Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Batalha do Barro Preto é novo marco na história do Cruzeiro

Garantia do 'Fico' a Ronaldo Nazário, comandante da SAF celeste, foi assegurado pelo apoio maciço dos torcedores


06/04/2022 04:00

Pressão da China Azul foi fundamental para que conselheiros aprovassem modelo de contrato garantindo a permanência de Ronaldo Fenômeno
Pressão da China Azul foi fundamental para que conselheiros aprovassem modelo de contrato garantindo a permanência de Ronaldo Fenômeno (foto: MARCOS VIEIRA/EM/D.A PRESS)

A torcida do Cruzeiro nasceu dos operários e imigrantes. Do amor deles pelo futebol, criou-se um time para chamar de seu. Foi primaz, gênesis. Pai e mãe do mais popular clube de Minas Gerais.

Essa é uma das maiores verdades a serem ensinadas – incansavelmente – às futuras gerações de cruzeirenses. Senti vontade de tatuar na pele esse mandamento quando o clamor de milhares de torcedores, armados de voz, bandeira, amor e alma, cercou a sede do clube na última segunda-feira, evitando que o Conselho Paquiderme Deliberativo mais uma vez destruísse as esperanças de toda uma Nação Azul. Eles foram os guerreiros na linha de frente da Batalha do Barro Preto.

Ao longo da história, foram diversos os episódios em que essa vocação por se levantar em defesa da trajetória do Time do Povo Mineiro foi incitada a se aflorar. Vêm desde os preparativos para a criação da Società Sportiva Palestra Italia, em 2 de janeiro de 1921. Pois foi ela, a torcida, quem desejou essa existência. Foi ela quem convidou pessoas (conselheiros e presidentes) para auxiliarem na direção temporária da sua própria criatura, o clube.

Essa deliciosa responsabilidade de ser cruzeirense nos levou a outros feitos como, por exemplo, o recorde eterno de público do Mineirão, em 1997. Não nos permitiu abandonar o campo de luta em momentos dolorosos, como, em 2019, na derrubada da organização criminosa formada por dirigentes, conselheiros, jogadores e empresários da gestão Wagner Nonato Pires Machado de Sá.

Na noite da segunda-feira passada, coube à torcida do Cruzeiro escrever mais um capítulo de resistência e expurgo. Tivemos, sim, soldados incansáveis como o impávido Ronaldo Nazário, o resiliente presidente Sérgio Santos Rodrigues e os advogados “artilheiros da prorrogação”, Flávio Boson e Daniel Vilas Boas, que, relembrando o atacante Geovanni, na finalíssima da Copa do Brasil de 2000, marcaram um gol antológico quando a partida e a esperança caminhavam para o fim.

Mas resguardados os méritos desses e de pouquíssimos conselheiros dignos de não se misturarem aos paquidermes, como os mestres Athié Cruz e Alysson Caires, todos eles nada conseguiriam se não fossem os milhares de torcedores a pressionar no entorno da sede do Barro Preto. Graças a esse paredão com alma azul, o resultado da votação pela continuidade da SAF refletiu o desejo da esmagadora maioria dos torcedores dos quatro cantos da celeste Minas Gerais.

Qual a consequência disso no futuro? Absolutamente ninguém – nem os que apoiam o modelo da SAF e tampouco os que criticam – tem condição de responder a essa pergunta antecipadamente. Se nenhuma outra solução factível foi apresentada durante dois anos, nos resta ter esperança, fiscalizar, apoiar e contribuir para seu êxito.

A Batalha do Barro Preto, por fim, também coroou uma das maiores exibições da história das arquibancadas do Mineirão, dois dias antes, na partida entre o Cruzeiro e o Atlético de Lourdes e sua silenciosa Turma do Sapatênis. Como bem disse o amigo-mestre da Máfia Azul e do Coletivo 1921, Leo Moita, “torcedor não disputa bola, não faz gol, não chuta pênalti; o que o torcedor pode fazer é disputar no grito da arquibancada, e nesse quesito minha turma dá baile”.

Para essa turma que deu baile, Ronaldo Nazário decretou o Dia do Fico, chamando para si a responsabilidade de conduzir o Cruzeiro até o lugar de onde um gigante jamais deveria ter sido tirado.

Voltaremos! Somos muro de concreto, ruim de derrubar. Que a imagem da torcida cruzeirense, exausta pela luta, mas em festa por honrar sua existência, seja eternizada nos muros da sede do clube, tendo, embaixo dela, gravado os dizeres: “4 de abril de 2022, aqui se fez a Batalha do Barro Preto”.


*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade