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Estado de Minas

A partir de hoje, o colunista abre o seu Diário da Quarentena

A rotina de quem vai trabalhar em home office será narrada em primeira pessoa


postado em 17/03/2020 04:00

(foto: Helvécio Carlos/EM/D.A Press)
(foto: Helvécio Carlos/EM/D.A Press)

DIÁRIO DA QUARENTENA
UM TRISTE (MAS ESPERANÇOSO) ATÉ JÁ

Nada de festas, lançamentos de moda, abertura de espaços e, o que mais me diverte, temporadas de teatro, estreias de cinema e aquelas exposições que sempre emocionam. Sobre a minha mesa, à direita do computador, o calendário – com mais setas e lembretes do que números – revela que março seria um mês (o primeiro depois do carnaval) animadíssimo. Na pauta, chá na Academia Mineira de Letras; Frejat e Djavan no Palácio das Artes; Sempre um Papo com Adriana Varejão em Inhotim – o coração vibrava em finalmente poder encontrar a artista plástica que sempre me encantou. Além da escapulidinha a São Paulo para ver Summer (o musical de Miguel Fallabela sobre a diva da dance music) e A fantástica fábrica de chocolate, com o mineiro Rodrigo Miallaret. Ah!, delícia das delícias, rever O mistério de Irma Vap, em nova montagem com Mateus Solano e Luis Miranda, além do figurino premiadissímo de Karen Brusttolin. Pelo menos por agora, tudo isso não passa de anotações e rabiscos em um calendário.

***

O coronavírus mudou a nossa vida. Prevenção é tudo. A minha vida, que vou trabalhar em casa, a sua, a de toda a redação do jornal e do mundo. Em menos de duas horas – o tempo que tenho para fechar esta coluna –, será impossível tomar as seis garrafas d'água sempre ao lado do calendário para lembrar a importância da hidratação. Ficarão ali até a volta. Junto às garrafas, blocos de anotações, santos de proteção, lembranças de viagens. A despedida, mesmo temporária, da mesa e dos badulaques é a maior tristeza em quase 30 anos de jornal. O coronavírus não é traiçoeiro apenas por colocar tanta gente em risco. Ele maltrata nossos corações também.

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Da minha casa à redação, são seis ou sete quarteirões. Distância relativamente pequena, que faço caminhando tranquilamente. Nesta época, então, é uma delícia. O céu de um azul de encher os olhos e, quando há sorte, um ventinho para refrescar. Mas nada disso minimiza o caos provocado pelos pais com seus possantes em busca dos filhos, no Colégio Santo Antônio. Ontem, o movimento era menor, mas nem por isso melhor. O coronavírus nos leva também às boas coisas da vida, como o burburinho da meninada na porta da escola. Aos poucos, o micro vai se transformar em macro. A cidade pela qual me apaixonei lá pelo anos 1980, sempre viva no seu movimento maluco e frenético, também vai parar. Nunca imaginei que, nesse caso, tristemente, um dia a vida iria imitar a arte

***

O medo do coronavírus vai nos afastar. Mãe, estou liberado da redação, mas a função continua. É mais tranquilo continuar conectado com ela do meu apartamento, que agora é home office. Isolados, olha que horror, nos protegemos. É ou não é roteiro de filme? A fé nos acolhe nesse momento. Estamos conectados em redes sociais, em intermináveis grupos de Whatsapp, com informações que não param de chegar. A gente nem esquenta com aquelas que alguém recebeu do primo da-noiva, do irmão do tio, do amante do padre. Fake news. Nesse turbilhão, além de tanta coisa esquisita, alguém nos dará alento para continuarmos firmes. Mesmo nos minutos finais para a entrega destas linhas – a subeditora, Ângela Faria, já está pelas tamancas com o atraso. “Vai passar! O momento é difícil para todos, mas vai passar”, escreve no whatsApp um de meus amigos, Tiago Gramiscelli. Vai, sim. Já, já, estaremos de volta a essa loucura quase sempre divertida que é a redação de um jornal.

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