Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Como não disse Leminski, atentos venceremos

Segunda-feira, contra o Bahia, não me arriscarei: ainda que precise de máscara contra a COVID-19, dirigir-me-ei para o Portela, o bar dos atleticanos em São Paulo


17/10/2020 04:00 - atualizado 16/10/2020 23:13

(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

Com escusas aos comentaristas esportivos, posso afirmar com a convicção de um Sérgio Moro, até porque provas não há: a culpa é do Francisco. O atleticano que não vê jogo do Galo condena o time e os outros 7.999.999 ao empate ou à derrota – ou a ambos, pois há empates que são derrotas.

Embora ateu, acredito de verdade que o homem lá em cima, o sósia de Karl Marx, tem por esporte punir o atleticano – e o faz com especial contundência quando, em suas barbas, incorremos no pecado de trocar o Atlético por atividades menos importantes, sejam o trabalho ou o casamento, e mesmo quaisquer outras trivialidades insuspeitas.

Francisco foi abduzido pelo videogame, essa composteira para cabeças de minhoca. Em acordos bilaterais, concedo-lhe a licença desde que seja permitido lhe enfiar goela abaixo um Gabriel García Márquez, um Paul Auster, pelo menos um Asterix.

Mas ser pai também é padecer no paraíso, e se Gabo não dá conta do recado, tampouco Keno e Sampaoli têm logrado sucesso em trazer-lhe de volta. É só tiro, porrada e bomba. O arquirrival do pequeno atleticano não é mais Crüzëirö – é o Fortnite.

Tudo são fases, é verdade, e houve aquela em que o negócio era fantasiar-se de herói da Marvel e chamar à luta o interlocutor disponível. “Eu sou o Homem-Aranha, e você?” Ao perceber a guarda aberta, um atleticano amigo prontamente subiu ao ringue, de punho cerrado: “Eu sou o Reinaldo”.

Deu-se então a batalha de titãs. Era pelo menos uma catequese possível. Agora, a máquina do diabo levou o Francisco, com o agravante de punir a todos nós pelo atleticano relapso que troca o Galo pelo Xbox. Preciso de ajuda.

Quarta-feira passada, na solidão daquele primeiro tempo, tive a certeza de que a vaca se encaminhava para o brejo, uma sensação que se potencializava em função do advento do “colíder” – essa novidade que, suspeito, é um teste da emissora para fins de implementação no próximo Big Brother.

À medida que avançava a cabeça de gado, tal qual se verifica em currais Brasil afora, o tiro, a porrada e a bomba pareciam atingir-me pelas costas, como se eu fosse o Fábio – e a vida, o Vanderlei.

Parcialmente derrotado aos 45 minutos de peleja, dei-me por vencido: a exemplo do senador Chico Rodrigues, estávamos fadados a tomar no rabo em razão de nossa má fortuna. Maldito Xbox! Arrastando minha solidão como o craqueiro que carrega sua coberta, recolhi-me à minha insignificância, também conhecida por edredom. Dormi.

Não sem antes, no entanto, instalar fones secretos em meus ouvidos, através dos quais pudesse ouvir o Caixa e ao mesmo tempo acusar o dano moral proporcionado pelo atleticano relapso que se encontrava em luta contra um monstro marrom semelhante a um cocô, sobre o qual se aboletava um gorro parecido com uma camisinha.

Enquanto o cocô era esmagado na sala, o Galo fazia o mesmo com o Fluminense no quarto. Um pecado não termos virado aquele jogo. Ao fim e ao cabo, o cocô venceu.

Segunda-feira, contra o Bahia, não me arriscarei: ainda que precise de máscara contra a COVID-19, camisinha na cabeça, ofurô de álcool gel e um escafandro, dirigir-me-ei para o Portela, o bar dos atleticanos em São Paulo. Lá, o galo relapso é servido na panela. Os demais estaremos atentos – e como não disse Leminski, atentos venceremos.
 

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade