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Estado de Minas ANÁLISE

O novo normal epidêmico: como precisa ser o mundo depois do coronavírus

Discurso eugenista de que velhos doentes e miseráveis podem morrer para salvar a economia, além de equivocado e cruel, é perigoso para o nosso país e para o planeta


postado em 16/05/2020 06:00 / atualizado em 15/05/2020 11:52

(foto: Isac Nóbrega/PR)
(foto: Isac Nóbrega/PR)

Experts em algo inédito é o que mais se vê nesta epidemia. Um presidente fazendo prática ilegal da medicina e indicando medicamentos, assessorado por um deputado e não pelo seu ministro da Saúde. Príncipes negros birrentos, linguarudos e despudorados, protegidos pelo papai poderoso e incentivados por seguidores hipnotizados e tecnologizados.
 
 
Fechou de igreja a prostíbulos no mundo inteiro. Mas, aqui seria diferente. O clima nos protegeria. Sol, vitamina D e samba serão antídotos poderosos contra o invasor. Não protegeram.
 
Temos a cloroquina, ela nos salvará. Pouco provável. 
 
Pesquisas chinesas são como os brinquedos lá produzidos, acabam rápido e são tóxicos, assim como a cloroquina.
 
Quando a epidemia chegou na Europa e EUA, a cloroquina começou a descer a serra. Não há milagreiro que resista a ciência com evidências e uma imprensa livre. 
 
A epidemia que num país de 2, 5 bilhões de habitantes, milagrosamente, ficou numa cidade só, Wuhan, merece toda desconfiança do mundo!!
 
Fenômeno muito parecido com o que vem ocorrendo aqui! A epidemia está em todos os lugares, menos no castelo coronal do Planalto. Lá, se concentra nos erros dos governadores e prefeitos alarmistas.
 
Política com epidemia é nitroglicerina pura, catástrofe iminente. 
Mas, não poderia ser muito diferente. O que começou na zona, não poderia ter um destino diferente.
 
Conta a história apócrifa que Benedito Valadares, então governador nomeado de Minas, foi visitar as tropas de mineiras posicionadas em Passa Quatro, no sul do estado, em litígio com os paulistas. 
 
Para chegar até lá, era uma longa viagem, passando por várias cidades onde o governador era recebido em diversos ambientes, dentre eles, por moças alegres e festivas.
 
Chegando a Passa Quatro, o governador já apresentava sintomas da terrível epidemia da época: blenorragia aguda. Saudades desta epidemia! Vulgarmente conhecida como gonorreia de gancho, dado a posição encurvada em que o indivíduo ficava para expelir poucas gotas de urina, acompanhado por dor insuportável, calafrios e febre.
 
Chamado a atender o distinto governador, apresentou-se o jovem capitão médico Juscelino Kubitscheck. Estabeleceu-se assim, uma relação médico-paciente que ultrapassou em muito os limites de uma gonorreia.
 
Benedito fez do capitão governador de Minas e, na sequencia, presidente da República, que fez Brasília. Entenderam a origem?!
O que começou na zona tem no seu DNA um blenorrágico destino.

Palco de figuras dantescas de posturas estapafúrdias, Brasília, com sua arquitetura única, recebe a cada 4 anos visitantes que gostariam de permanecer eternamente em berço esplêndido, ovacionados por multidões hipnotizadas pelo fascínio de seus reis.
Assim, entre epidemias, fomos sobrevivendo de maneira trôpega às bizarrices de nossa tortuosa história. 
 
Surpresa será se um novo normal se estabelecer após esta inusitada catástrofe
 
O discurso obtuso de salvar a economia em detrimento de vidas é tão cego, que não percebe que a derrocada econômica provocada pela epidemia foi oriundo de uma saúde abandonada ao longo de décadas e atropelada por um único vírus.
 
O pior é que existem vários outros vírus e bactérias candidatos a pandemia monitorados pelos Centros de Controle de Epidemias mundo afora. Este não é o primeiro e não será o último.
 
O 'novo normal' exigirá mudanças conceituais importantes do que seja segurança nacional. A nova segurança significará mais ciência e menos armas; mais tecnologia para a saúde e menos obras faraônicas; mais arte e cultura e menos sectarismo pedagógico; mais honestidade diante das incertezas do que a empáfia dos “experts “em solo de Vênus.
 
Mas, sobretudo, a nova normalidade deverá estar muito atenta ao subterrâneo dos discursos negacionistas. Por trás de bordões fatalistas, como "todo mundo vai pegar mesmo, pô! Gente vai morrer mesmo, e daí?! Sou atleta..isto é uma gripezinha..." encontra-se um desprezo perigoso pela vida alheia e pela dignidade humana, só visto nos momentos mais cruéis e sombrios da história da humanidade. 
 
O discurso eugenista de que velhos doentes e miseráveis podem morrer para salvar a economia, além de equivocado e cruel, é perigoso para o nosso país e para o planeta. A última vez que princípios como estes proliferaram, morreram 85 milhões de pessoas no mundo... Prova que ideias e bordões podem ser mais letais que qualquer coronavirus.
 
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