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Não há desculpa para a escola se furtar ao debate sobre sustentabilidade

Trata-se de um grito desesperador das diversas formas de vida do planeta Terra e do nosso dever e compromisso para encontrar soluções para essa emergência


postado em 16/12/2019 04:00 / atualizado em 16/12/2019 17:02

Segundo a opinião de estudiosos, fundamentados em fatos, dados e estatísticas sólidas, a crise climática é um dos três problemas cruciais hoje para a humanidade. O desemprego estrutural (que será agravado pelo protagonismo cada vez maior da inteligência artificial e dos robôs) e a tendência ao crescimento da desigualdade (segundo dados da Oxfam, 12 indivíduos têm uma fortuna equivalente ao que ganham 3 bilhões e 500 milhões de seres humanos) são os outros dois.

Impulsionados pela urgência e gravidade do assunto e sob o lema “Ainda é tempo de agir”, centenas de líderes políticos, observadores internacionais, representantes de Ongs, cidadãos comuns e organizações da sociedade civil reuniram-se em Madri, capital da Espanha, de 2 a 13 deste mês, para a COP 25 (25ª reunião da Conference of the Parties, órgão supremo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Câmbio Climático – a primeira aconteceu em Berlim, em 1995).

A escola não pode se furtar a esse debate desafiador, que hoje se coloca no limiar da vanguarda, sob a desculpa de que quase nada ela pode fazer. Trata-se de um grito desesperador das diversas formas de vida do planeta Terra e do nosso dever e compromisso para encontrar soluções para essa emergência.

Na escola, esse movimento, que começou timidamente, tem se ampliado e aprofundado. Das “campanhas de limpeza da escola”, evoluímos para a coleta e separação do lixo; convênios com entidades dedicadas à recolhida e reciclagem de materiais; apadrinhamento de praças e jardins públicos; visita dos nossos estudantes a parques, estações de tratamento de água e esgotos, reservatórios hídricos e um sem fim de iniciativas louváveis. Mas que, evidentemente, não são suficientes.

Torneiras com temporizador, poços artesianos, placas para captação de energia solar, lâmpadas de baixo consumo com desligamento automático, eliminação de copos plásticos, detergentes não agressivos e outras iniciativas, passaram a fazer parte do dia a dia de muitas escolas, embora em outras, o uso do isopor, plásticos e outros materiais não biodegradáveis seja ainda rotina.

Na atualidade, duas pessoas chamam poderosamente a nossa atenção sobre esse problema. A adolescente sueca Greta Thunberg (Estocolmo, 3 de janeiro de 2003) elevou esse debate a outro patamar. Tornou-se conhecida por ter protestado durante meses fora do prédio do Parlamento sueco, toda sexta-feira, faltando às aulas e exigindo atitudes dos políticos do seu país em relação à crise climática. Ela é a líder do movimento Greve das Escolas pelo Clima.

Assim, trouxe a escola para a rua e esse assunto para dentro da escola, questionando ambas. Ao mesmo tempo, colocou jovens e adolescentes no centro do protagonismo e da liderança nesse problema. Milhares de estudantes e escolas do mundo inteiro aderiram ao movimento, criando uma onda de protestos e conscientização sem precedentes. Greta é portadora de síndrome de Asperger, é vegana e na úlitma semana foi considerada a personalidade do ano pela revista “Time”.

Outra figura proeminente é o papa Francisco. Preocupado “com o cuidado da casa comum”, manifestou-se por meio da sua Encíclica Laudato Si (18 de junho de 2015), que se tornou um marco contemporâneo do pensamento e ação sustentáveis, para além de ideologias, posicionamentos políticos ou credos religiosos. Inspirado no Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis, escrito ao redor de 1224, resgata a melhor tradição cristã e humana de respeito à terra e seus viventes.

O papa não duvida em afirmar que “os jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e alguns deles lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação de outros hábitos. Por isso, estamos perante um desafio educativo”. Eis aqui alguns conceitos-chave para entender e enfrentar esse problema desde e na escola.

O que ele está nos apontando, no fundo, é que o tema passa por uma mudança pessoal de hábitos, consumo e entendimento da vida, em relação a nós mesmos, aos outros seres humanos e a outras formas de vida existentes no planeta Terra. Aí, o papel da escola é fundamental para forjar consciências e mudar atitudes.

Frijot Capra, que propõe uma nova compreensão científica dos sistemas vivos (A Teia da Vida, 1996), já aborda na sua ampla obra essa problemática urgente e fundamental.

A consciência ecológica e de sustentabilidade cresce a cada dia. Congressos, movimentos, Ongs, estudos acadêmicos e troca de práticas se tornam cada vez mais comuns e universalizados. Escolas incorporam nos currículos o tema, crianças e jovens avançam em um ambiente favorável e sensibilizado e algumas iniciativas interessantes no campo da educação já estão se consolidando. Uma “alfabetização ecológica” parece estar em andamento. Isso sem contar que universidades e personalidades dos diversos campos da cultura, da música e das artes em geral estão somando e dando visibilidade ao tema. Como contraponto, alguns políticos e governos negam-se a abrir os olhos a essa realidade premente, promovendo políticas que podem ser suicidas. Felizmente, vão sendo minoria.

Relembrando um trecho da carta do chefe Seattle (1855): “Isto sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família... Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos e filhas da Terra. O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia, ele faz a si mesmo”.
Há esperança!

Francisco Morales foi diretor-geral do Colégio
Santo  Agostinho-BH durante 20 anos. Atualmente,
é diretor pedagógico do Grupo Educacional Vereda.

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