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Estado de Minas BALADA

''Envelheço na cidade'', seção da HIT, conta a história das boates de BH

Às quartas-feiras, o colunista Helvécio Carlos relembrará a trajetória de casas noturnas que fizeram e fazem sucesso na capital mineira


12/01/2022 04:00 - atualizado 11/01/2022 23:44

Maurílio Anunciação no salão do Club Fantasy, em BH
Maurílio Anunciação comemora os 43 anos do Club Fantasy, a casa noturna mais antiga em atividade na cidade (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

Tim Maia já deu canja na noite de Belo Horizonte. Em sua agenda de shows na capital mineira, por duas vezes fez questão de ir à L’Apogée, boate que foi sensação a partir do fim dos anos 1980. Tim passou a noite lá cantando no scotch bar, ao lado de Zuza.

Arquiteta de renome, Freusa Zechmeister assinou o projeto da Tom Marron, que reinou do fim dos anos 1970 até o início dos 1990. O espaço era tão badalado que Pelé, ninguém sabe se por compromissos com o futebol ou a passeio, deu as caras por lá, numa bela noite.

Muito, mas muito antes de a Olympia, que funcionou nos anos 1990 no subsolo do Edifício JK, inovar com o jogo de luzes que abria a pista de dança, o bailarino Maurício Tobias já fazia as honras da Jambalaya, boate que funcionou na Álvares Cabral no final dos anos 1970, quando a discoteca era onda.

O bailarino conta que o convite veio de um dos donos do espaço. “Maurinho queria incrementar a noite de quinta-feira, vazia em relação à sexta e ao sábado. Por amor à dança, aceitei o convite sem ganhar um tostão, mas podendo convidar pessoas para irem comigo”, recorda Maurício. Sua equipe chegou a ter 20 pessoas, cujas coreografias entusiasmavam o público.

A inauguração da Jambalaya contou com Lauro Corona e Lídia Brondi, atores que faziam sucesso na novela “Dancin'days”.

Multidão de jovens dança na boate Le Galop, em BH
Le Galop: point da juventude belo-horizontina nos anos 1970/1980 (foto: Arquivo EM)


Quer mais histórias?
 
Início dos anos 2000. O palco do Pop Rock Café foi pequeno para reunir Rogério Flausino, Sideral, Claudio Venturini, Podé, Frejat e Andreas Kisser, que dividiam os vocais com Samuel Rosa, que comemorava seu aniversário.

Leo Jaime tem história na balada de Belo Horizonte. O Ponteio, muito antes do shopping, era restaurante e boate. Certo dia, empresários trouxeram o cantor para se apresentar lá. No auge da carreira, ele literalmente parou a rodovia, com carros dos dois lados e fãs querendo ver o show, meio improvisado, em cima de um caminhão. Leo deu conta do recado, mas... levou pedrada de fã.

Não se pode negar: a noite nas boates de Belo Horizonte já foi uma grande festa. Claro que muita coisa não durou por causa do caráter aventureiro de seus idealizadores. Mas fato é que chegamos até 2000 com relação enorme de casas.

Bem antes da pandemia, a balada já respirava por oxigênio, algo diferente das últimas cinco décadas. Naquela época, ninguém podia reclamar de nada. Em cada esquina havia uma pista para se jogar sem medo de ser feliz.

A coluna HIT, que em março completa 18 anos, acompanhou o período de grande efervescência dos anos 2000. Aniversário bom é aniversário com casa cheia, DJ de primeira e quem a gente gosta ao lado. Mas como a pandemia não está controlada e o número de contaminados vem aumentando, o jeito é fazer a festa recorrendo a histórias da cidade, muitas delas registradas aqui na página 3 deste caderno.

Começamos hoje pela reportagem que abre a série “Envelheço na cidade”. Não é a comemoração ideal para a “maioridade” da HIT, mas nem por isso será menos divertida.

Salão da casa noturna Cabaré Mineiro, com mesas vazias e palco ao fundo
Cabaré Mineiro: templo da boa música em BH (foto: Arquivo EM)


A série foi feita em home office (que já dura quase dois anos), com conversas por telefone, dezenas de trocas de mensagens com muita gente para lembrar, sem saudosismo, momentos que marcaram a balada em Belo Horizonte quando a vida parecia mesmo uma festa.

O recorte começa nos anos 1970 e segue até os dias atuais, com a comemoração dos 43 anos de atividades do Clube Fantasy, no Salgado Filho.

E também dos 30 anos do Major Lock. “É um pub que virou discoteca, balada e boate”, define Rodrigo Bouchard, criador do espaço que tem como sócios, Ramiro Maia e Felipe Marreco.

Entrem nesta viagem, que seguirá sempre às quartas-feiras na HIT.


