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Estado de Minas VIVENDO E APRENDENDO

A lição que sabemos de cor: arte e cultura são imprescindíveis ao cotidiano

A pandemia mostra que é preciso respeitar quem rala e atua nos bastidores para nos levar alegria em forma de emoção


06/03/2021 04:00 - atualizado 06/03/2021 06:43

"Depois de dois meses... passei por BH para dar 'oi' ao meu apartamento, percorrer os caminhos que nos últimos 15 anos moldaram meu GPS e rever as ruas de uma cidade quase dona do meu coração%u201D

helvécio carlos


Sou péssimo na cozinha. Frito um ovo com maestria, mas daí em diante qualquer outra iniciativa é de uma falta de jeito sem fim. Não nasci para prendas culinárias e tenho pavor de incorporar personagem canastrão, entre panelas e receitas. Por isso mesmo, admiro quem tem esse dom. Reconheço também que tenho sorte: quem tem amigo, tem tudo.

Na semana passada, depois de dois meses em home office na casa da minha mãe, em Sete Lagoas, passei por Belo Horizonte para dar "oi" ao meu apartamento, percorrer os caminhos que nos últimos 15 anos moldaram meu GPS e rever as ruas de uma cidade quase dona do meu coração. No trajeto possível, também reencontrei amigos.

Dois deles sabem os segredos da cozinha, que só a prática ensina. E foi a eles que recorri para produzir fotos que seriam usadas em conteúdo digital.

Bati na porta de Júlio Bastos com os ingredientes para preparar miniabóbora com moqueca de frutos do mar, receita da semana no Box da Carol, que desde o início da pandemia faz o maior sucesso pela praticidade de preparo e qualidade dos ingredientes. Carol é superdidática nas lives, mas, mesmo assim, não acerto. Júlio, por sua vez, transforma em arte qualquer desafio culinário. O prato da Carol ficou de encher os olhos e, claro, o estômago. As fotos, lindas. Foi na casa que montamos os pratos do bobó de camarão, do Muqueca aqui.

Gustavo Greco também é talentoso na cozinha. Como precisava de nova sequência de imagens, combinamos um japonês do Yakan. Enquanto Gustavo criava o cenário, eu, no meu canto de espectador, admirava a transformação. Das embalagens de delivery, o salmão e o atum, em suas variações, ganharam peças de cerâmica, colocadas sob conjuntos de jogos americanos feitos em tecidos trazidos por ele do Japão. A mesa posta alegrou o coração que, como o de todos, anda meio jururu.

“Vivendo e aprendendo” é o nome da seção que criei no fim de 2020 com as lições aprendidas com a pandemia. Mas não cheguei até aqui para dizer que aprendi a cozinhar. Até porque, já desencanei da ideia. No entanto, a lição é esta. Não é preciso conhecer profundamente um ofício para respeitá-lo, admirá-lo e tirar dele as alegrias que, agora, mais do que nunca, são essenciais no nosso cotidiano.

Com a arte é assim. A grande maioria não tem a noção de como é colocar uma peça em cena, montar a turnê de um show, criar o repertório de um disco e muito menos quantas noite maldormidas foram necessárias para escrever aquele roteiro transformado no filme que sempre ficará nas nossas lembranças. Assim como eu, observador na cozinha dos meus amigos, estamos sempre como espectadores ávidos por toda emoção que vem da arte e nos fortalece. Não podemos viver em um mundo sem arte, cultura, educação, ciência. Essa lição sei de cor, a pandemia só reforçou.

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