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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Se o Galo for campeão brasileiro, um infarto não será inapropriado

"O verso central (do hino), aquele que bota fogo no cabaré, é justamente 'Vencer, vencer, vencer' - e para tanto, o Galo se notabilizou por ser um time de ataque"


02/10/2020 17:33 - atualizado 03/10/2020 07:51

O atacante alvinegro Keno, que marcou seis gols nos últimos dois jogos do Galo pelo Brasileiro(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
O atacante alvinegro Keno, que marcou seis gols nos últimos dois jogos do Galo pelo Brasileiro (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

“A melhor defesa é o ataque”, disse o Churchill no Facebook. “A invencibilidade está na defesa, mas a possibilidade da vitória está no ataque”, respondeu Clarice Lispector. O Galo de Sampaoli é uma ode ao ataque. É uma espécie de Galo Doido melhorado (não que seja menos doido) – e Sampaoli, o Napoleão do hospício. 

“Vim recordar aqueles times do Brasil com tanta hierarquia e ataque. Estou tratando de voltar um pouco na história”, disse o nosso Napoleão depois da batalha contra o Grêmio, mais um grande a levar de três, juntando-se a Corinthians e São Paulo. Sem saber, Sampaoli estava justamente falando da nossa história – o Galo sempre foi, por excelência, o time do ataque.

 

Clubes de futebol constroem sua identidade também dentro de campo, na prática de um jogo que privilegia este ou aquele aspecto. Em seus oito anos como técnico do Barcelona, Johan Cruijff conferiu ao time catalão um jeito de jogar para o qual se poderia reservar uma patente. Nos anos 60, a “Academia de Futebol” do Palmeiras prestou o mesmo serviço – e fez da elegância de Ademir da Guia seu ideal para as futuras gerações.

 

O Atlético sempre foi um time de raça – e por isso o galo, advindo do galo-de-briga, lhe caiu tão bem. A saber, numa briga de galos não há vitória por pontos, é nocaute certo, briga-se até morrer. No Galo, chinelinho não se cria, a mão na cintura é crime de lesa-pátria. Ao passo que o raçudo desbragado, Pierres e Donizetes, Dinhos e Patrics, Mirandas e Darios, esses ficam perdoados por toda e qualquer canelada – são heróis nacionais cujo hino celebra na letra certeira: “Lutar, Lutar, lutar, com toda nossa raça pra vencer”. Coitada da Marselhesa perto do Vicente Motta.

 

Acontece que o verso central, aquele que bota fogo no cabaré, é justamente “Vencer, vencer, vencer” – e para tanto, o Galo se notabilizou por ser um time de ataque. No longínquo 1927, Jairo, Said e Mário de Castro formaram o trio ofensivo mais matador de sua época, não à toa o Trio Maldito – aquele, do 9 a 2 eterno sobre o Palestra Itália. Juntos, fizeram 459 gols em 99 jogos, média de 4,63 por partida! 

 

Mário de Castro recusou-se a jogar na Selecinha porque, reza a lenda, só vestia a camisa do Galo. Quando se aposentou, deu lugar a Guará, o Perigo Louro, Campeão dos Campeões em 37. Depois tivemos Zé do Monte, Lucas Miranda, Vavá, Ubaldo, Dario. Só um time de ataque é capaz de produzir, a um só tempo, Éder e Reinaldo. No Corinthians, um retranqueiro como Tite é capaz de ser campeão do mundo. No Galo, Tite nos levou à Segundona. Campeão foi Telê, com seu futebol-arte fazedor de gols. Cuca, com o Galo Doido. Levir, com todo mundo pra cima e seja o que Deus quiser, não-é-milagre-é-Atlético-Mineiro.    

 

Viralizou por esses dias um vídeo em que Lisca explica, com a admiração dos doidos, o esquema de Jorge Sampaoli. À parte a inteligência para se compreender o que ele pede, e a aplicação para colocar em prática tal instrução, Sampaoli exige de seus times duas coisas fundamentais: raça e ataque. De modo que está no lugar certo na hora certa, e se tanto ajuda quem não atrapalha, estamos a testemunhar um daqueles casamentos em que a cara de um é o focinho do outro, tão certo quanto sem dúvida.

 

Meu filho me pergunta o que farei se o Galo for campeão brasileiro. No mínimo correrei pelado uma volta no quarteirão. Na pior hipótese, produzirei um infarto. Não se poderá dizer que foi inapropriado – afinal, um ataque do coração. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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