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Fabio Mechetti fala de sua relação com Belo Horizonte e a Filarmônica

Há 12 anos à frente da orquestra, o maestro já regeu 345 concertos do grupo sediado em Belo Horizonte


postado em 05/01/2020 04:00

(foto: Eugênio Sávio/Divulgação)
(foto: Eugênio Sávio/Divulgação)
Há 12 anos à frente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, o maestro Fabio Mechetti sabe exatamente o número de concertos que regeu: 345. Alguns deles, afirma, destacam-se pelo contexto em que foram realizados. “Certamente, o concerto de abertura do projeto, em 2008, foi extremamente emocionante, assim como o da inauguração da Sala Minas Gerais, em 2015”, relembra. Porém, vários foram marcantes,“principalmente pelo resultado artisticamente alto que representaram, mostrando a evolução da orquestra, o reconhecimento do público e o potencial que temos para investir ainda mais naquilo que a Filarmônica pode realizar, seja institucional ou artisticamente”.

Mechetti, que está de férias com a família nos Estados Unidos, chegou a Belo Horizonte em 2007, a convite de Lúcia Camargo – à época, presidente do Instituto Cultural Orquestra Sinfônica, atual Instituto Cultural Filarmônica. Naquela época, ele conhecia pouco a capital, onde se apresentara poucas vezes. “Gosto muito de BH, cidade acolhedora que oferece muitas opções culturais”, afirma. “E acho que a Filarmônica, nesses 12 anos de trabalho, contribuiu para uma mudança importante no cenário cultural mineiro. Vejo o impacto que a construção da Sala Minas Gerais trouxe ao seu redor”, comenta.

COM A PALAVRA
FABIO MECHETTI, maestro da Orquestra Filarmônica de MG

Como é a vida de um maestro que vive na ponte aérea Belo Horizonte/Jacksonville? 
Agitada, devido ao desconforto das viagens, mas compensadora quando vemos a evolução marcante e relevante que a Filarmônica vem exercendo em nome da cultura em nosso estado e nosso país. Os períodos aqui não são muito tranquilos, com todos os compromissos e desafios do dia a dia. Procuro ter um pouco mais de tranquilidade quando estou em casa. Tento ficar em aqui pelo menos umas duas a três semanas consecutivas, às vezes até mais.

Como é sua rotina  em BH? Quando não tem compromisso com a Filarmônica, curte a cidade, vai ao cinema, gosta da culinária mineira?
Minha vida em BH é a Filarmônica. Às vezes, tenho tempo para ir a um concerto ou outro. Não frequento cinema, mas certamente frequento os bons restaurantes que a cidade oferece e as livrarias da Savassi.

Todos reconhecem a excelência da Filarmônica, resultado de seu trabalho e da dedicação dos músicos. Mas o senhor já errou em cena? Como fez para corrigir o erro? 
Nenhuma situação que tenha me deixado embaraçado...

Alguma vez a plateia da Sala Minas Gerais o irritou, com toques de celular ou crises de tosse? O que o senhor faz para não perder a concentração?
Não é uma questão de irritação, pois acredito que as próprias pessoas que deixam o celular tocar ficam constrangidas. Mas, certamente, essas questões influenciam a concentração tanto do músico quanto daqueles que estão fruindo os concertos. Mas o público mineiro, comparado a outros que conheço, reage muito bem. Geralmente, as interrupções ficam limitadas àqueles que, talvez, estejam presentes aos concertos pela primeira vez e ainda não conhecem o 'protocolo'.

Qual é o programa de seus sonhos para apresentar com a Filarmônica?
Não existe um programa importante, do ponto de vista do repertório sinfônico, que já não tenha sido executado pela Filarmônica. Afinal, em 12 anos de atividades, já apresentamos quase 1 mil obras diferentes. Ainda há um repertório muito amplo a ser explorado, mas ele requer a presença de coro ou de um número elevado de solistas. Isso, obviamente, requer recursos adicionais, que atualmente são escassos.

A temporada de 2020 começa com uma das peças clássicas mais bonitas. Quais são suas obras preferidas desta temporada?
A Segunda, de Mahler, vem celebrar o quinto aniversário da Sala Minas Gerais. Foi a obra que apresentamos naquela ocasião, e que agora deverá soar ainda melhor. Em 2020, ressaltamos os 250 anos de Beethoven. Vamos executar todas as sinfonias dele, todas as aberturas, todos os concertos para piano, numa maratona especial com o nosso querido Arnaldo Cohen, além da ópera Fidelio, a ser semiencenada. Ressalto também a presença de jovens solistas internacionais, que vêm mostrar o grande potencial da música clássica agora e no futuro.

Entre tantas peças que o senhor conduziu, qual delas o deixa mais emocionado?
Depende um pouco do momento. Somos privilegiados, como músicos, ao trabalharmos com aquilo que de melhor temos na produção da humanidade. Poder conviver com essas obras-primas, semana após semana, e executá-las com competência, talento e integridade, é um verdadeiro privilégio. Poder fazer isso no Brasil, com a excelência ainda tão elusiva naquilo que o país produz, e compartilhar isso com um número cada vez maiores de pessoas, orgulhosas e agradecidas pelo que fazemos, me dá uma constante emoção.

O senhor já pensa na temporada de 2021?
Sempre trabalhamos um ou dois anos à frente das temporadas futuras. Portanto, a de 2021 já está sendo desenhada. Esperamos continuar a mostrar a mesma qualidade e variedade pelas quais a Filarmônica é reconhecida.





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