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'Queremos o Enem para todos!'' avisa Anna Luiza Soares Guimarães

Preocupada com alunos isolados em casa e sem acesso à internet, estudante arrecadou 500 livros e apostilas para doação. Ela é a convidada do 'Diário da quarentena' de hoje


postado em 23/04/2020 04:00


Diário da quarentena  
Anna Luiza Soares Guimarães
estudante


De repente, a quarentena chegou e me pegou de surpresa. Eu, que estudo para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) há quatro anos e tenho apenas essa prova como porta de entrada para as universidades que almejo, senti medo. Um medo enorme do que aconteceria com a prova neste ano. Vão mudar a data? Como vou estudar tudo em casa? Quem vai sanar minhas dúvidas? Quem vai corrigir as minhas redações semanais? Será que terei de fazer outro ano de cursinho? Enfim, esse é o meu caso e o de muitos outros estudantes que tiveram as aulas suspensas.

Então, comecei a estudar reclusa em casa e vi um cenário que me surpreendeu bastante: a tecnologia e a internet. Elas vêm sendo as aliadas mais fortes neste momento. Tenho um bom computador, um bom celular e boa internet. Meus professores conseguiram manter as aulas on-line. Assisto às aulas por aplicativos e plataformas digitais. Além disso, os professores mantêm contato direto comigo e com a minha turma por meio de grupos no WhatsApp. Depois disso, vi que não ficaria desamparada até a quarentena acabar. Bola pra frente!

Tudo fluía bem até que os órgãos governamentais responsáveis pelo Enem divulgaram a data do exame. Para o desespero de muitos, mantiveram a mesma data prevista antes do surto do coronavírus. Estávamos há quase um mês estudando em casa e parece que não deram importância alguma a isso. O Instagram oficial do Inep (órgão que elabora o Enem) chegou a postar um vídeo dando algumas explicações – constrangedoras, a meu ver – sobre a data da prova e a relação dela com o atual cenário. Nesse vídeo, estão o ministro da Educação e o presidente do Inep, que disse coisas que me revoltaram. Ele se dirigiu aos estudantes com a seguinte frase: “Eu sei que o coronavírus atrapalha, mas atrapalha todo mundo. Como há uma competição, tá justo”.

''Não existe competição justa neste momento''



Na minha opinião, não existe competição justa neste momento. Pensei em todos os estudantes que estão sem o apoio dos professores, como eu tenho, e não têm acesso à internet. Decidi arrecadar materiais didáticos físicos para entregar às pessoas sem suporte adequado para continuar os estudos. Uma amiga sugeriu que fizéssemos um Google Drive e materiais didáticos focados no Enem para serem usados por quem tem internet e pode ser beneficiado por eles. Dessa forma, a campanha ajuda quem está sem aula on-line e sem apoio. O drive ajuda os que têm internet.

Aos poucos, as pessoas tomaram conhecimento do projeto, muitos se dispuseram a doar e outros pediram materiais. Lancei a campanha em 1º de abril – hoje, 16 de abril, completei pouco mais de 500 materiais, entre livros, apostilas e coleções completas.

Muitas pessoas apoiaram a ideia de chegar aos alunos que mais precisam. Funciona da seguinte forma: quem entra em contato comigo pelo Instagram ou pelo Whatsapp oferece material. Eu busco as doações. As pessoas que querem o material também entram em contato pelas redes sociais. Os materiais são encaminhados de acordo com o interesse de cada estudante. Converso com um por um, mando as fotos do que tenho e deixo que escolham. Em seguida, faço um kit personalizado. Até hoje, foram 33 doações. Parece pouco diante dos 500 materiais, mas elas saem muito rápido. Já preciso repor o estoque (rsrs)...

Queremos o Enem para todos!

''Senti medo. Um medo enorme do que aconteceria com a prova neste ano''



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