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Incontinência urinária tem cura. Saiba como tratar

Tratamento para para disfunção, que pode piorar no inverno, inclui desde fisioterapia até procedimento cirúrgico para aplicação de slings


12/07/2021 04:00


Minha mãe, que era precavida e sobretudo pouco ligada a normas comuns, tinha um cuidado do qual não abria mão – uma cadeira tipo vaso sanitário ao lado da cama. Dormia praticamente junto ao banheiro, mas tinha receio de não conseguir liberar a bexiga no lugar certo. Quanto fomos juntas para a Europa, que ela sonhava conhecer – e já tinha 70 anos quando iniciou sua aventura –, não teve dúvida: levou uma lata muito bem-arrumada dentro da bagagem para poder fazer xixi de noite, sem molhar a cama do hotel.

E também não acreditava que todos os hotéis legais tinham banheiro junto ao quarto, o que hoje é conhecido como suíte. Tinha suas tradições, uma vez que o banheiro da casa de minha avó era no fundão da construção. Era preciso atravessar a casa para chegar nele, construído depois da imensa cozinha. Outro caso também de minha família é o de um marido que pedia sempre a mulher para colocar um penico no seu lado da cama. Quando ela se esquecia, ele molhava o chão.

Não estava nem um pouco enganada, porque no Brasil de hoje, mais de 10 milhões de pessoas apresentam algum tipo de incontinência e muitos não procuram ajuda médica por achar que o problema é normal, natural da idade ou por acreditar que não há tratamentos efetivos. Com a chegada das temperaturas mais baixas, algumas mudanças podem ocorrer em nosso organismo. Uma delas é o aumento da frequência urinária e eventual perda de urina. Para pessoas que sofrem de incontinência urinária, as épocas de frio podem gerar mais incômodo e constrangimento, já que ocorre um aumento na produção de urina e, assim, pode ocorrer mais perda de urina e também a necessidade de urinar com mais frequência.

Na soma dos casos, estima-se que a incontinência urinária atinge cerca de 5% da população brasileira (homens e mulheres), segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, e é conhecida mundialmente como “câncer social” por causar, na maioria dos casos, constrangimento e isolamento, podendo levar à depressão. E nesta época fria, a incontinência urinária pode piorar, pois, além de o nosso corpo transpirar menos no inverno, para compensar as baixas temperaturas, nosso metabolismo acelera o funcionamento dos rins, que precisam eliminar mais água do corpo.

Ainda mais: outros fatores podem influenciar as idas constantes ao banheiro durante as épocas frias. Outro hábito que aumenta os sintomas da incontinência no inverno está relacionado ao consumo de bebidas quentes. Elas colaboram significativamente para o aumento da frequência urinária, avalia um especialista.

Uma boa dica é evitar o consumo de bebidas quentes, como chás, chocolates quentes e café, antes de se deitar. Isso reduzirá as idas ao banheiro durante a noite. Se as idas excessivas ao banheiro durante o dia estão atrapalhando a sua rotina, corte as bebidas quentes durante suas atividades, como trabalho ou exercício físico. Outro lance que precisa ser conhecido, para ser tratado, é que incontinência urinária não é uma consequência normal da idade, apesar de o envelhecimento trazer alterações estruturais na bexiga e no trato urinário que podem favorecer o aparecimento da condição.

O tipo mais comum é a incontinência urinária de esforço, caracterizada pela perda de urina ao rir, tossir ou em qualquer movimento ou esforço. Esse problema atinge exclusivamente mulheres e pode ocorrer por fraqueza do esfíncter e do assoalho pélvico, além de múltiplos partos ou queda do hormônio feminino após a menopausa. Já nos homens, as principais causas de perda urinária são a deficiência esfincteriana após a prostatectomia radical (perda de urina após cirurgia para tratamento do câncer de próstata) e a bexiga hiperativa (contrações involuntárias de forte intensidade da bexiga que levam a escapes de urina).

Engana-se quem acredita que a condição não tem cura. Nas mulheres, nos casos mais simples é possível fazer fisioterapia para ativar a musculatura, entre outros tratamentos. Nos casos moderados a graves há um procedimento cirúrgico para aplicação de slings, malhas que sustentam a uretra. Já para tratar a incontinência em homens existem tratamentos eficazes que permitem a volta do funcionamento do esfíncter. Nos pacientes mais complexos, como homens que perdem o funcionamento do esfíncter após a prostatectomia radical, é possível substituir o esfíncter com uma cirurgia, utilizando um esfíncter artificial, tecnologia disponível e acessível no Brasil. Para casos mais leves, ainda existem os slings masculinos, que também trazem excelentes resultados a longo prazo.

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