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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Cabeça sem Cruzeiro é oficina do marasmo

Enquanto a moralidade não abre as asas sobre nós, falemos de um acerto: Murilo


postado em 26/06/2019 04:00 / atualizado em 26/06/2019 10:18


Twitter: @gustavonolascoB

Até neste maior pesadelo da minha vida como cruzeirense bruto, quando pensar no dia a dia do meu clube amado dentro e fora do campo só me traz tristeza e revolta, mesmo assim, uma certeza é cristalina: ficar este tempo todo sem o Cruzeiro jogando é desesperador. Há quem se divirta com a Seleção Brasileira repleta de jogadores com sobrenome na camisa, sem apelidos e que mal sabem falar português. Com todo o respeito à maior jogadora do mundo, a rainha Marta, a empolgação e o reconhecimento às meninas também não conseguiu preencher ou amenizar – nem de longe – o meu sentimento de vazio.

Haja cinema, festa junina e visita à sogra para enganar as tarde de domingo sem a peregrinação para o Gigante da Pampulha. As noites de quarta-feira com as luzes do Mineirão apagadas são como pagar a sonhada viagem para a praia do Nordeste em 12 prestações o ano inteiro e, quando se chega lá, sete dias direto de chuva.

Essas férias forçadas pela modorrenta Copa América só pioraram os sobressaltos do pesadelo (acordado) que nós, amantes da instituição Cruzeiro Esporte Clube, estamos vivendo nos últimos meses.

Na semana que vem teremos mais um capítulo, que pode se tornar importante decisão ou nova vergonha. O omisso Conselho Deliberativo será obrigado (porque se assim não fosse continuaria sentado impávido como um paquiderme) a escolher uma “chapa” para apurar as denúncias contra a diretoria.

Se apuração ocorresse num mundo perfeito, teria lisura, nenhum influência dos investigados (tampouco da oposição) e traria, ao fim, a paz de uma decisão límpida. Se com esta ou fora esta diretoria, não cabe a nós o julgamento, mas espera-se que – com esta ou fora esta – definitivamente o Cruzeiro repense sua política interna, seu estatuto e a forma temerária com que seguidos presidentes (e seus asseclas e cabides) geriram o único gigante do futebol mineiro. Ao ponto de colocá-lo sendo comparado a clubes historicamente afeitos a calotes, falcatruas (dentro e fora de campo) e valores humanos nada honrados.

Se feito isso, uma das primeiras medidas a se tomar e clamada por nós da torcida cruzeirense é um processo de refundação das categorias de base, outrora fonte de craques e recursos. Recursos? Sim! Sem colocar nossos jovens ativos na vitrine do futebol profissional não haverá valorização e, consequentemente, não teremos receita para cobrir os salários astronômicos dos medalhões, que neste momento de decisões importante e instabilidade emocional são sim fundamentais. E nós, reféns deles.

Muita gente vociferou contra a venda de Murilo, jovem zagueiro formado na base. “Ah, mas ele era titular da Seleção no Torneio de Toulon e poderia valer mais.” Quantas centenas de jogadores de todos os clubes foram titulares nas seleções de base e não deram absolutamente nada no profissional? E se mesmo craque Murilo fosse, quando ele ou qualquer prata casa do Cruzeiro irá valer mais se temos um técnico que nunca dá chance para um recém-promovido aparecer e se valorizar?

Neste momento está mais fácil encontrar um gaiato da Turma do Sapatênis que não lembra do 6 a 1 ou da Série B do que cruzeirense com motivo para elogiar a diretoria. Mas frente ao câncer, o causo financeiro, com reflexos imediatos como atrasos de salários, não havia decisão mais acertada do que “passar o Murilo nos cobres” russos. Ironicamente, se categoria de base não fosse uma mina de dinheiro, empresário não estaria emprestando dinheiro à diretoria para bancar folha de pagamento em troca de percentual de atleta como garantia, não é mesmo?

Enquanto a verdadeira revolução de moral, caráter e profissionalismo de gestão não toma conta do Cruzeiro fora dos campos, é preciso resolver os problemas de curto prazo. Para mim, a diretoria acertou no caso Murilo. Mas, se essa revolução vier, por mais que a cada dia esteja mais perto de ser utopia, será o momento de começar a mudança também na política de desprezo técnico pelas pratas da casa. Ou alguém tem esperança de que Popó, Maurício, Weverton, Rafael Santos, Cacá e tantas outras promessas lapidas por tantos anos na Toca da Raposa I possam render mais aos cofres do Cruzeiro do que um Murilo, se continuarem sem chances de entrar em campo?

No mais é torcer para o 11 de julho chegar logo para invadirmos a nossa casa celeste contra o Atlético de Lourdes, porque cabeça vazia e coração sem Cruzeiro é oficina do diabo e do marasmo.


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