Portão fechado da boate Chica da Silva, na Savassi
Chica da Silva: pioneira na Savassi
Eles têm muitas histórias para contar

O que levou muita gente a se dedicar ao mundo (quase) sempre fascinante das boates?

As histórias são as mais variadas. Alexandre Ribeiro, o Lelê, queria abrir um bar na Floresta. “Mas na inauguração, errei a mão no som e virou boate”, conta, revelando como surgiu o Deputamadre, que há 19 anos se mantém firme, apesar de ter fechado por um período na época mais crítica da pandemia.

Paco Pigalle, que por 31 anos circulou por 11 endereços com o espaço que leva seu nome, era praticamente adolescente quando veio a Belo Horizonte. Gostou tanto que quis montar algo com referências do underground europeu.

“O que existia na época na cidade não era underground”, observa Paco, que por algum tempo acompanhou o músico francês Manu Chao.

Com o passar dos anos, ele ganhou fama, um programa na Rádio Gerais e a legião de fãs que curtiam as músicas africanas e de tantos outros países que instigavam a curiosidade do mineiro. Com o sucesso, foi inevitável que seu bar virasse boate. Há 15 anos, o endereço de Paco está fixo na Avenida do Contorno.

O ano é de celebração para o Major Lock, que comemora 30 anos. “Era um pub que virou discoteca, depois balada, depois boate. Como o tempo, para se manter, foi se adaptando”, recorda Rodrigo Bouchardet.

2022 também é aniversário do Club Fantasy, a casa mais antiga de Belo Horizonte, com 43 anos em plena atividade. “Fechamos apenas por causa da pandemia”, lamenta Maurílio Anunciação Leão, que aproveitou o período e renovou o espaço para reabrir no final de semana. “A casa está zero-quilômetro”, avisa.

Da década de 1970 para cá, o perfil dos donos das casas noturnas é tão variado quando o estilo musical que agita ou, em muitos casos, agitava a pista. Muitos aventureiros tentaram fazer a festa, mas tiveram passagem meteórica.

A história de Maurílio Anunciação, por exemplo, é sinônimo de amor e dedicação à balada. Doido por música, como ele mesmo se define, teve infância muito pobre. E se virava como podia. Pedreiro, começou a criar caixas de som feitas de madeirite para festas em quadras, até que, por causa da Lei do Silêncio, elas foram suspensas. Maurílio, então, literalmente colocou a mão na massa e construiu o Clube Fantasy.

“Faço de tudo, sei de tudo o que se passa aqui dentro, das reformas necessárias à administração”, conta ele.

Cuidadoso, Maurílio mantém com orgulho a coleção de 3 mil DVDS. “Quem não quer dançar fica sentado confortavelmente em sua mesa e pode acompanhar os vídeos exibidos nos dois telões”, comenta. A Fantasy tem 800 metros quadrados e capacidade para receber 250 pessoas.

A partir da próxima quarta-feira (19/1), a seção “Envelheço na cidade” vai contar mais histórias das boates e casas noturnas de Belo Horizonte.
 

 

SE ESTAS PISTAS FALASSEM...

ANOS 1970

» Café Society (Rua Rio Grande do Norte, 1.470, Savassi)
» Túnel (Rua Rio Grande do Norte, Savassi)
» Tom Marron (Rua dos Inconfidentes, Savassi)
» Le Galop (Rio Grande do Norte, 1.470, Savassi)
» Jambalaya (Avenida Álvares Cabral, Lourdes)
» Le Batou Blanc
» Chica da Silva (Esquina de ruas Pernambuco e Inconfidentes, Savassi)
» Club Fantasy (Rua Santa Juliana, 259, Salgado Filho)
» Boate da PIC (Sede do clube, na Pampulha)

ANOS 1980

» Guilden (Avenida Prudente de Morais, Santo Antônio)
» The Great Brazilian Disaster (Avenida Getúlio Vargas, Savassi)
» Anjo Azul (Praça Raul Soares, Centro)
» Coisa Nossa (Bairro Nova Suíssa, perto da UPA Campos Salles)
» Chex Eux (Rua Alagoas, Savassi)
» Plumas & Paetês (Avenida Brasil, Funcionários)
» Cabaré Mineiro (Rua Gonçalves Dias, 54, Funcionários)
» Alex 1, Alex 2 e Alex 3 (Respectivamente, na Rua Aimorés e avenidas Bernardo Monteiro e Álvares Cabral)
» Cassino Dancing Show (Rua Rio de Janeiro, 1.299, Centro)
» Santa Tereza Show (Praça Duque de Caxias, Santa Tereza)
» Phoenix (Rua Padre Eustáquio, 2.045, Padre Eustáquio)
» Le Club e Zona DK (ambos na Savassi)
» Ponteio (Onde está o Shopping Ponteio, Belvedere)
» Baturité (Cidade Nova)
» Paco Pigalle (Funcionou em 11 endereços. Hoje, Avenida do Contorno, 2.314, Floresta)

