsonaro, muito embora tenha sido a principal alternativa para conter a pandemia. Nesta semana, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ao anunciar a terceira dose das vacinas, excluiu a CoronaVac, muito embora milhões de brasileiros tenham sido imunizados pelo produto de origem chinesa. 

5 – Voto impresso – Bolsonaro defende o voto impresso e dissemina a tese de que a urna eletrônica não é confiável, levantando suspeitas sobre a lisura das eleições de 2022, embora nunca tenha sido comprovado um caso sequer de violação da urna eletrônica. A proposta foi rejeitada pela Câmara, por ampla maioria, além de contestada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

6 – Poder moderador – O artigo 142 da Constituição de 1988 estabelece que “As Forças Armadas (...) destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Com base neste artigo, Bolsonaro atribui aos militares o papel de Poder Moderador, que não existe na Constituição, cuja interpretação cabe ao Supremo e não ao “comandante supremo” das Forças Armadas.

7 – Amazônia – O desmatamento da Amazônia é monitorado por instituições científicas de todo o mundo, sendo um dos fatores de aquecimento global, em consequência de atividades ilegais, como grilagem de terras, queimadas, derrubada da floresta, garimpo etc. Bolsonaro defende a exploração indiscriminada da Amazônia e acusa as ongs ambientalistas de estarem a serviço de potências estrangeiras. 

8 – Marxismo cultural – Os artistas, os intelectuais e a cultura estão sendo perseguidos pelo governo federal, a pretexto de que seriam agentes do chamado “marxismo cultural”. O cinema, o teatro, a música, as artes plásticas e até a memória cultural, hoje, são sufocados pelos dirigentes dos órgãos culturais.

9 – Racismo estrutural – A Fundação Palmares, criada para preservar e valorizar a cultura afro-brasileira e promover políticas afirmativas de combate ao racismo, nega o racismo estrutural. Tornou-se um órgão que não reconhece as comunidades de origem quilombola e combate o movimento negro, cujos líderes históricos renega, como Zumbi dos Palmares.

10 – Terras indígenas– O governo promove o desmonte da política indigenista, reconhecida internacionalmente e responsável pela sobrevivência da diversidade étnica das comunidades indígenas. A tese básica é de que há muita terra para poucos índios e que a cultura indígena não tem nenhum valor civilizatório.

11 – Diversidade – O presidente da República não reconhece e menospreza a diversidade de gênero e orientação sexual. A comunidade LGBTQ+ (qualquer pessoa não-heterossexual ou não-cisgênero, ou fora das normas de gênero pela sua orientação sexual, identidade, expressão de gênero ou características sexuais) sente-se ameaçada.
 
 

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