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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Passou da hora de o Cruzeiro se reencontrar com a vitória!

Mesmo Ney Franco não sendo o técnico dos sonhos para substituir Enderson Moreira, só nos resta seguir em frente


09/09/2020 04:00 - atualizado 09/09/2020 00:48

(foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)
(foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)


“Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela não há paz
Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai”

Fiquei a solfejar a musicalidade dada à letra de Vinicius de Moraes no melancólico fim do feriado de 7 de setembro. Após a peleja entre o Cruzeiro e o Clube de Regatas Léo Gamalho Alagoano, não me restaram forças para ir além do assovio. Olhei para o céu, suspirando por uma velha amiga, com a qual nos últimos anos tenho tido raríssimos encontros, infelizmente. “Por onde anda você?”, perguntei mentalmente, me referindo a uma moça maiúscula de nome Vitória, minha velha companheira de amor. É gigante a minha saudade acumulada por ela.

Nosso último encontro foi há quase um mês, numa tarde fria de Florianópolis. Ela me pareceu desinteressada e dando a sensação de ter vindo ao encontro apenas para pôr fim à minha insistência. Foi uma paquera chocha, que não tem me valido nem sequer como nostalgia. Nos últimos 365 dias, marcamos 44 encontros entre o Cruzeiro e a Vitória, mas somente em 13 deles ela apareceu graciosa para nos encher de sorrisos, beijinhos nas cinco estrelas e o peito de esperança.

Ontem, demitiram mais um cupido incapaz de lhe flechar. Se de um lado deram a ele arcos e flechas de qualidade duvidosa para treinar, ele também apresentou uma pontaria digna de um míope. Enderson Moreira teve oito missões nessa possibilidade de encontros da Série B e errou cinco deles! Não dava mais para esperar. Acho até que demoraram nessa insistência.

Meu sonho por um cupido mais moderno na maneira de manejar o arco durou pouquíssimas horas. A contragosto e dentro da realidade dos poucos tostões no bolso, me trouxeram um velho conhecido de outras missões, nas quais jamais encheu nossos olhos. Ney Franco é, digamos, um cupido semelhante às bandas “de uma música só” ou um ator coadjuvante de filmes “lado B”.

Feita essa análise, um adendo. Seria hipocrisia jogar a culpa desse distanciamento entre o Cruzeiro e a moça Vitória apenas sobre as asas dos cupidos. Sim, o plantel de flechas é limitado. Obsoleto de um lado e pouco testado, de outro. Além disso, os acertos nos alvos das partes administrativa e jurídica, infelizmente, não contabilizam pontos em campo.

Por isso, talvez seja a hora de repensarmos a forma de buscar essa reaproximação dos velhos enamorados Cruzeiro e Vitória. Sermos humildes e verdadeiros com a história da nossa instituição (que é de sempre lutar contra injustiças e cofres vazios), com o nosso delicadíssimo presente e com os fatos. Sem jamais deixar de sentir orgulho e nos inspirarmos no nosso passado limpo e vitorioso, por mais que aqueles vivem a nos odiar e constroem falsas verdades filosóficas tentem chamar isso de “arrogância”.

O tempo para selar o retorno dos encontros enamorados entre o Cruzeiro e a Vitória está se exaurindo. Se não temos um cupido confiável nem um plantel de arcos e flechas condizentes com a missão de acertar o alvo por tantas vezes seguidas – como passou a ser necessário –, façamos esse movimento conjunto por reinventar a nossa maneira de atuar, porque, para nós, cruzeirenses, chega de saudade.

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