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Cinco pontos que explicam por que o América briga pelo título da Série B

Embora muitos holofotes estejam sobre Lisca, o sucesso americano, que pode levá-lo ao tricampeonato brasileiro, tem a assinatura de outros personagens também


07/01/2021 19:58 - atualizado 07/01/2021 20:41

Êxito do América sob o comando de Lisca se deve a vários fatores(foto: Mourão Panda/América)
Êxito do América sob o comando de Lisca se deve a vários fatores (foto: Mourão Panda/América)
Fora de Minas Gerais, muita gente “descobriu” o América a partir da reta final da Copa do Brasil, quando o Coelho despachou Corinthians e Internacional e por pouco não eliminou também o poderoso Palmeiras – cuja folha salarial é 14 vezes maior que a do clube mineiro.

Mas o que o time americano mostra agora nada mais é do que um trabalho que foi construído de forma consistente ao longo da temporada (com todas as particularidades que a COVID-19 permitiu) e, principalmente, que começou antes de 2020. 

Essa história pode ser contada por meio de cinco tópicos. São ângulos que, somados, formam o que o América é hoje. Todos, de certa forma, interdependentes, interligados pelo objetivo do brilho coletivo.

Embora muitos holofotes estejam atualmente sobre Lisca, o sucesso americano, que pode levá-lo ao tricampeonato brasileiro, tem a assinatura de outros personagens também.

O primeiro ponto de vista está justamente no comando. O América de Lisca é, de certa forma, uma continuidade do América de Felipe Conceição.

Em 2019, Felipe Conceição fez um trabalho impressionante de recuperação do Coelho na Série B do Campeonato Brasileiro. Tirou o time da lanterna e por muito pouco não o levou de volta à elite – perdeu a chance com a derrota para o São Bento, no Independência, na última rodada, resultado que deixou a equipe americana a um ponto do Atlético-GO, quarto colocado.

Com Felipe Conceição, foram 30 jogos, com 16 vitórias, nove empates e cinco derrotas. Mais do que números, o América se encorpou como time. Ganhou rodagem, estrutura para 2020. Logo no início do ano passado, Felipe Conceição pediu demissão (aceitou convite do Bragantino), abrindo caminho para Lisca, que deu a cara dele ao Coelho, se aproveitando de um alicerce que já estava pronto.

Aí chegamos ao segundo tópico. Lisca e América foi aquela conjunção astral favorável. Ele soube trabalhar com o que tinha em mãos, e os jogadores compraram a ideia dele. É nítido como o time é bem treinado, sabe o que fazer com a bola, há sintonia em campo.

Mesmo quando ocorrem mudanças, existe um norte, um esquema seguro, que não se desfaz. E isso é fruto direto do trabalho do treinador. Há uma clara relação de duas vias aí. E essa identificação foi tamanha que fez Lisca recusar convite para dirigir o Cruzeiro, por exemplo.

O terceiro também tem a ver com o trabalho de campo, porém, vai um pouco além. O América conseguiu formar um grupo equilibrado, e aqui também entra um pouquinho da herança de Felipe Conceição. Em todos os setores há um nivelamento. Um time que tem bons nomes na defesa, no meio e no ataque.

Essa coesão influenciou muito ao longo da campanha, tanto da Série B quanto da Copa do Brasil. Não há um astro, um craque intocável. São jogadores de bom nível contribuindo para o crescimento geral.

O quarto destaque vem dos bastidores: como a diretoria administrou bem a relação com a comissão técnica. Isso era uma preocupação do presidente Marcus Salum ao contratar Lisca.

No início de 2020, Salum disse: “Sou admirador do trabalho técnico do Lisca. Acompanhei alguns trabalhos, vi muitas entrevistas. E ele tem uns excessos que eu acho que ele tem que diminuir na carreira. Tive uma conversa franca com ele”.

Um dos episódios que explicam essa pulga atrás da orelha de Salum foi a briga (no sentido literal) que Lisca teve com integrantes da comissão técnica do Paraná em 2017, em um hotel de Belo Horizonte.

Por fim, um ponto que se tornou crucial desde a temporada passada. O América conseguiu gerir bem os casos de COVID-19 em seu grupo. Não passou imune, mas também não viveu surtos como outras equipes (o Atlético é uma delas). Foram 16 diagnósticos oficiais até agora, sendo 14 de jogadores.

A forma como o corpo médico americano tem lidado com a situação também merece reconhecimento, pois influencia diretamente no que é visto em campo.

Em suma, o América é a tradução perfeita do sentido de equipe. A esta altura do campeonato, ele só chega virtualmente garantido na Primeira Divisão e dependendo apenas de si para levar o terceiro título da Série B porque não deixou brechas ao longo da caminhada, nem viu um desses setores destoar. Cada um fez sua parte bem, e a consequência está aí.

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