ANOS 1990

» Excess (Rua Antônio de Albuquerque, 729, Savassi)
» Wap Bap Be Loo Ba (Avenida Raja Gabaglia, São Bento)
» Parthenon (Rua Rio Grande do Norte, 1.470, Savassi)
» Amnésia e Cartoon (Avenida do Contorno, uma depois da outra)
» Olympia (Avenida Olegário Maciel, 1.206, Barro Preto)
» Troisieme (Savassi)
» Soft (Rua Rio de Janeiro, Centro)
» Fashion (Rua Claudio Manoel, Funcionários, e Rua Tupis, Barro Preto)
» Station One (Rua Professor Morais, Savassi)
» Alambique (Avenida Raja Gabaglia, 3.200, Estoril)
» Mambo Jungle (Rua Professor Morais, Savassi)
» Chamonix, Coliseu, Bonaparte (Rua Rio Grande do Norte, 1.470, Savassi)
» Cinema Paradiso ( Rua Professor Morais, 500, Savassi)
» Circuito Circo Bar (Avenida do Contorno, 10.601, Barro Preto)
» Au Bar (Rua Claudio Manoel, Savassi)
» Dominus, Lamartine, Pagã (Funcionaram na Rua Padre Odorico 98, São Pedro)
» Hippodromo (Praça Floriano Peixoto, Santa Efigênia)
» Bangladesh (Avenida Getúlio Vargas, Funcionários)
» Swingers (Rodovia Januário Carneiro, 20, Vale do Sereno)
» Floricultura (Avenida Raja Gabaglia, Buritis)
» Major Lock (Funciona na Rua Major Lopes, 729, São Pedro)
» Fantasma da Ópera (Rua Major Lopes 842, São Pedro)
» Ciao Ciao (Rua Major Lopes, 719, São Pedro)
» Clube MTV (Rua Pernambuco, 773, Savassi)
» Bar Nacional (Avenida do Contorno)
» Sob o céu de Calcutá (Barro Preto)
» Manhattan (Rua Sergipe, Savassi)
» Space e New Balance (Avenida Cristovão Colombo, Savassi)
» Estação 767 (Avenida do Contorno, atrás do Parque Municipal)
» Planeta Marte (Rua Major Lopes, São Pedro)

ANOS 2000

» Joy, Roxy e Josefine (Rua Antônio de Albuquerque, 729, Savassi)
» Café Cancun (Rua Sergipe, Savassi)
» Studio Bar (Rua Guajajaras, 842, Centro)
» MP 5 (Avenida Raja Gabaglia, 4.000, Cidade Jardim)
» Chalezinho (Seis Pistas e Avenida Mario Werneck, Buritis)
» Pop Rock Café, Máximo Café e Exctase (Rua Sergipe 1.211, Savassi)
» Happy News (Rua Felipe dos Santos, Lourdes)
» Cinco (Serena Mall, Nova Lima)
» Mary in Hell (Rua Tomé de Souza, Savassi)
» Adams Bar (Avenida Raja Gababglia)
» DDuck (Rua Pernambuco, 1.316, Savassi)
» U.F.O (Rua Padre Odorico, 98, São Pedro)
» São Firmino (BH Shopping)
» NaSala (Ponteio Lar Shopping)
» Hard Rock (Vila da Serra, Nova Lima)
» Flapper (Avenida Getúlio Vargas, 851, Savassi)
» Deputamadre (Avenida do Contorno 2.028, Floresta)
» Giz (Rua Barbacena 33A, Barro Preto)
» A Obra (Rua Rio Grande do Norte, 1.168, Savassi)
» Cafe de La Musique (Rua Bárbara Heliodora, 123, Lourdes)
» Casa Pueblo (Rua das Acácias, 549, Vale do Sereno)
» Cheio de Graça (Avenida do Contorno 5.727, Funcionários)
» Clube:e e Happy News (Rua Felipe dos Santos, 508, Lourdes)
» Della Noche, (Rua Rio Verde 256, Carmo)
» NYX Bar e Máscaras (Rua Santa Rita Durão, 699, Savassi)
» Velvet (Rua Sergipe, 1.493, Savassi)
» Lurex (Rua Padre Odorico 98, São Pedro)
» Estação 2000 (Praça Raul Soares e Barro Preto)
» Bom Bar (Rua Sergipe, Savassi)
» Matriz (Edifício JK, Barro Preto)

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