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Estado de Minas COLUNA HIT

Reaberto ao público, Memorial Vale comemora seus 10 anos

Wagner Tameirão, gestor cultural do espaço, diz que agenda presencial será realizada paralelamente à programação on-line


22/11/2021 04:00 - atualizado 22/11/2021 02:16

De braços cruzados, o gestor cultural Wagner Tameirão olha para a câmera
Wagner Tameirão comemora a reabertura do Memorial Vale ao público (foto: Gustavo Pessoa/divulgação)

Wagner Tameirão
Gestor cultural

Com a reabertura do Memorial Vale, turistas e moradores de Belo Horizonte podem voltar a curtir um dos espaços culturais mais interessantes do Circuito Liberdade. Dividido em 13 salas com temas ligados à nossa história, o espaço tem como as queridinhas do público as salas Panteão da Política Mineira e História de Belo Horizonte. “Elas foram apelidadas pelos visitantes de 'Sala dos Quadros que Falam' e 'Sala do Susto' ou 'Sala do Fantasma'”, conta Wagner Tameirão, gestor do espaço.

“A Sala História de Belo Horizonte aborda a construção da nova capital, permeada por lendas de fantasmas que supostamente existem ou existiam na cidade, por isso o apelido. Crianças e adolescentes sempre gritam quando se assustam com a surpresa dessa sala. Elas saem de lá rindo muito e animadas”, diz Tameirão.

O Panteão exibe personagens da Inconfidência Mineira dentro de molduras e conversando entre si, enquanto espectadores acompanham o papo sentados em poltronas giratórias. “É uma forma inusitada e agradável de aprender sobre esse episódio da história do nosso estado”, acrescenta.

Com longa trajetória cultural em Belo Horizonte, Tameirão foi gestor do Teatro Alterosa de 1994 a 2011. Ele está é otimista em relação à retomada das atividades. “Teatro é a arte da presença. Um espetáculo é percebido com todos os sentidos. Talvez essa tenha sido a área cultural que mais enfrentou dificuldade em se adaptar ao on-line. Aos poucos, as produções estão voltando aos palcos e espero que a efervescente cena de Belo Horizonte revele novas peças para 2022”.

Dezenove meses após o início da pandemia, o Memorial Minas Gerais Vale reabriu as portas. O que representa este momento não só para você, mas também para a cultura em BH?

A reabertura dos espaços culturais traz certo alívio e uma sensação de volta à normalidade, ainda que tenhamos protocolos a seguir. Há demanda por parte da população, ávida por sair, consumir cultura, frequentar os espaços. Para o Memorial, é a retomada do contato com o público. Mantemos a programação on-line, mas, aos poucos, vamos realizando alguns eventos presenciais. O setor cultural, tão prejudicado durante o isolamento, começa a retomar suas atividades, tão necessárias ao público, aos artistas e produtores. Belo Horizonte tem importantes festivais e eventos que geram grande movimentação, atraem turistas e movimentam a economia da cidade.

Ao longo do período em que esteve fechado, o Memorial não parou. Realizou 585 atividades culturais e educativas on-line. Como foi colocar essa programação no ar?

Assim que foi definido o fechamento do espaço em função da pandemia, agimos rápido, pois entendemos que seria muito importante, não só para o nosso público, mas para a população em geral, manter o contato com a cultura naquele momento tão delicado de incertezas e isolamento social. Entendemos que tínhamos um papel muito importante e nos empenhamos em oferecer programação de qualidade e bem variada para atender todos. Além de shows, performances e saraus, incluímos programações que considerávamos pertinentes naquele contexto. Tivemos resposta muito positiva do público. Foram cursos de bordado, vídeos de gastronomia, aulas de dança em casa e oficinas variadas. Inauguramos o projeto “Sensações memoráveis”, com atividades que visam promover o bem-estar e o relaxamento.

Com o retorno das atividades, uma das novidades é o projeto Dança em trânsito, não é?

O projeto está em sua 19ª edição, mas é a primeira em formato híbrido. O festival, que será realizado agora em novembro e dezembro, envolve 25 cidades do país, com programação presencial e on-line. Serão atrações de 10 países. Em Belo Horizonte, o Dança em trânsito ocupa o Memorial Minas Gerais Vale, como parte das comemorações dos 10 anos do espaço, e a Praça da Liberdade, em 3 e 4 de dezembro. Ele tem o Instituto Cultural Vale como um dos patrocinadores, daí a ligação, em Belo Horizonte, com o Memorial Vale.

Um livro também está sendo preparado para marcar esses 10 anos. Como será a publicação?

O livro comemorativo, que será lançado em breve, traz um pouco da trajetória do espaço nesses 10 anos. Quisemos contar esta história pelo olhar do outro, prioritariamente. Optamos por convidar pessoas a deixarem depoimentos sobre suas experiências com e no Memorial. Há registros de curadores, parceiros, acadêmicos, artistas, professores, pessoas envolvidas na concepção do espaço e visitantes.

O Memorial não cancelou editais, como o Novos artistas. Qual é a importância de o jovem trabalhar durante a pandemia? 

Na realidade, o edital Novos artistas mineiros não ocorreu neste período, pois não sabíamos quando poderíamos reabrir. No caso desse edital específico, seria importante manter a exposição de forma presencial, promovendo mais visibilidade para essas pessoas que são novas no meio e a aproximação delas com o público. Mantivemos, no entanto, as convocatórias Educativo aberto e Novos pesquisadores, criamos a convocatória de programação, que ocorreu em 2020 e 2021 e contemplou as áreas de música, sarau literário, artes cênicas, artes visuais e audiovisual.  A intenção foi compor a nossa programação com os contemplados nessa convocatória, dando oportunidade de trabalho a artistas e produtores em um momento delicado para a cultura. Tivemos enorme adesão, somando quase 1,3 mil inscritos em dois anos e selecionando 238 propostas. Foram aportados R$ 211,5 mil, em 2020, e R$ 320 mil, em 2021. Também realizamos o Edital Apoia em conjunto com espaços do Instituto Cultural Vale no Espírito Santo, Maranhão e Pará, com investimento de R$ 400 mil em prêmios para cada estado.


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